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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Contributos - Sr. João Jacinto - "O Padre Domingos Pinheiro"

 

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Padre Domingos Pinheiro

 

Quando qualquer cidadão ou Outeiro Secano entra na Igreja Matriz de São Miguel de Outeiro Sêco, e segue até à capela-mor, bate de frente com um belíssimo retábulo.

Aí verifica a seguinte frase "Este retábulo mandou pintar o Padre Domingos Pinheiro sendo pároco desta paroquia no ano de 1758".

 

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Desde miúdo me interroguei, quem seria aquela pessoa, para mandar pintar?

De onde era?

Quem era?

 

O meu pensamento de criança dizia devia ser muito rico. Mas não me esqueci sempre que visito a igreja, recorda-me o Padre Domingos Pinheiro, nunca tive uma resposta das pessoas mais idosas da aldeia. Mas não desanimei, continuei a procurar. Mas como quem procura, algo deve de achar, encontrei.

 

Hoje relato aqui aquilo que encontrei, saciando assim a minha curiosidade.

 

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Decorria o ano de 1684, no dia 25 de Setembro lá para os lados do Bairro do Eiró, nascia um menino a quem seria dado o nome de Domingos, era mais um filho de um casal abastado de Outeiro Seco.

 

Nesse mesmo mês recebe o batismo das mãos do Padre Sebastião Gonçalves, tendo por padrinhos Pedro Álvares, e sua mulher Isabel Rodrigues.

 

Domingos seria o segundo filho do casal Miguel Sobrinho e Ana Pinheira, teria por avós maternos António Gonçalves e Maria Pinheira, avós pela parte paterna Gaspar Sobrinho e Isabel do Eiró.

 

Domingos cresceu, brincou pelas ruas de Outeiro Seco como todas as crianças da aldeia. Domingos aprendeu as primeiras letras em casa do Padre Sebastião Gonçalves.

 

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Domingos foi crescendo, o destino tinha já sido destinado pelos pais, ser sacerdote. Ajudava o Padre Sebastião na missa dominical. O Padre Sebastião   comungava da mesma opinião dos pais.

 

Domingos ainda jovem deixa Outeiro Seco, parte com destino à cidade de Braga, na companhia do seu tio Padre André Pinheiro, que era sacerdote em Braga. Matriculado no Seminário de Braga onde passa o resto da sua juventude.

 

Com o tio por perto, Domingos aos 25 anos recebe o celibato, é ordenado padre. Domingos depois da sua ordenação ainda permanece 13 anos em Braga.

 

Domingos com a idade de 38 anos regressa à sua terra natal e em Fevereiro de 1722, é nomeado Padre da Paroquia de São Miguel de Outeiro Seco, sendo depois mais tarde nomeado Reitor Da Paroquia de Outeiro Seco, Sanjurge e Bustelo.

 

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Domingos homem de grandes conhecimentos, evangelizador, lança mãos à obra e em sua casa funciona a primeira escola onde ele mesmo ensina as primeiras letras sendo assim vários Outeiro Secanos preparados para a vida.

 

Constrói uma nova residência paroquial, manda pintar o retábulo da igreja.

 

Altar Sra Dores Sagrado Coração - 740

 

Já em pleno ano de 1768 em 25 de Setembro Domingos Pinheiro completa 84 anos. Nesse mesmo ano, a 1 de Dezembro, dia de Todos os Santos Padre Domingos deixava Outeiro Seco, e partia para os braços do criador, sendo a sua última vontade ser sepultado na Igreja de São Miguel de Outeiro Seco, junto do Altar da Senhora das Dores, onde repousa.

 

Daqui lançamos um bem-haja, Padre Domingos Pinheiro, pelo que nos deixaste, para hoje te recordarmos.

 

Mas convém lembrar o seguinte, que a sua irmã Maria Sobrinho, daria origem à família Álvares Ferreira. Também o seu pai Miguel Sobrinho era o homem que tinha em seu poder o testamento relativo à capela da Senhora do Rosário, quanto valioso seria hoje esse testamento para desvendar o mistério da capela.

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "Capela da Senhora do Rosário"

 

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Não vou aqui publicar mais que o documento, que há uns anos atrás encontrei quando ainda existia o "FORUM de Outeiro Seco", tendo eu nessa altura falado sobre Capela de Nossa Senhora do Rosário. Pois aquilo que fui juntado sobre a dita Capela daria pano para mangas. Relativamente às pinturas murais nem uma palavra. Apenas me vou limitar a transcrever o respectivo documento. Mas desde já alerto, que algumas palavras podem estar erradas, devido o ser difícil a sua leitura:

 

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TABOA DE TODAS AS MISSAS DE CAPELLAS NESTA FREGUESIA DE SÃO MIGUEL E NOSSA SENHORA DA AZINHEIRA NESTE LUGAR DE OUTEIRO SECCO TERMO DA VILLA DE CHAVES.

 

Tirado do livro de Capellas o mais moderno da Comarca Eclesiastica em Chaves foll. 235 versus.

Aos vinte e quatro dias do mês de outubro de mil seiscentos e noventa e trés. Eu o Padre Pascoal Fernandes Vigário da paróquia de São Miguel de Nossa Senhora da Azinheira neste lugar de Outeiro Secco, o primeiro anno da minha residência nesta freguesia, por não constar do livro nem taboa de missas que havia de Capellas, nem administradores dellas, procurei estas obrigações no Escrivão da Camara Eclesiastica, o Reverendo Paulo Coutinho. Ao qual paguei nove vinténs de busca e me apresentou o livro de Capellas desta Comarca de Chaves o mais moderno e delle a foll. 235 versus.

Trasladei, as verbas de todas as obrigações de missas de Capellas que constam pertencerem a esta freguesia, e os administradores dellas e são os seguintes;

A Capella de Nossa Senhora do Rosário tem sette missas que institui o Reverendo Padre Belchior Pires, e obrigou a ellas, quinhentos reis de esmola cada anno, os quaes se devem pagar de humas casas, e de uma horta contigua a ellas: As casas são de Antonio Pires a horta he de Sebastião Sanches, e ambas peçoas, estão obrigadas a estas missas.=Sebastião Sanches e Antonio Pires fizeram constar por termo no mesmo livro e que em vida paga cada hum duzentos e cinquenta reis, e está neste termo a foll. 250 versus.

