Outeiro Seco - AQI...

Tempo Outeiro Seco
Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Os teus 98 anos

 

Sr Eustáquio-11.jpg

 OS TEUS 98 ANOS

 

Se não tivesses partido, se fosses ainda vivo, pai Eustáquio, completarias hoje 98 anos de vida. Foi tão pouco o tempo que te separou deste dia, apenas três meses, três meses (incompletos), que fizeram toda a diferença. Resolveste descansar. Pensei que chegasses mais longe. Fiz projetos. Pensei em mil e uma coisa, para te agradar sempre. Que te fizesse feliz. Estavas bem. Nada fazia prever que nos ias deixar. A não ser a tua idade de 98 anos. Mas cheios de lucidez. Tempos atrás contavas-nos histórias à lareira, recordações de outros tempos.

 

Sr Eustáquio-22.jpg

 

E foi por tão escasso tempo. Não calculas pai a alegria que me dava dizer-te, como foste importante na minha vida. Aliás, sempre to disse. Atualmente eras tu o único alicerce da família. O único pilar ainda de pé. O elo a ligar ao passado o nome da nossa família. Composta hoje por elementos, mais novos, mas que sem se aperceberem estão a envelhecer. Fazes-me muita falta, pai Eustáquio. Resta-me a consolação de teres sido avô do Sandro, do Nuno e da Filipa, que te adoravam.

 

Sr Eustáquio-33.jpg

 

E ainda de uns maravilhosos sobrinhos-netos, que te visitaram no ano de 2014, embora distantes, acompanhados dos seus pais, o Alexandre, o Alan e o Aristides. Eram netos da tua irmã Maria, por quem tu tinhas a maior admiração, escondi sempre de ti o seu falecimento, para não te magoar. Porque sei que adoravas a tua irmã. Além de te visitarem para te conhecer, gostaram de ti, e continuam a gostar.

 

Sr Eustáquio-44.jpg

 

Como eu. Não tenho palavras para dizer-te, que o dia de hoje, foi um dia triste, muito triste para mim. Lembrei-me de ti muitas vezes. Perguntar-te se foste feliz, não creio ser necessário. Sei de mais da tua vida, tu sabes. Estive sempre do teu lado. Foste o último a partir. Coube-te a ti conhecer os vindouros, os que conheceste. Nas suas veias corre-lhe o teu sangue. Têm o teu apelido. O nome da família. Gostaria de te ter oferecido um bolo com 98 velas. Este que te deixo não chega a tanto. Que sirva para iluminar o teu caminho até chegares junto de Deus. Se por acaso já lá estiveres, dá um beijo à mãe Bidade. Lembra-te da nossa família. E de mim. Tantas vezes falamos como seria depois. Agora já sabes. Eu ainda não. Mas que esse depois seja melhor, muito melhor do que este mundo em que fiquei. Deixo-te apenas uma flor pai Eustáquio.

 

Sr Eustáquio-55.jpg

 

Teu filho

Isaac

 

Nota: Fotografias propriedade de Isaac Dias

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Outros Olhares - Vítor Afonso - "Já há bago! - Quem mais tem?" - Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

Fotos de dia 14 de Julho.

 

IMG_4534a.jpg

 

 

IMG_4535a.jpg

 

Para colaborar, envie os seus olhares para jhumbertoferreira@sapo.pt. Obrigado. Berto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Contributos - Sr. João Jacinto - "Salada de merugens ou moruges"

 

Contributos2014.jpg

 

Hoje as minhas memórias de infância, não sei porque motivo, trazem-me à lembrança uma velha recordação dos anos chuvosos em Outeiro Seco.

 

Sendo estes anos chuvosos propícios ao desenvolvimento de este tipo planta: as merugens, pois necessitam de grande quantidade de água corrente.

 

Esta planta é comestível, mas tem um período de vida muito curto.

 

_D762117-Blogue

 

Dá-se muito bem nas bordas dos ribeiros, nas valas (abertas) dos lameiros, onde outrora corriam águas límpidas e cristalinas, pelo que nos dias de hoje será difícil de encontrar. São minúsculas plantas que formam um autêntico tapete flutuante sobre as correntes de água.

