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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

LUMBUDUS - Exposição Fotográfica - 95 Anos - Chegada do Comboio a Chaves - Adega do Faustino - Chaves - Portugal

 

CartazExposicaoComboios-JPEG-Faustino Agosto 2016

 

50 x A5 - PanfletosExposicaoComboios-JPEG-Faustino

 

  

Fonte:

Lumbudus - Associação de Fotografia e Gravura

http://lumbudus.blogs.sapo.pt/

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Contributos - Rita Gonçalves - “Locomotiva”

 

ContributosRita2014.jpg

 

 

CP0018

 

 

 

Locomotiva

 

A ti

A primeira vez que te vi na estação,

Abafei minha grande emoção.

 

Sentida

Por grandeza maquinal,

Por existência real.

 

A tua presença

Tudo silenciava:

Gente que chegava, gente que partia,

De rostos negados pela vida.

 

Só tu existias ali.

 

Num breve instante,

A tua força férrea

Carregava vidas do nada.

 

 

Partias…

 

Então o nada era o tudo

 

E sorriam…

Para ti.

 

Rita Gonçalves

 

In

Memórias de Uma Linha

Linha do Corgo

Edição da Lumbudus - Associação de Fotografia e Gravura

28 de Agosto de 2014

 

 

CP0024

 

Ainda pode visitar a exposição fotográfica:

 

 

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Exposições - LUMBUDUS - "Memórias de uma Linha - Linha do Corgo" - Último dia

 

 

Fonte e informações:
LUMBUDUS - "O velho Texas está de regresso"
Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Humberto Ferreira - "As noites eram todas semelhantes…"

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Muitas vezes, acabados de deitar, éramos acordados sempre com a mesma pergunta:

- “Querendes ir ó contrabando?

Sabíamos não ser uma pergunta, por isso, sem responder, levantávamo-nos e lá íamos nós em direcção ao ponto de recolha. Habitualmente, um curral em Vilarinho da Raia. Aí eram-nos distribuídas as nossas tarefas para essa noite de acordo com as capacidades que já tivéssemos demonstrado.

Sabíamos também haver sempre algum perigo inerente a estas actividades, pois nem todos os guardas-fiscais estavam a “dormir”, mas o dinheiro dava-nos jeito para as nossas pequenas coisas.

 

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Eram noites de Inverno e, por serem mais longas, permitiam, quando necessário, fazer mais do que uma viagem.

Eram noites frias, escuras, que serviam para disfarçar as nossas silhuetas e combiná-las com as sombras da vegetação que ladeava os caminhos por onde passávamos.

Mas, sobretudo, eram noites sem luar. O único brilho permitido era o pálido e suave tremeluzir das estrelas.

Para mim, as noites preferidas eram as de chuva. É certo que não tínhamos as estrelas, mas não restavam dúvidas quanto às noites serem mais frias, mais escuras e muito, mas muito mais silenciosas.

O som da chuva abafava os nossos passos. Também o “martelar” dos cascos dos animais e algum balido ou relinchar, que escapasse ao cansaço que se acumulava, deixavam de ecoar no vazio da noite.

Essencialmente, trazíamos ovelhas e cabras velhas, mas também cavalos, machos e burros, todos estes também com um longo percurso de vida ou com graves mazelas que os impedia de continuar a cumprir as suas funções.

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Tal como a passagem obrigatória pela nossa Aldeia – Outeiro Seco. Aqui, já os caminhos que percorríamos variavam. Ou para não utilizarmos sempre o mesmo, ou porque sabíamos que um deles estava a ser guardado, ou para dividirmos a “carga” para o caso de sermos apanhados pela Guarda Fiscal.

Nessa altura, os caminhos da nossa Aldeia eram transitáveis, não como hoje em dia, onde nem uma pessoa passa. Das nascentes brotavam águas límpidas, cristalinas, puras, onde qualquer Ser Humano ou animal podia saciar a sua sede sem receio, não como hoje em dia, em que tanto as nascentes, como as linhas de água estão poluídas pelos esgotos (provenientes dos parques empresariais) que correm a céu aberto e tudo infestam.

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Saíamos de Vilarinho da Raia com um destino muito preciso: a estação dos comboios em Chaves, onde carregaríamos o gado nos vagões com destino aos matadouros do Porto (ou pelo menos era o que se constava).

De Vilarinho da Raia seguíamos em direcção a Vila Meã e dali ao Cotrão. Ao chegar ao Cotrão, caso ainda não nos tivessem sido dadas indicações, deveríamos seguir um de dois itinerários ou dividir o gado pelos dois.

Aquele que mais utilizávamos era o que seguia pelo Alto Silveira, Almeirinho, Senhor dos Desamparados e Mina.

O outro vinha pelo caminho da Teixugueira, Caminho da Torre, Moucho e Mina.

A partir da Mina, o percurso era o mesmo: seguíamos em direção ao Papeiro, Mãe d’Água, Poços de Volfrâmio, Santa Cruz, Forte de São Neutel, Bairro Verde e, finalmente, estação dos comboios.

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

A estação estava sempre envolta em vapor, fumo e, porque não dizê-lo, mistério, que se acentuava com a escuridão da noite. Nunca vimos lá ninguém. Embora não tivéssemos interesse nenhum, presumo que o motivo fosse o de assim não poderem ser identificados. Os únicos ruídos que se distinguiam claramente eram os das caldeiras e do espezinhar do gado que, talvez por adivinhar o seu destino, se recusava a entrar nos vagões.

Havia rampas já colocadas para carregar as ovelhas e cabras nos vagões de bordas baixas (abertos) e outras para carregar nos vagões fechados os cavalos, machos e burros. O gado era encartado como sardinhas em lata. Diziam que o que interessava era o número de cabeças que chegava ao destino e não o estado em que estivessem.

 

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Já de regresso a casa, às vezes a-modos de despedida, ouvia-se o apito estridente e o som metálico da locomotiva que assim anunciava a sua partida. A aurora já se renovava, dando início a um novo dia e, talvez, a mais uma noite semelhante a tantas outras.

 

A verdade é que nunca viajei no nosso comboio, mas sinto muito a sua falta e lamento que todas as infra-estruturas tenham sido abandonadas ou destruídas por quem dirigia ou dirige os destinos da nossa Região, amontoando num espaço exíguo meia-dúzia de objectos, destruindo com elas as memórias de uma linha.

 

Humberto Ferreira

 

 

In

Memórias de Uma Linha

Linha do Corgo

Edição da Lumbudus - Associação de Fotografia e Gravura

28 de Agosto de 2014

 

Visite a exposição fotográfica:

 

 

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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