Dizem-se no advento, foi e he administrador da horta Antonio de Magalhães e he administrador das casas Antonio Madeira ambos de Outeiro Secco.

 

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O Reverendo Padre António Teixeira deixou dez missas perpetuas e a ellas obrigados, vinte medidas que pagam Pedro Gonçalves das Moças de Ervededo cinquo, e duas que paga Gaspar Dias o Grilo seis partes Sebastião Alves de Outeiro Secco e sete medidas que paga Isabel Gonçalves Àvoa de Ervededo  que possue Sebastião Ribeiro de Bustello e seis medidas paga Francisco Gonçalves de Outeiro Secco, que possue Apolinário Fernandes.= Depois vi o testamento  em poder de Miguel Sobrinho em que manda pagar estas missas a oitenta reis.=Foi e são administradores, desta Capella Miguel Sobrinho e Isabel Alves  estes de Outeiro Secco e Sebastião Gonçalves de Bustello e a todos os tres manda pagar cada um que lhe façam igualmente, 26> e soma tudo oitocentos reis.

O Reverendo Padre Francisco Gonçalves deixou uma vinha às Antas, a suas herdeiras com obrigaçam de uma missa cada semana paga a tres vinténs, são cinquenta e duas cada anno. Esta vinha possue Margarida Pires mãe das herdeiras do dito padre= foi e he administrador  o Parocho e a aldeia, com a igreja por morte do meu antecessor. E não constava de mais verbas de missas de Capellas em dito livro  foll. 235 pertencentes a esta freguesia de Outeiro Secco. 

 

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Somente dizia hua verba na mesma folha o seguinte: A Capella  de Nossa Senhora do Rosário tem uma leira---------(não deciframos o Local)----- e uma outra no Ribeiro de Nabelhos tapada sobresi; e huma cortinha da parte da Antonio Pires ao Penedo, sementeira de meio alqueire todos tres obrigados á fabrica da mesma Capella. E não dizia mais o dito livro das Capellas que ficou em poder do dito Escrivão.

Foi de presente, de novo o meu antecessor o Reverendo Sebastião Gonçalves deixou todos os seus bens vinculados a seu irmão Antonio Gonçalves com a obrigação de trinta missas perpetuas cada anno; e que as deverá o sacerdote seu parente mais chegado.

= Espero contar a todo o tempo aos meus superiores de tudo o referido acima fiz esta lembrança neste livro dos mortos, e tudo escrevi qua  verdade. Sem entrelinhas nem borrão causa que duvida façam em dito dia mês e anno acima declarado e me assinei

Padre Pascoal Fernandes

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 14 de Maio de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "TRADIÇÕES"

 
 
 TRADIÇÕES

 

Mais uma tradição que se perdeu em Outeiro Seco, enquanto umas se vão mantendo a todo o custo, ou tentando manter-se outras acabaram  por desaparecer, ou se perderam no tempo, resistindo apenas pequenos fragmentos delas.

 

Tanto umas tradições como outras perdem-se no tempo as suas origens.

 

 

Como muitas pessoas sabem  depois de passada a Páscoa (rica em tradições), contamos 40 dias e chegamos a Quinta-Feira da Ascensão do Senhor, sendo este dia festejado em todos os lugares de Portugal, sendo em muitas partes  designado pela "Festa da Espiga".

 

Também em Outeiro Seco, tinha a sua tradição neste dia, fazendo parte do seu quotidiano, mas desapareceu esta tradição, não sabemos quando.

 

 

Noutros tempos as gentes de Outeiro Seco, tinham por hábito no dia da Ascensão, ir pelo campo apanhar flores e alguns arbustos, com esses materiais confeccionavam lindos ramos.

 

Esses ramos eram possuidores de grandes virtudes, talvez como o ramo do dia de Ramos que depois de benzido, tem utilidade para várias coisas.

 

Estamos em plena Primavera, tempo de sementeiras, e tempo de abundantes flores silvestres nos campos de Outeiro Seco.

 

Os materiais que compunham estes ramos eram diferentes do de domingo de Ramos.

 

 

Apanhavam-se  umas espigas de trigo abundante nessa época em Outeiro Seco,  e que significa  no ramo (abundância), pequenos ramos de oliveira (cujo significado é a paz), papoila (cujo significado  é a alegria), malmequer branco (que significa a prata), malmequer amarelo (cujo significado é o oiro).

 

A particularidade no meio disto tudo é que todo este material para elaborar o ramo tinha de ser em número ímpar, tinham  de ser apanhados de preferência entre o meio-dia e as 13 horas, e durante a sua apanha tinha de ser acompanhada de uma reza, que consistia em três avé-marias e três pais-nossos para que o ramo adquirisse todas as virtudes e poderes.

 

Considerava-se isto uma autêntica prece dirigida ao Criador, e também para que nesse ano houvesse abundância de trigo, centeio, azeite ou seja um ano farto.

 

 

Também muitos Outeiro Secanos nesta altura deambulavam pelos campos  à procura de uma erva aromática  com fins terapêuticos, e acho que ainda há nos nossos campos, era muito utilizada em chá, e a melhor era a apanhada neste dia, chamava-se "MACELA".

 

O ramo desse dia da Ascensão, guardava-se  em casa no melhor local para manter todas as virtudes e protecção da casa e dos seus moradores.

 

Todo este cerimonial  assim como tantos outros, tem a ver com as diferentes festas agrárias durante o ano, podemos remeter isto tudo talvez ao tempo dos habitantes de Santa Ana.

 

Todas estas tradições esquecidas, assim como outras que aos poucos se vão perdendo, são autênticos rituais que nos ligam ao passado de Outeiro Seco, sendo como que o suporte  da nossa identidade, e que muitas das vezes se manifesta na Fé, e que por respeito e valor daquilo que nos foi legado pelos nossos antepassados.

 

 

Muitos dos Outeiro Secanos ainda hoje guardam na sua memória tempos antigos, quando pelas ruas da aldeia transitavam os carros de bois, era comum no mês de Maio, ver os bois ou outros animais com ramos de maia na cabeça. E as pessoas da aldeia diziam que era por causa das moscas não irem para os olhos dos animais. Eram restos da tradição dos “MAIOS”.

 

Também não é por acaso o altar Celta da Capela de Santa Ana, também outro altar que existiu no cimo do Alto de Santa Ana, e que foi destruído no tempo das invasões monárquicas 1912.