 

Quando se detetava um local onde a planta em causa aparecia, pegava-se numa tesoira e uma saca, e procedia-se ao corte, era uma operação muito cuidadosa, tinham de ser cortadas logo a seguir as folhas, ou não se podiam comer, pois ficavam com um sabor amargo, e por norma tinham de ser de água corrente e não parada.

 

Feita esta operação, chegava-se a casa e procedia-se à sua lavagem em várias águas. Depois eram colocadas em uma travessa temperadas com sal grosso bastante azeite e vinagre. Um verdadeiro manjar dos Deuses.

 

_D762122-Blogue

 

No mês de Fevereiro e parte de Março, era a fase em que se comiam. Pois segundo aquilo que diziam as pessoas de idade, depois do Cuco chegar já não prestavam, porque o cuco cagava nelas.

 

Ou seja, esta planta tem um ciclo muito curto e logo que aparecem os primeiros calores de Março, começam a florir e deixam de ter valor comestível.

 

Espero que desfrutem de um bom prato de merugens, mas em Outeiro Seco hoje não sei onde será possível descobrir tal manjar da forma como grassa para aqueles lados a poluição, mas se encontrarem aproveitem, não perdem nada.

 

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 5 de Setembro de 2015

Contributos - Sr. Luís Fernandes - “GUILHOTINA?!”

 

Contributos2014-LuísFernandes.jpg

 

 

“GUILHOTINA?!”

 

 

Até parece que PENSIONISTAS e REFORMADOS é que são culpados dos Roubos que os governantes (e afins) têm andado a fazer nesta "Idade Média-Mediocrática, a que besuntada e babosamente os larápios (e seus afins) dão o nome da «jovem democracia portuguesa; das corrupções com que os Portugueses têm sido empobrecidos, tais como BPN, BES, «Submarinos», Privatizações, perdões fiscais, Fundações, PPP’s, Avenças e Consultorias, e de até o próprio ESTADO (é assim, com o palavrão, que primeiros-ministros e presidentezecos da República «desorientam» os pobres «tugas», que, coitados, na sua maioria ficam paralisados, conformados com tão estranha abstracção de “Estado”!

 

O palavrão tem dado imenso jeito para que os patifes, principalmente os que chegaram na última invasão  -    a saber, capitaneados pelo «pelintra de Boliqueime», um tal «sr. Silva» e orientados em operações especiais pelo Pedro das docas e o Paulinho das feiras, muito bem aconselhados por dois grandes estupores: o Gaspar, primeiro, e a Albuquerque, agora!   -   ganhem tempo para completar o saque total!

 

guilhotina.jpg

Imagem localizada em:

http://arnobiorocha.com.br/2012/04/24/crise-2-0-a-guilhotina/

 

 

Esta albuqerque deve ter um ódio de morte ao pai e à mãe, aos avôs e avós, e, até, aos padrinhos de baptismo!

 

Bem, não será ao pai e à mãe, aos avós e avós, aos padrinhos de baptismo DELA, mas será aos de todas as outras Famílias fora dos elementos da sua quadrilha (de interesses) política.

 

Será preciso tirar a ferrugem à Guilhotina?!

 

 

M., 26 de Maio de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 15 de Agosto de 2015

Contributos - Sr. Luís Fernandes - “SEVANDIJAS!”

 

Contributos2014-LuísFernandes.jpg

 

 

“SEVANDIJAS!”

 

Agosto de 2015.

Dia 8.

 

O Dr. Mário Esteves acaba de editar no “Facebook” umas fotografias a mostrarem a flagrante, indecente e vergonhosa poluição do Rio Tâmega, mesmo no coração da cidade.

 

Fotos Mário Esteves.jpg

Fotografias de Mário Esteves, publicadas no Facebook

 

Humberto Ferreira anda há anos a demonstrar a malvadez, os maus instintos e a imbecilidade desse dos dois últimos presidentes da Câmara Municipal de CHAVES   - João Baptista e Tonho Cabeleira.

 

Nunca fizeram nada de jeito pelo Município e pelos Munícipes.