 

 

Também Leite de Vasconcelos, nos fala de um enorme túmulo junto da Senhora da Azinheira  e descoberto aquando da construção do Cabido, talvez a chave do passado de Outeiro Seco.

 

Outra referência que muito se ouvia as pessoas de Outeiro Seco, noutros tempos era o lugar do MOCHO, cemitério de animais de outros tempos onde acabavam os últimos  dias, nos anos 50 só lá viam carcaças. Quantas vezes se ouvia os mais idosos dizer, "quando morrer levai-me para o mocho", ou então "se queres uma dentadura nova vai o mocho".

 

Também no final da malha do centeio se levava o patrão e o filho mais novo ao "pedro" que era o fundo da meda de centeio. Ainda hoje se diz em Outeiro Seco "que no dia da Ascensão nem os passarinhos deviam ir ao ninho".

 

Tudo isto nos foi legado pelos nossos antepassados desde tempos remotos, e é pena que se vão perdendo. Ficamos por aqui mas prometo em breve voltar.

 

João Jacinto

 

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Quarta-feira, 12 de Março de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "Olha o Bombo!!!!!"

 

 

 

OLHA O BOMBO!!!!!

 

Vamos a mais uma história de Outeiro Seco.

 

Estávamos em pleno ano de 1936, tempos difíceis, mas a vida na pacata aldeia de Outeiro Seco corria dentro da normalidade.

 

Embora as necessidades dos seus habitantes fossem muitas, pois a nível geral a vida do dia-a-dia era difícil, iam-se cultivando os campos e granjeando o sustento de cada dia.

 

Havia na aldeia um grande número de jovens, que ajudavam nas tarefas agrícolas, não só a família como amigos e vizinhos.

 

 

Muitos deles lá iam frequentando a escola, pouco ou nada havia para se distraírem, a não ser algumas brincadeiras de infância.

 

É no seio de essa juventude, que dois jovens tomam a iniciativa de fabricarem uma gaita, para assim fazerem a animação dos restantes nas horas livres.

 

O Zé Ribeiro e o Eustáquio Dias, lançam mãos à obra e a gaita começa a ganhar forma.

 

Mas longe de pensarem que estavam a lançar o fermento, que mais tarde levaria à formação do gaiteiro.

 

O sonho torna-se realidade, a curiosidade move os restantes jovens da aldeia, e dá-se início à formação do gaiteiro.

 

Procura-se uma pessoa para ensinar as primeiras notas, vão-se adquirindo alguns instrumentos, entre eles o bombo, o sonho de toda essa juventude vai tomando forma.

 

 

Nessa época, o bombo que as bandas possuíam tinha uma dimensão enorme, em relação aos actuais, também tinha muito mais peso.

 

Ora sucede que o bombo do gaiteiro tinha pertencido a Banda do Regimento de Infantaria 19, tendo umas dimensões assustadoras.

 

Já decorridos uns meses desde o início dos ensaios, eis que os aprendizes se sentem com folgo para realizarem uma arruada pela cidade de Chaves.

 

Estava-se já nos finais de 1936, e decide-se fazer a dita arruada a um Domingo de manhã, munidos dos respectivos instrumentos lá vão os mariolas de alongada até Chaves.

 

Chegados à Praça Antiga, início da Rua das Longras, toca a formar e a dar inicio à dita arruada, cujo percurso seria Rua das Longras, Rua de Santo António, Rua 1º. Dezembro, Largo do Anjo e Rua Direita, pois que nessa época as ditas ruas tinham dois sentidos.

 

 

Tudo corria às mil maravilhas, não cabiam em si de contentes, mas como não há duas sem três, já o gaiteiro descia a meio a Rua Direita, quando uma correia do bombo rebenta, e o Manuel Martinho deixa cair o bombo.

 

O bombo começa a rolar rua abaixo, todos os elementos do gaiteiro correm atrás do bombo, mas cada vez rola com mais velocidade.

 

Faz uma tangente ao candeeiro, que havia no largo do Arrabalde e só parou na esquina de uma casa da Rua da Ponte Romana.

 

Mas caros leitores ainda hoje podem lá ver na esquina dessa casa as marcas onde o bombo embateu.

 

Pois meus caros amigos tudo isto não passou de uma mera invenção, de uma mente iluminada, para se divertir à custa do gaiteiro de Outeiro Seco

 

 

João Jacinto

 

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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "A TACOILA OU CAIXOTE"

 

 

 

A TACOILA OU CAIXOTE

 

Assistimos muitas das vezes, ao desaparecimento de alguns artefactos que muitas das vezes foram nossos companheiros de infância.

 

Muita da nossa juventude actual desconhece parte dessas peças, torna-se necessário levá-las ao seu conhecimento, pois fizeram parte do dia à dia da nossas gentes.

 

Hoje ainda muitos Outeiro Secanos, já no caminho da terceira juventude ainda se recordam deste pequeno artefacto, e de grande utilidade, para muitas das mulheres de Outeiro Seco.

 

 

Hoje vou falar desta pequena peça utilitária, e que desapareceu talvez por volta dos anos 80, quando sopravam na aldeia os ventos da modernidade.

 

Com a distribuição da água ao domicílio, as mudanças a nível da habitação, a utilização de materiais mais resistentes, este pequeno artefacto viu-lhe ser passada a sua sentença de morte, deixando ter utilidade.

 

(1)

 

A TACOILA ou (CAIXOTE) como lhe queiram chamar.

 

Quem não se recorda das lavadeiras da ribeira da Torre, que junto á ponte do Papeiro, e junto á ponte principal de um lado e de outro, ou no fundo da rua dos Pelames, todos os dias fizesse frio ou calor, lavavam a roupa, discutindo ou cantando alegres canções, ou pondo a conversa em dia.

 

Pois a TACOILA ou (CAIXOTE) era companhia da maior parte das lavadeiras, era ai que assentavam os joelhos, evitando de sair com eles magoados ou molhados, pois ai passavam várias horas a lavar a roupa, ficando assim durante aquele tempo com os joelhos resguardados.

 

 

 

Muitas das vezes o transporte da tacoila ou caixote até ao rio, era da responsabilidade do filho mais pequeno.

 

Mas não era só no rio que a tacoila ou caixote tinha a sua utilidade, também quando se fazia a barrela á casa.

 

Hoje a tacoila ou caixote, perdeu a sua utilidade passando a fazer parte do passado.

 

Espero que ainda exista alguma lá por Outeiro Seco, para que um dia possa ser mostrada à nossa juventude.

 

João Jacinto

 

Fonte:

(1) - Foto pertencente ao blogue: http://terrenho.blogspot.pt/2011/11/tacoila.html 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "Falando de Homens de Valor - Joaquim Estorga Salgado"

 

 

FALANDO DE HOMENS DE VALOR

 

JOAQUIM ESTORGA SALGADO

 

 

Em todas as aldeias existem personagens tratadas com deferência, sem muitas das vezes terem aparentemente nada que os destaque dos restantes habitantes, enquanto outros deveriam permanecer na memória colectiva, só restando deles o nome ou talvez uma simples fotografia, já agastada pelo tempo.

 

 

 

Quando procuramos saber quais os Outeiro Secanos que foram mobilizados para a 1ª. Guerra Mundial de 1914-1918, fomos confrontados que no espaço de duas décadas, nas gerações mais idosas, esses acontecimentos tinham praticamente caído no esquecimento.

 

Pelo que soubemos é que essas ocorrências deixaram traumatismos, e marcas que muitas das vezes não queriam ser relembradas e que foram passadas em terras bem distantes, e que após o seu regresso, e a dureza dos tempos que corriam, e uma vida intensa relegaram esses acontecimentos para segundo plano, ou passaram para o esquecimento.

  

Foi com grande surpresa quando procedíamos à nossa investigação sobre os combatentes de Outeiro Seco, sendo eles os seguintes; “ Manuel dos Santos, José Figueiras, Francisco Morgado, Filipe Ranheta (este natural de V. Verde Raia), Sargento José Francisco Gonçalves Sevivas, Abel Agrela, 1º. Cabo Joaquim Estorga Salgado, Albino de Carvalho, soldado nº 929, filho de João Carvalho e Maria Silvana, único Outeiro Secano falecido em terras de França, faleceu em 06/03/1918 de tuberculose pulmonar, pertencia à 1ª. Companhia do Regimento de Infantaria 19. Mas será apenas sobre o combatente, Joaquim Estorga Salgado que aqui vamos escrever.

 

O Joaquim nasceu em Outeiro Seco a 03/08/1893, filho de António Estorga Salgado e de Maria Júlia Alves ou (Portela) era o 2º. Filho do casal de um total de 8 irmãos.

 

(1)

 

O Joaquim percorreu as ruas da maravilhosa aldeia de Outeiro Seco, durante a sua mocidade, aqui conviveu com outros jovens, foi nesta aldeia que aprendeu as primeiras letras.

 

Já com os seus 19 anitos viu na madrugada do 08/07/1912, passar as tropas de Couceiro.

 

Quis o destino que logo no ano seguinte (1913), o Joaquim assentasse praça no Regimento de Infantaria 19. Faz a sua recruta no R.I. 19, sendo promovido no final da recruta a cabo, talvez esta promoção ou a falta de perspectivas levem Joaquim, a seguir a vida militar.

 

 

 

Já em pleno ano de 1914, as coisas pela Europa não estão famosas, paira no ar o som dos tambores de Guerra.

 

Chegado o mês de Janeiro de 1915, logo no inicio o Regimento de Infantaria 19, de Chaves, no seu 3º. Batalhão, é recebida a ordem de mobilização com destino a Africa, pois as colónias eram alvo de investida por parte dos Alemães.

A 17 de Janeiro de 1915, procede-se ao sorteio das praças das classes de 1912 e 1913, do 1º. e 2º. Batalhão de Infantaria 19, e que deveriam completar o efectivo a mobilizar.

 

(2) 

 

A 28 de Janeiro, seguiu para Lisboa o 1º. Contingente de soldados do R.I. 19, sendo fixada a partida dos restantes soldados o dia 31 de Janeiro de 1915.

 

Às 13 horas do dia 31/01/1915, após uma breve alocução, pelo Coronel Augusto César Ribeiro de Carvalho, comandante do Regimento, toda a força militar saiu a caminho de Vidago. Nesse mesmo dia parte o comboio com destino à Régua, onde seria feito o transbordo com destino ao Porto.

 

Às primeiras horas do dia 1 de Fevereiro, chegavam ao Porto, feito novo transbordo para o comboio que os levaria a Lisboa (Santa Apolónia), sendo logo feito o desembarque, seguem para o quartel da Cova da Moura, à espera da viagem marítima.

 

Às 12 horas do dia 3 de Fevereiro, todo o pessoal e material, já se encontra no paquete Portugal, da parte da tarde larga âncora com destino à Madeira, fazendo ai escala, para logo no dia seguinte seguir novamente viagem com destino a Angola.

 

 

(2)

 

Já ao amanhecer do dia 19 de Fevereiro, se avistava a baia de Luanda permanecendo ai algumas horas, para logo iniciar viagem com destino ao porto de Moçâmedes, onde chegou às 7 horas do dia 23 de Fevereiro. Nesse mesmo dia desembarca todo o Batalhão, dirigindo-se de imediato para o acampamento, no lugar das Hortas.

 

Em 20 de Março ai permanecem no acampamento, durante a sua permanência em Moçâmedes, onde prestam vários serviços, o Batalhão procedeu a várias escoltas de comboios, tendo essas operações sido confiadas aos 1º. Cabos, e que a seguir são mencionados, e os quais cumpriram essa missão com a maior lealdade e patriotismo:

1º. Cabo Manuel Monteiro, José Gomes, Ildefonso Valério Ferreira Pinto, José do Nascimento, Cassiano José Mendes; Cesar Augusto Mirandês, Guilherme Ribeiro, Manuel Joaquim, João Maria Teixeira, Domingos Alves Mestre, Eduardo Leitão dos Santos, Artur Elias Sousa, Henrique Pascoal, Algemino Duarte, José Lopes Diogo, Francisco Augusto de Sousa, e JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

A 2 de Julho o Batalhão deixa Moçâmedes. Já na noite de 3 de Julho chega a Quilemba, executando na manhã do dia 4 marcha ate Lubango, onde ficou alojado.