 

Antes pelo contrário, o tempo que ocuparam como edis, quer na vereação quer na presidência municipais só tiveram habilidade para engrampar os flavienses, fazendo uns «favorzinhos» ou «favorzecos», arranjando uns «tachitos», sobrelotando o corpo de funcionários municipais, criando agremiações-base do seu sustento político, e exercendo ridículas quão covardes vingançazinhas sobre simpatizantes e militantes de outros Partidos políticos ou sobre cidadãos que apenas exerciam, e exercem, o seu direito de expressão e à liberdade de pensamento.

 

Francamente! Tanta covardia e tanta «filha-da-putice» nunca pensei que fosse possível em Transmontanos, em Normando-Tameganos, em Flavienses!

 

Esse Executivo Flaviense não sabe o que é o respeito!

 

Nem pelas pessoas, nem pela «cidade»!

 

Diplomados, não passam de uma quadrilha de ignorantes e de pantomineiros!

 

_D757078.JPG

Esgotos provenientes dos parques empresariais em Outeiro Seco, lançados pela CMChaves às linhas de água que desaguam no Rio Tâmega (Foto de 09082015)

 

Atentem nos fantasiosos e hipócritas programas que pomposamente apresentam, dia sim dia-sim, nos Jornais e nas Têvês, locais e Regionais.

 

Que desplante!

 

Que desfaçatez!

 

O Tonho Cabeleira anda louco varrido por se ver em fotografias com ar de Marcelo Caetano (desculpando a ofensa da comparação ao distinto Professor de Direito)!

 

Há dias, num certo País da EU os populares atiraram para dentro de um contentor do lixo um político menos badalhoco que o «pavão de Castelões».

 

Não há aí por CHAVES quem pegue nesse traste pelo cu das calças e atire com ele ao rio, aí mesmo junto à Ponte Romana, ou o obrigue a tomar uma banhoca nos riachos de Outeiro Seco?

 

_D757077.JPG

Há mais de 8 anos que a CMChaves mantem esta prática de poluição sem que nada seja feito (Foto de 09082015)

 

De Vila Vede da Raia até Curalha, pelo menos (para não falar da «Praia de Vidago») não se podia fazer do Rio um orgulhoso motivo de interesse Flaviense?!

 

Porra! Porra! Porra!

 

Até eu que sou um santo (de pau carunchoso, ‘stá bem!) sou obrigado a pecar com «coza-se» e –carValhos”, sempre que assisto a bestialidades como esta, feitas na MINHA, na NOSSA TERRA!

 

Pomb(ut)a que pariu esses escroques!

 

Sevandijas!

 

 

M., 08 de Agosto de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

Contributos - Laura Freire - “Presente”

 

Contributos2014-LauraFreire-740.jpg

 

 

DSC_5272ab-Blogue.jpg

 

 

Presente

 

Dádiva que nos deixaste…

 

Sacrifício de um Povo…

 

Suor de vidas pisadas…

 

Oferenda de história e estórias…

 

Imponente, majestosa…

 

De beleza pungente…

 

Cheia de orgulho por seres única,

 

E teres em ti o nosso passado…

 

Guardado…

 

Destinado a zelar por nós

 

E seres mais um pedaço de

 

Narrativa guiada ao,

 

Presente

 

Laura Freire

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 1 de Agosto de 2015

Contributos - Sr. Luís Fernandes - “SPORT”

 

Contributos2014-LuísFernandes.jpg

 

 

“S P O R T”

 

 

Falta-lhe «O LARGO DAS FREIRAS»!

 

Falta-lhe aquele brinquinho da cidade onde, antes, a água combinava com os canteiros sempre floridos, e as árvores dissimulavam sinais de compadrio, de atrevimento, de compromisso, e os bancos eram sala de estudo ao ar livre, escondendo da mentira a verdade do enamoramento, e onde os caloiritos púberes corriam ao «vê se me agarras», gritando alegrias antecipadas de futuras conquistas.

 

Na «Esquina do Lopes», os marmanjolas já entradotes na idade «metiam-se» com o Lopes, incitando-o a matrimoniar-se. E o Lopes desabafava com a graça que se lhe conhecia:

- «Que remédio lá terei que ter! Até aqui na minha porta está escrito: CASA LOPES!

 

Nas Quartas-feiras, Dia de Feira, era uma enchente de gente a chegar aos CORREIOS.

 

E lá estava, qual adivinho, aquele estudante «galifeu» sempre pronto a dar uma ajuda a fazer uma direcção, a saber quanto custava o selo para o Brasil ou a América, ou como ir à «Posta Restante».

 

Os Carteiros “eram (quase) todos bons rapazes”; as meninas e senhoritas bondosas e cheiinhas de simpatia.

 

digitalizar0002-Blogue.jpg

(1)

 

Vá-se ao que se vá a Chaves, a Rua de Stº. António é um lugar de passagem obrigatório.

 

Suba-se ou desça-se, os olhos olham e a curiosidade morre de fartura.

 

Os olhos olham e as pessoas mostram-se.

 

Hoje, o "Sport", tal como o "Arrabalde" (esquina do Mocho e da Casa do Dr. Alcino; Largo e gradeamento do Quiosque) é o arraial de basbaques; de «armadilhas» quando em grupo: de "cheios- de – razão – não - tendo – nenhuma”; de «sornas», pedantemente instalados entre meia dúzia de clientes, habituais ou de ocasião, que realmente dá ao lugar o estatuto de Sala - de - estar da cidade.

 

Em decaimento, pouco falta ao "Sport" para se tornar em mais um lugar «rasca», de uma Cidade à rasca, pois cada vez mais a estão a pôr mais rasca.

 

O «Ibéria, o «Jorge», o Geraldes, o «Cabeco», a «Dorinha, o «Mondariz», o «Aurora», o «Central, o «Brasil», o «Pàraketo», etc.,etc., tinham mais «identidade» do que os «panikes», os «pão-quente-a-qualquer-hora»; os «snack's» e outros que tais que por aí abundam às três pancadas.

 

digitalizar0001-Blogue500.jpg

(2)

 

E o «SPORT», como símbolo de ágora e de miradouro, está estragado pelo que lhe falta na envolvência e pela decrepitude de rotinas.

 

Outrora, o “SPORT” foi uma taberna onde os «homes» preparavam o ânimo para a caminhada, já pelo escuro do dia, que os levaria a mais dois ou três “apeadeiros”, antes que o escuro da noite já estivesse do lado de lá da fronteira do dia seguinte.

 

Remodelou-se e passou a Café, a ponto de encontro e a sacada de rés – do – chão, de onde se debruça a atávica curiosidade dos que estão sempre à espera de quem passa, para lhes dar corda à imaginação e alimento às atenuantes para as suas frustrações; onde muitos se perdem a olhar, e a maioria se «apalanca» para se fazer notar.

 

Ao “SPORT” (e à cidade!) falta-lhe “as Freiras”!

 

 

M., 7 de Julho de 2009

Luís Henrique Fernandes

 

Notas:

(1) Bilhete Postal - Edição de Alberto Alves - Chaves

(2) Postal - Centro de Caridade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Porto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 20 de Julho de 2015

Contributos - Laura Freire - “De nenhum”

 

Contributos2014-LauraFreire-740.jpg

 

 

_D756198ac-Blogue.jpg

 

 

De nenhum,

Não me arrependo de um único momento.

 

Cada instante contigo foi uma bênção,

Nunca me cansei de ti.

 

Também não penso esquecer-te,

Seria abdicar de uma parte importante de mim.

 

Partilho a tua dor, o teu sofrimento,

Faço deles a minha âncora.

 

Tenho saudades tuas,

Agarro-me a elas para me manter viva.

 

Sinto falta do teu ombro, do teu peito,

Onde descansaram as minhas mãos.

 

Hoje, não te tenho, o vazio é imenso,

Como o espaço que nos separa.

 

Afinal, tinhas razão,

Eu também sofri, mas em silêncio.

 

Não me arrependo de um único momento,

De nenhum.

 

Laura Freire

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 11 de Julho de 2015

Contributos - Sr. Luís Fernandes - “RAQUEL ... de Sto. Amaro”

 

Contributos2014-LuísFernandes.jpg

 

 

“RAQUEL”

   … de Stº Amaro-

 

Ali, na curva perigosa de SANTO AMARO, no ponto onde nasce a bifurcação para as CASAS-DOS-MONTES, havia a oficina de sapateiro do “Giestas”.