 

 

(2)

 

A 16 de Julho ai é instalado o quartel-general, serão os contingentes da 11ª. Companhia e 12ª. que vão fazer parte da conquista do Cuahama, sendo assim dado começo ao 2º. período das operações além Cunene.

 

No dia 24 de Julho às 7 horas a Companhia 11ª e 12ª partem para Humbe, onde chegaria a 9 de Agosto com 302 soldados e os seguintes oficiais, sargentos e 1º. Cabos.

12ª. Companhia, Capitão António Rodrigues da C. Azevedo, Alferes Frederico Tamagnini de S. Barbosa, João Almeida Serra, Henrique Perestrelo da Silva, 1º. Sargento Rafael Gama, 2º. Sargento Amílcar Afonso P. Camoezas, António Mendes Cardoso, Ermogénio de Almeida, Júlio António da Trindade, 1º. Cabos António dos Santos, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, Guilhermino Ribeiro, José do Nascimento, João Eduardo Coelho, José Joaquim Dias Pereira, Henrique Pascoal Artur Rodrigues, António Rodrigues e Firmino Morais.

 

A 20 de Agosto toda a 12ª. Companhia passa a fazer parte da coluna do Cuamato, marchando para o Vau de Chimbua. Incorporados no destacamento do Cuamato, tendo tomado parte no combate da #Chana da Mula# em 24 de Agosto. Vindo depois a ser incorporados no destacamento de Negiva. Sendo destacados no posto de Oxinde desde 4 de Setembro. Sendo as forças de Infantaria 19 incorporadas nesse destacamento.

 

Já quase a findar o ano de 1915, e no dia 13 de Dezembro, o 3º. Batalhão de Infantaria 19, marcha de Lubango a Vila Arriaga, para voltar a Moçâmedes, regressando ao continente em 11 de Março de 1916, chegando ao regimento de Infantaria de Chaves a 31 de Março 1916, tendo ficado em terras de Africa 33 bravos transmontanos.

 

O Outeiro Secano Joaquim regressa à sua terra natal, mas continua ao serviço do R. Infantaria 19, tinha à sua espera a família e a sua futura esposa.

 

Joaquim Estorga Salgado casa nesse mesmo ano em 07/12/1916, com Ana Chaves Barrocas, o jovem recém casado passa pouco tempo com a sua esposa, desconhecendo o que a sorte lhe reservava.

 

Às 24 horas do dia 21 de Maio de 1917, saia de Chaves com destino a Lisboa, o 1º. Batalhão de Infantaria 19, a fim de constituir em França o 2º. Depósito de Infantaria do Corpo Expedicionário Português.

 

Nele seguia o Outeiro Secano Joaquim Estorga Salgado do 1º. Batalhão, 2ª. Companhia e do 2º. Depósito de Infantaria sendo o 1º. Cabo nº 380 cabendo-lhe a placa de identificação nº. 9876, embarcou com destino a Brest (França) em 23/05/1917.

 

Chegado a terras de França, a 13/06/1917, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, é colocado no batalhão do Regimento de Infantaria 21, com vários outros bravos transmontanos. Embora dispersos pelos vários Batalhões, em terras de França, os bravos transmontanos do 19 de Infantaria, cantavam por vezes, até mesmo em plena 1ª. linha o Hino do Regimento de Infantaria 19, da autoria do Flaviense “Gastão de Sousa Dias”.

 

 

(2)

 

Em pleno mês de Março de 1918, todo o sector Português, era um autentico inferno de ferro e fogo, e que viria a ter por epilogo a batalha de “La-Lys”, os valorosos transmontanos de Infantaria 19, lembrando os velhos tempos. E os grandes dias de glória, laçam-se sobre as trincheiras inimigas no sub-sector de “Ferme de Bois”, num importante “raid” e inutilizam a 2ª. linha alemã. Pela maneira como se portaram em tão importante acção uns foram promovidos e outros condecorados. Entre eles o Outeiro Secano JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

Do épico “raid” de 9 de Março de 1918, cabe ainda mais glória à Infantaria 19. Nele tomaram parte com elogiosas referências, os sargentos desta unidade Albano Joaquim do Couto, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, os quais foram assim distinguidos”.

 

 

JOAQUIM ESTORGA SALGADO

Condecora com a Cruz de Guerra de 4ª. Classe Military Medal Inglesa e louvado, pela decisão e valentia de que deu provas no comando da fracção que lhe foi confiada no “raid”, efectuado com completo êxito pela sua companhia em 9 de Março de 1918-O.E. nº. 10 (2ª. Série) de 1920”.

Lembramos ainda que o Joaquim Estorga Salgado, em 22 de Dezembro de 1917, era promovido ao posto de Sargento.

 

Em 16/03/1919, apresenta-se no Comando Militar em França, a fim de seguir para Portugal, tendo desembarcado em Lisboa no dia 3 de Abril de 1919.

 

 

 

Feita a sua apresentação no R. Infantaria 19 em Chaves. Regressa à sua terra natal, para recuperar de algumas mazelas da guerra.

 

Feita essa recuperação deixa também o serviço militar, sendo a sua permanência na aldeia, muito curta. Parte à procura de uma vida melhor, conjuntamente com a sua esposa e filha mais velha, vai viver e trabalhar para Anadia. No posto Agrícola de Anadia, ai permanece alguns anos.

 

Talvez pelo ano de 1924, regressa à terra natal, passando a trabalhar na Escola Agrícola Móvel Alves Teixeira em Vidago. Vindo a falecer em 26/03/1949. Tendo deixado quatro filhos: Maria, Eugénio, Augusto, e António, também já todos falecidos.

 

(3)

 

Orgulhe-se Outeiro Seco, e não esqueça, este “seu filho” que terá sido um herói que andou por terras de África, passando mais dois anos de combates contínuos na 1ª. Guerra Mundial, e de grande sofrimento, soube ultrapassar as dificuldades, actuando nos momentos de perigo de forma destemida e heróica, como lhe foi reconhecido nos louvores que recebeu.

  

   João Jacinto

  

(1) - Fotografia gentilmente cedida pela Ana Maria Salgado

(2) - Livros da colecção particular do Sr. João Jacinto

(3) - Fonte: http://chavesantiga.blogs.sapo.pt/173447.html

 

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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "As origens da família Estorga Salgado"

 

 

AS ORIGENS DA FAMÍLIA ESTORGA SALGADO

 

Hoje dedicamos este texto à família Estorga Salgado, não foi fácil levar a cabo esta tarefa, só com muito trabalho, paciência e muita dedicação, foi possível completar toda esta tarefa.