 

Era um lugar de parada dos que iam e dos que vinham da cidade, depois de precisarem de pôr umas tachas nas socas ou nos socos, pôr uns protectores nas biqueiras ou nos calcanhares dos sapatos ou nas botas de sola, segurar a fivela de uma alpergata ou de uma carteira de senhora.

 

Nos socos e nas socas também se usavam umas tiras protectoras, de borracha, aproveitadas dos pneus velhos, para aumentar o tempo de uso dos mesmos.

 

Era um ponto onde se deixava um recado para ser entregue a uma pessoa de outra aldeia; era o ponto onde se coscuvilhava um «cibito» e, tirando nabos da púcara, se sabiam umas “noβidades”, ora interessantes ora picantes   -   sacramentais ou excomungadas.

 

_D702682a.jpg

 (1)

 

Na esquina da ladeira para a Capela ficava mesmo a calhar a Barbearia do Alcino.

 

Do lado de lá da rua era o correr de duas ou três «Tascas», onde os homens chegados às portas de dentro da cidade faziam a milagrosa benzedura vínica da sua garganta e da inspiração para o negócio que lá os levava, especialmente às Quartas-feiras, Dia de Feira.

 

CP0018.jpg

 (2)

 

A Ponte do Comboio, de Santo Amaro, embora em território da cidade, causava sempre a todos que por baixo dela passavam aquela sensação que se tem quando se vai da rua para o adro, da sacristia para a igreja, ou quando se entra no consultório do «senhor doutor».

 

Agora, deitaram-na abaixo. E do jugo romano nem lembrança há.

 

Logo à frente, do lado esquerdo de quem seguia para a Quinta da Fraga, havia o Campo de Futebol do FLÁVIA.

 

_D702668a.jpg

 (2)

 

Um pouco mais adiante começava a subida para o Bairro típico das Casas-dos-Montes.

 

Neste, tudo era castiço. Os nomes, apelidos e cognomes das pessoas. As três Tabernas: a da Capela, a do PàraQueto e a do Branco. O Giestal: campo da bola e de recreio. O bairro Silvano Roque. O Olmo, no centro do pequeno Largo, junto à Capela. A casa da Pita Choca. Os baixos onde morava a «Laika». Na casa a fazer esquina com a rua para o Pedrete moravam os Tapiços. Na que fazia esquina com a dos Aregos, «o africano», dono da “Pensão Jaime”. Ao lado desta, as varandas floridas do sr. Júlio, «contínuo» da Escola Comercial; frente a esta, a do Tótó Neves, «contínuo» do Liceu.

 

O Kika, o Fediola, o Vermelhinho, o «’Strag’àtábua», o Regredo e o Fernando Piroleco eram figuras centrais do Bairro.

 

Próximo da Capela, na rua que vai para a fonte, a Barbearia do Zeca Peneda, especialmente concorrida nas noites de sábado, a fazer lembrar os areópagos atenienses   -   só que o tema de com que cidade se iria fazer a guerra ou se ajuizava das estratégias de Péricles era substituído pela análise dos ares que vinham da Galiza, da corrente dos ventos, da fase da Lua, da invasão do escaravelho da batata, do míldio na vinha, ou do preço das peles de coelho, de cabrito, de cordeiro ou de raposa.

 

_D702669a.jpg

 (2)

 

Nos dias de maior invernia, o Monte da Forca, ali ao cimo do apeadeiro da Fonte Nova, fazia lembrar o Monte dos Vendavais: a pequena floresta de pinheiros atraía a chuva mais tempestuosa, o vento mais violento e os relâmpagos e trovões mais estrondosos.

 

Mas no tempo quente concedia uma rica sombra fresquinha, ao Lelo e ao João da Tia Olinda, mai-lo Neto da Tia São que, desde «a cidade» aí se deslocavam para o almoço   - não, que se tinha que se chegar a tempo e horas à oficina e às aulas!

 

A Fonte Nova era o mais célebre Apeadeiro das Partidas e das Chegadas que há no mundo!

 

O comboio, desde aí, deslizava em bitola de saudade, na Partida; e na de palpitante alegria, no Regresso.

 

Ao cimo da Azenha do Agapito, o rio era atravessado numa barca para o lado da «Freciana». A Ponte Nova, afundou a barca. No «Poço» continuou a aprendizagem da arte de bem mergulhar e «caçar» peixes debaixo dos rebolos, e, a seguir à “presa”, as lavadeiras punham à cora a roupa que esforçadamente lavavam.

 

_D702674a.jpg

 (2)

 

Os mais gandulos afincavam-se na pesca de trutas e enguias, mal as pressentissem.

 

Aí, à Fonte Nova, chegava a recta de Santo Amaro, já dita «Estrada de Braga», onde os Minis e os «Cupers» (Coopers), depois de uma curva bem feita, ou de um ou dois piões na Curva de Santo Amaro, onde se desviavam da entrada para a apertada curva que antecedia a «Ponte do Comboio», roncavam até mais não, com a ambição de baterem o recorde mundial de velocidade!

 

_D702677a.jpg

 (2)

 

Chegou o tempo das “Avenidas Novas”. A cidade conservou as ruas e os Jardins. Continuou linda e interessante.

 

Invadiu-a o cimento armado.

 

_D702681a.jpg

 (2)

 

Os Pássaros e as Pombas assustaram-se. Tal como os Gatos e as Gatas, abandonaram as ruas, a margem do Ribelas e os pombais.

 

Para não se lhes notar tanto as carrancas das suas trombas, os noitibós e os pavões atacados por ornitose, destruíram os canteiros floridos e as árvores frondosas da cidade   -   a mando das Lojas de conveniência, ergueram altares de betão e construíram jangadas de pedra para se navegar em leito seco.

 

De SANTO AMARO antigo ainda restam as ruínas do casario e da ponte DO Ribelas, a Escola Primária e a ladeira para a Capela.

 

Pelo ar ainda ecoa o trinado da voz de sonho da RAQUEL!...

 

M.,, 20 de Julho de 2012

Luís Henrique Fernandes

 

Notas:

(1) Postal da Tipografia e Papelaria Mesquita - Chaves

(2) Propriedade e detenção dos direitos de autor - Humberto Ferreira

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Contributos - Laura Freire - “Não queres que seja feliz?”

 

Contributos2014-LauraFreire-740.jpg

 

 

_D756213ac-Blogue.jpg

 

 

Não queres que seja feliz?

 

Quantas vezes esperas que tudo se repita?

 

Quantas vezes pudeste dizer que encontraste quem esperavas?

 

Quantas vezes pudeste sentir que tudo à tua volta se harmonizou de forma a criar o momento perfeito?

 

Quantas vezes pudeste dizer que tens aquilo que todos procuram?

 

Quantas vezes pudeste sentir, em cada instante, o silêncio e a tranquilidade que tanto ansiavas?

 

Quantas vezes pudeste dizer que recebeste as singelas carícias que só tu podes sentir?

 

Quantas vezes esperas que tudo se repita?

 

Não queres que seja feliz?

 

Laura Freire

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Domingo, 5 de Julho de 2015

Outros Olhares - Vítor Afonso - "Estão quase maduras!" - Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

Fotos de 2 de Julho de 2015.

 

IMG_2910a-Blogue.jpg

 

 

IMG_2907a-Blogue.jpg

 

Para colaborar, envie os seus olhares para jhumbertoferreira@sapo.pt. Obrigado. Berto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 10:00

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 3 de Julho de 2015

Outros Olhares - Vítor Afonso - "Já há bago! - Quem mais tem?" - Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

A foto é de dia 30 de Junho.

 

IMG_0622-Blogue.jpg

 

Para colaborar, envie os seus olhares para jhumbertoferreira@sapo.pt. Obrigado. Berto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 6 de Junho de 2015

Contributos - Sr. Luís Fernandes - “DIA e NOITE”

 

Contributos2014-LuísFernandes.jpg

 

“DIA e NOITE”

 

                                                                                                               “Ter de viver com a perda do amor

         é

                                                                                          um dos desesperos mais profundos

     do ser humano”

 

 

O coração ficou-lhe tão pequenino como o de um passarinho.

 

Há tantos anos!...

 

Aquela sombra; não, aquele vulto; não, aquele fantasma; não, aquela nuvem, leve, ligeira …. sombra, vulto, fantasma, nuvem aparecidas num relance repentino surpreenderam-no.

 

Não!

 

Não podia ser!

 

Não podia ser verdade!