 

Vai para dois anos que iniciamos essa investigação, tivemos muitas dificuldades, mas graças às ajudas de algumas pessoas e amigos, conseguimos transpor muitos dos obstáculos que encontramos pelo caminho. Completamos a informação necessária, mas não completa.

 

A 13 de Setembro de 1859, nascia na freguesia de Santo Estevam de Faiões, uma criança do sexo masculino, a quem seria dado o nome de António, filho legítimo de Manuel Estorga, e de Ritta Mello, neto paterno de Pedro Estorga e Maria Salgado, e neto materno de Manuel André e Luísa Mello.

 

Vista superior da aldeia de Faiões

 

Em 23 de Dezembro de 1860, nascia na aldeia de Outeiro seco uma criança do sexo feminino, a quem seria dado o nome de Maria Júlia, filha legitima de António Júlio Portella (Alves), e de Maria José Silva, natural de Bustello e Residentes no Bairro do Eiró, em Outeiro Seco, sendo a segunda filha do casal, era neta paterna de Luís António Portella e Maria Barroso (?), e neta materna de Luís António Silva e Teresa de Jesus.

 

António Estorga Salgado, com a idade de 18 anos casa com Maria Júlia Portella (Alves), esta com a idade de 17 anos, casam em 13 de Setembro de 1877, na Igreja Paroquial de S. Miguel de Outeiro Seco.

 

Será em Outeiro Seco que organizam a sua vida, aqui nascem 8 filhos.

 

1 - Secundino Astorga Salgado, nasce em 9 de Outubro de 1881, pelas 4 horas da tarde, a 1 de Maio de 1895, com a idade de 13 anos emigra para o Brasil, nunca mais veio a Portugal, mas descobrimos que o Secundino no ano de 1930, possuía um restaurante na Rua de Santa Tereza nº. 20 em São Paulo, com o nome de "A Pereira da Minha" (?). Neste mesmo ano é decretada falência por um Tribunal de São Paulo, nada mais conseguimos saber sobre esta pessoa.

 

2 - Joaquim Astorga Salgado, nasceu a 3 de Agosto de 1893, falaremos deste filho mais tarde, apenas faremos aqui referência aos seus filhos, Maria Salgado (falecida), Eugénio Salgado (falecido), Augusto Salgado (falecido), e António Salgado (falecido).

 

3 - Filomena Salgado, nasce em 21 de Março de 1895, até á idade de 19 anos vive em O. Seco, em 3 de Julho de 1914, com 19 anos emigrou para o Brasil, nada mais soubemos sobre ela.

 

4 - Rita de Jesus Salgado, nasce em 21 de Março de 1897, casou em O. Seco a 3 de Abril de 1917, com António Gonçalves Chaves, viveram sempre em O. Seco, tiveram 4 filhos; Ilda Chaves (falecida, Octávio Chaves (falecido), Silvano Chaves (falecido), Joaquim Chaves (falecido).

 

(1)

 

5 - Anna Salgado nasce em 9 de Março de 1899, nada conseguimos saber sobre esta filha.

 

6 - Cândida Júlia Salgado, nasce em 17 de Março de 1901 ás 11 horas da manha, Casou com Jaime Rodrigues de Santo Estevão, para onde foi viver faleceu em 23/06/1969, sabemos que deixou 2 filhas.

 

7 - Beatriz Salgado, nasce em 26 de Abril de 1903, ás 8 horas da manha, também não conseguimos saber mais nada sobre ela.

 

8 - Silvana da Graça Salgado, nasce em 2 de Julho de 1905, casou em 13 de Março de 1924, com Manuel Mello de Vila Verde da Raia e era Guarda Fiscal, viveu em O. Seco Tiveram os seguintes filhos; Minda Mello (ainda viva), Jaime Melo (falecido), Didi Melo ainda viva por terras de França, Tina Melo (ainda viva), Humberto Mello ainda vivo e a residir em Outeiro Seco.

 

Feita a apresentação de toda esta ilustre família, vamos agora falar um pouco do seu Patriarca, António Estorga Salgado.

 

Como já dissemos era natural de Faiões, casou com 18 anos na aldeia de Outeiro Seco. Aqui se estabelece, e vive alguns anos, até no dia 3 de Maio de 1882, com a idade de 22 anos decide emigrar para o Brasil, à procura de uma vida melhor, tendo-lhe sido concedido o passaporte, pelo prazo de 90 dias, não sabemos o tempo que esteve por lá.

 

Mas pensamos que esteve lá poucos anos. Descobrimos alguns dados sobre o António, tinha 1,65 m de altura, sobrancelhas cabelos e olhos castanhos, tendo o nariz e a boca regular, a cor da pele natural, tinha uma mancha na mão esquerda, e uma cicatriz no rosto.

 

Já em inícios de 1887 se encontra em Outeiro Seco, onde possui uma taberna, estando localizada essa taberna, na casa que hoje é da Sra. Bia, aparece-nos várias vezes referenciado com a profissão de carpinteiro, e também de negociante, em 1888 ainda possui a taberna.

 

Casa da Sra. Bia

 

Em 8 de Setembro de 1895, no final da festa da Sra. da Azinheira, juntamente com mais pessoal de Outeiro Seco, envolvem-se na maior desordem de que há memória na aldeia, sendo necessário para restabelecer a ordem uma força de 14 soldados de Cavalaria 6 e o Administrador do Concelho, Barros de Moura.

 

A ordem é restabelecida e os desordeiros são presos, sendo julgados em Março de 1896. Damos aqui conta da notícia publicada num jornal local da época:

 

Voz de Chaves de 22/03/1896

Foi recebida com geral agrado a que no Tribunal Judicial desta Comarca, foi proferida contra todos os selvagens auctores da desordem de Outeiro Secco, por ocasião da romaria de N. S. da Azinheira, no verão passado. Folgamos em registar este acto de imparcialidade das justiças flavienses, tanto mais segundo consta, tinham-se movido altas influencias para evitar a punição dos criminosos".

 

Em 24/03/1896 encontramos o seu registo de preso na cadeia civil de Chaves, sendo- lhe dado o preso nº.15.