 

Mas aquele cabelo. Aquele rosto, de perfil, aquele andar, aquelas mãos….

 

Não!

 

Não era verdade!

 

A eterna saudade, dolorosamente sentida em cada dia e em cada noite, construía fantasmas para lhe aumentar o tormento.

 

_D702880-Sketch-Blogue.jpg

 

Olhou.

 

Voltou a olhar.

 

Queria ter a certeza…mais do que queria ver do que daquilo que via.

 

Fechou os olhos. Para ver se estava a sonhar acordado.

 

A imagem daquela com que as saudades o atormenta a toda a hora sentiu-a fixar-se, gravar-se, com mais profundidade no seu coração.

 

Angustiado, o peito encolheu-se-lhe todo.

 

A nuvem, o fantasma, o vulto, a sombra afastou-se com indiferença.

 

Logo dobrou a esquina da rua.

 

Ele não resistiu. Saiu em passo largo e espreitou a outra rua.

 

Durante uns momentos, embora tão breves pareceram-lhe uma eternidade, não viu, não lhe apareceu vivalma   - nem carros nem pessoas.

 

Ficou tão triste o céu daquela cidade!

 

 

M., 15 de Abril de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 23 de Maio de 2015

Contributos - Tupamaro - “Aviário e canalhário de CHAVES”

 

Contributos2014-Tupamaro.jpg

 

 

A Câmara Municipal de Chaves

está transformada num aviário empestado,

num desavergonhado «canalhário»!

  

 

Às vezes, o cretino «pavão de Castelões» traz-me à lembrança a personalidade sinistra do nazi Albert Speer.

 

Tal como este, o “Tonho Cabeleira” revela não ter a mínima sensibilidade para a contradição entre «o que é» e «o que devia ser».

 

Deixa a Cidade e os cidadãos, por submetidos às loucuras, abusos e arbítrios dos «lisVoetas», entrarem em decadência; colabora nas tragédias de aviltamento do património; no desarranjo dos caminhos do progresso; e na negação e obstrução dos direitos da Cidade e dos cidadãos, e aparece constantemente a declarar, cínica e hipocritamente, sentimentos patrióticos (bairritas) verdadeiros que mais não são do que sentimentos inventados!

 

O «pavão de Castelões» é um indivíduo (falta-lhe ainda qualquer coisinha para ser “pessoa”) perverso: sabe comportar-se como se tivesse sentimentos!

 

DSC_3458.JPG

 

 

O contraste entre a beatitude dos seus gestos e palavras, quando na «oposição» autárquica e nas missões das campanhas eleitorais, e a malícia da sua postura, manhosa e vingativa, quer como vereador com pelouro, quer como cinzento-escuro (e obscuro) deputado, quer como actual presidente de Câmara Municipal, até nos levou a crer que a sua redonda paixão é passar por ser um “klausinho Barbiezinho”!

 

Tenho comigo bem presente a facilidade com que «bufos», salazarentos e fascistas se transferiram, no dia seguinte ao 25 de Abril/74, para «democratas»!

 

“Tipos” (personalidade) como a do “Tonho Cabeleira” (ou a de Cavaco, ou a de Passos Coelho, ou a de Portas) encontraram a chave para ultrapassar a sua impotência (a sua incompetência), sentida como falha pessoal insuportável, na identificação com o poder opressor, realizado nas políticas autárquicas (ou nacionais) do nepotismo, da degradação do património e do meio-ambiente; na diminuição dos Serviços Sociais; na desvalorização ou aniquilamento dos recursos naturais (muito mal disfarçadas com as «Feirinhas de Sabores e Saberes» replicadas e «clonezadas).

 

O «pavão de Castelões», desmiolado como é, sente-se o «anjo do juízo final» dos Flavienses.

 

Ao jurado e abjurado padre falso, do Ravegão, o “Baptista das Concertinas”, deve as demoníacas celestiais asas que o têm mantido a pairar no céu da politiquice!

 

Tendo aprendido bem com este seu mentor, o tal padre falso Baptista, O “Tonho Cabeleira”, sob o manto de santa seriedade (olhem p’ra ele quando fala … para um microfone ou câmara de Televisão!), comporta-se de uma forma manhosa e desonesta!