 

Também durante o ano económico de 1897/1898, se encontra registado no Livro de Pagamento de Congruas, da Aldeia de Outeiro Seco pagando a quantia de 240,00 mil reis.

 

Já em Janeiro do ano de 1900, é nomeado Regedor da Aldeia.

 

Em 10 de Março de 1902 é nomeado perito avaliador dos terrenos ocupados pela estrada que liga Outeiro Seco a Vilarelho.

 

A 2 de Novembro de 1904, é novamente nomeado Regedor sendo exonerado do cargo em 16 de Agosto de 1906.

 

Sabemos que foi um grande republicano, defendendo a Republica em 8/07/1912, em Outeiro Seco aquando da invasão dos Paivas.

 

Era um homem rijo e duro de roer, não ia nas conversas dos Padres, dizendo estes que ele era maçónico.

 

Também soubemos que em 1915 ou 1916 vai ao Brasil, mas não temos certeza. Não descobrimos a data do seu falecimento, mas pensamos que tenha falecido muito novo, e talvez em finais do verão de 1916, pois quando o seu filho Joaquim foi para a grande Guerra, ele já tinha falecido, e o filho foi para a guerra em 23 de Maio de 1917. Segundo aquilo que apuramos que ele teria falecido de um disparo acidental com uma espingarda.

 

Segundo a informação que temos, ele possuía uma vinha no lugar do Penedo, e na altura das uvas as pessoas iam fazer a sua guarda, pelos vistos ele tinha nessa propriedade uma barraca como a dos pastores, onde pernoitava, sucede que um dia quando se ia deitar, puxou as mantas para se agasalhar, tendo uma das mantas ficado presa na espingarda, e tendo assim disparado o tiro que o atingiu no abdómen, causando-lhe a morte imediata. Só foi encontrado no dia seguinte já morto.

 

Nada mais temos a acrescentar. Apenas esclarecer o seguinte, e que não é erro, muitos dos registos aparecem, escritos ESTORGA, com um E, e outros aparecem com um A.

 

João Jacinto

 (1) Foto gentilmente cedida por uma neta de uma linda Avó que esta na foto

 

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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "Património desaparecido"

 

 

 

PATRIMÓNIO DESAPARECIDO

 

Hoje vamos falar de lagares de azeite que noutros tempos existiram em Outeiro Seco.

 

Em meados de Novembro, início de Dezembro, dava-se começo à apanha da azeitona. Grandes ranchos de homens e mulheres, labutavam todos os dias na apanha azeitona, quer estivesse frio ou chuva.

 

 

A quantidade de oliveiras nesse tempo na aldeia era enorme, muitas delas eram pertença das grandes famílias da época. Isto levou a que a aldeia tivesse de ser dotada de dois lagares, face a grande quantidade de azeitona.

 

Os testemunhos que resistiram à erosão do tempo, vêm provar de forma inequívoca a exploração olivícola e do fabrico do azeite na aldeia de Outeiro Seco antigamente.

 

 

Hoje, é diferente a situação. Contam-se pelos dedos as oliveiras. Também dos lagares já pouco ou nada resta, de um já só existe o sítio. Mas não queremos que passem definitivamente para o esquecimento, e por isso aqui hoje vamos falar deles.

 

Um deles existia junto da casa do Bouças, na eira dos Pipas, e foi pertença do avô do Engº. João Manuel Montalvão, aquando da sua desactivação as pedras do lagar foram compradas pelo Miguel Sanches, para construção de um lagar para fabrico de vinho, vindo a ser instalado nas traseiras do café do Flávio Félix, existindo ainda por lá vários vestígios desse lagar (pedras).

 

 

Relativamente ao outro, era pertença do José do Rio (velho), era no Eiró, junto da sua casa de habitação, num palheirão que ainda lá existe, e ai existem lá vários vestígios, como as mós, este laborou até muito tarde.

 

Foi responsável pelo lagar um individuo de nome Gabino, era também de fuso e peso, e era puxado por uma junta de bois.

 

 

Todos aqueles produtores de azeite da aldeia, e que produziam uma determinada quantidade de azeite, tinham por obrigação todos os anos de dar uma determinada quantidade de azeite para a igreja, para alumiar o Santíssimo durante todo o ano.

 

 

João Jacinto

 

 

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Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Louceiro ou Lançador"

 

 

LOUCEIRO OU LANÇADOR

 

Hoje não vamos falar de tradições de Natal, embora Outeiro Sêco tenha algumas relacionadas com esta quadra festiva, e que um dia prometo aqui trazer.

 

Vamos sim, falar de um móvel tradicional de Outeiro Sêco, e que noutros tempos ornamentava as cozinhas antigas da aldeia, quer ela fosse de pobre, remediado ou rico.

 

 

Hoje já serão poucos, ou nenhuns que ainda conseguem resistir à evolução dos tempos.

 

A partir mais ou menos da década de 70, dá-se uma revolução na cozinha tradicional de Outeiro Sêco, era a modernidade. Começam a aparecer pela aldeia as primeiras chaminés de cimento, os conhecidos chupões para extrair o fumo da lareira, e que vem substituir a pequena abertura no telhado.

 

O chão de madeira é substituído pelo cimento, o alguidar de lavar a loiça é substituído pela banca de cimento ou de inox.

 

(1)

 

Este móvel conhecido na aldeia por louceiro ou (lançador), que até aqui tinha feito parte do recheio da cozinha, vê os seus dias contados. Era um móvel sem qualquer mestria, feito por carpinteiros da aldeia, embora houvesse daqueles de se lhe tirar o chapéu.

 

Podemos afirmar que em Outeiro Sêco existiam 4 modelos de louceiros, pois estes modelos tinham a ver com a condição social das famílias, e assim se possuía o tipo de louceiro.

 

A cozinha era naqueles tempos o aposento onde se passava a maior parte do tempo, e quase sempre de grandes dimensões, famílias numerosas, grandes trabalhos agrícolas, matança e também toda a família pelo Natal. A lareira sempre rodeada de grandes escanos, o trasfogueiro de granito onde assentavam grandes toros, não faltando os potes de ferro, além das tenazes e do abano.

 

Mas fosse a cozinha pobre ou rica, ou remediada o louceiro (lançador), lá estava presente.