 

_D754642.JPG

 

 

Para não referir a última «aparição» acerca do custo da Água para Os de Montalegre e Os de Chaves, dou como exemplo a sua ladainha perante a criminosa pouca-vergonha e indecência que se passa com os atentados à Natureza e à Saúde Pública nos cursos de água de OUTEIRO SECO!

 

Beato falso, como o seu padre padrinho, reza com os mesmos lábios que usa para mentir.

 

Nos seus «discursos», o «pavão de Castelões» emprega as palavras em função do seu efeito, mas sem que tenham qualquer coisa a ver com o que se passas no seu íntimo.

 

Tal como seu mentor e «padrinho», só acredita em Deus sempre e quando quer dele alguma coisa!

 

Tartufo-tartufilho, aprendeu bem os truques e as manhas do tartufo arcipreste!

 

O ódio e a destrutividade que revela nas suas acções e omissões para com o Município e os Munícipes é aquilo que o faz sentir-se, a ele, vivo, e também uma manifestação da sua «veneração pela morte»!

 

_D753563.JPG

 

 

O cinismo perante os “Esgotos nas linhas de água em Vale Salgueiro - Outeiro Seco“, o indecente abandono do CASTELO de MONFORTE de RIO LIVRE; o desleixo pela CAPELA DA GRANGINHA, de OUTEIRO MACHADO ou o Castro de CURALHA; o imperdoável esquecimento do Açude; a covardia perante a roubalheira de Serviços essenciais à vida dos Flavienses, etc., etc., etc., dizem bem do medíocre que este marmanjo é!

 

Ah! A esse «pavão de Castelões» há-de chegar a hora de mudança de penas, e de tal maneira e feitio que o inferno e o purgatório juntos até lhe vão parecer um paraíso!

 

«Moco de pavo», não venha mais com falsas declarações de empenho, dedicação; com falsos juramentos de “Verdade – Trabalho – Competência” em prol da vida, serena, justa e feliz, dos Flavienses!

 

Se vivo fosse, o meu amigo Poquelin escreveria uma comédia ainda mais célebre e celebrada, com as personagens do «canalhário» da Câmara Municipal de Chaves, dos últimos anos!

 

M., 18 de Abril de 2015

Tupamaro

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Humberto Ferreira . Berto Alferes

Pesquisar neste blog

 

Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
30

Posts recentes

Os teus 98 anos

Outros Olhares - Vítor Af...

Contributos - Sr. João Ja...

Contributos - Sr. Luís Fe...

Contributos - Sr. Luís Fe...

Contributos - Laura Freir...

Contributos - Sr. Luís Fe...

Contributos - Laura Freir...

Contributos - Sr. Luís Fe...

Contributos - Laura Freir...

Outros Olhares - Vítor Af...

Outros Olhares - Vítor Af...

Contributos - Sr. Luís Fe...

Contributos - Tupamaro - ...

Arquivos

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

acisat

agricultura

aldeias

ama

ambiente

amnistia internacional chaves

ana maria borges

antigamente

aqi

auto da paixão

berto alferes

boticas

casa de cultura

chaves

cogumelos

coleccionismo

comboios

contributos

desporto

dinis ponteira

diogo rolim

direitos humanos

esgotos

exposições

família

fátima

fauna

faustino

feira do gado

feira dos santos

fernando ribeiro

festa do reco

flora

fotografia

galiza

humberto ferreira

incêndio

isaac dias

j.b.césar

joão jacinto

joão madureira

josé arantes

lamartinedias

laura freire

legislação

lixo

luís montalvão

lumbudus

máquinas fotográficas antigas

marco costa

miguel ferrador

montalegre

natureza

notícias

olhares

orçamento participativo

orçamento participativo 2015

outeiro seco

pablo serrano

património

pedro afonso

pitões das júnias

políticos

recortes

regina celia gonçalves

religião

rita gonçalves

romeiro de alcácer

santarém

são sebastião

segirei

sr. luís fernandes

sr.joãojacinto

tiago ferreira

tradições

tupamaro

vamos até

verin

vidago

vítor afonso

todas as tags

Favoritos

Ocasionais

Blogues Amigos




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License

Lumbudus

Tradições

Património

Coleccionismo

Fauna

Flora

Aviso




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

Visitas:

subscrever feeds