 

(2)

  

Mas este móvel sempre em datas festivas era enfeitado, com lindos papeis recortados de jornais antigos, feitos pelas mãos de uma fada, a dona da casa. Se a dona tinha mais posses comprava-os na mercearia, e tinham a particularidade de serem colados com uma papa de farinha. Ali se liam e reliam as notícias do jornal, até o fumo dar cabo delas.

 

 

Sendo ainda enfeitados por lindas tigelas (malgas), e pratos além das travessas, ai se pendurava a colher de lançar o caldo, a candeia, a amotolia do azeite. Outros louceiros havia, que no fundo se escondiam os potes e os cântaros da água.

 

Hoje já serão poucos, ou nenhuns os que existem lá para os lados de Outeiro Seco.

 

Resta-nos a esperança de que alguém se lembre de guardar uma destas relíquias.

 

Bom Natal.

 

João Jacinto

 

 

# Lançador termo usado em Outeiro Sêco nessa época.

# Colher de lançar o caldo.

 

Fotos pertencentes às seguintes ligações:

(1) -  http://umaovelhanoquintal.blogspot.pt/2011/06/casa-do-lavrador-vilar-de-perdizes.html

(2) -  http://www.flickr.com/photos/jp_nascimento/4414131776/

 

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Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Cruzes nas ombreiras das portas"

 

 

 

CRUZES NAS OMBREIRAS DAS PORTAS

 

O que mais contribui para que continue a escrever sobre o passado, ou tradições da aldeia que me viu nascer (Outeiro Seco), reside no facto de querer recuperar, tradições, factos sociais e históricos, quando os presumo perdidos na memória colectiva dos Outeiro Secanos. Não escrevo para obter o maior número de comentaristas, mas sim para dar a conhecer, aos mais jovens o passado e tradições de um povo (Outeiro Seco).

 

A apresentação de qualquer imagem será sempre acompanhada de uma informação ou esclarecimento, foi sempre um dos princípios que me norteou.

 

Com a devida vénia passo ao tema, que hoje me propus aqui desenvolver.

 

Talvez já muitos Outeiro Secanos, se tenham interrogado sobre a existência de umas cruzes, em algumas habitações antigas da aldeia.

 

Muitas vezes na minha infância me interroguei sobre as ditas cruzes. Qual o seu significado? Mas nunca obtive qualquer resposta dos mais idosos.

 

 

Eram várias casas com esses sinais na aldeia. Uma que ainda preserva esse sinal, é casa que pertencia ao José Chaves (Zé Rico). Na porta que dá acesso á cozinha, possui na ombreira da porta um símbolo que representa uma cruz.

 

Havia outra no Bairro do Papeiro. Muitas delas desapareceram devido à recuperação por parte dos seus donos, mas poderão existir mais na aldeia. Será sobre esta que ainda existe que aqui vou falar.

 

Segundo as informações que recebemos as cruzes gravadas nas ombreiras das portas ou janelas, foram ao que parece, casas onde viveram Judeus, e elas foram gravadas quando se converteram à religião católica.

 

Pelos vistos, e segundo o que dizem não tinham muita escolha, senão a conversão. E como acontecia nestes casos a conversão só era aparente, e então para não serem incomodados, e mostrarem que se tinham convertido, gravavam estas cruzes, isto acontecia por volta de 1557.

 

Por vezes olhares mais atentos podem ainda permitir identificar no casario mais antigo da aldeia, muitas destas marcas ou inscrições.

 

Foto anterior invertida, oferencendo um melhor destaque

 

Não dispomos de dados concretos que nos permitam fazer uma associação directa, entre a existência dessas marcas (cruzes), e a presença de comunidades Judaicas na aldeia, mas estas características são geralmente verificadas nas antigas judiarias: mas para quem estiver interessado poderá percorrer os processos na Torre do Tombo, talvez encontre surpresas sobre Outeiro Seco. Como esta:

 

“Tribunal de Santo Oficio 1536

Inquisição de Lisboa

Processo de Pedro Leão

19/05/1554 - 27/03/1555

Tribunal de Santo Oficio, Inquisição de Lisboa Proc. 1220

Cristão-novo anos 50/Crime de Judaísmo - Actividade Vivia da sua fazenda e negociante de sedas.

Natural de Outeiro Seco termo de Chaves, Morada Vinhais diocese de Miranda. Pai Gabriel de Leão, Cristão-Novo

Mãe Genevora de Leão, cristã-nova

Casado com Inês Vaz, cristã- nova, Data da Prisão 1554

Sentença Abjuração de leve, carcere a arbítrio pagamento de custas

O réu veio de Vinhais e fora casado duas vezes sendo a primeira mulher Giomar Serrã e a segunda Violante Gomes, ambas cristãs-novas.”

 

E por hoje é tudo.

 

João Jacinto

 

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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Outeiro Seco e o Estado Novo"

 

 

 

OUTEIRO SECO E O ESTADO NOVO

 

Com a subida ao poder, de António Oliveira Salazar, havia que mudar toda a estrutura do Estado, tanto a nível Nacional, como Regional e local.

 

O Distrito de Vila Real, tinha vindo a ser governado, pelo Doutor Timóteo Montalvão Machado, foi demitido pela ditadura, sendo colocado à frente do Governo do Distrito, o Tenente Horácio Assis Gonçalves, um dos do Golpe de 28 de Maio, cujo objectivo era implantar em todo o Distrito, as regras do Estado Novo.

 

(1)

 

Para isso é criada no Distrito a União Nacional, assim como a Legião Portuguesa, pois havia grande receio dos Democratas de Chaves, temendo um levantamento contra o Estado Novo. A Presidência da União Nacional, seria comandada no Distrito por um Flaviense, Doutor António Luís de Morais Sarmento, à frente da Legião Portuguesa no Concelho o Tenente Luís Borges Júnior, também veio a ocupar o cargo de Administrador do Concelho.

 

(2)

 

Outeiro Seco não ficava imune a todas estas mudanças, também formava a sua Comissão da União Nacional no ano de 1933:

Daniel Gonçalves Sevivas

João Pinto Meireles

Manuel da Costa

Joaquim Félix

Francisco Júlio Alves

Vindo mais tarde também a fazer parte dessa Comissão, Francisco Afonso.

 

Muitos eram aqueles Outeiro Secanos, que procediam ao seu alistamento na Legião Portuguesa, uns por obrigação, outros por convicção.

 

(2)

 

Em 1936 surge o alistamento do Legionário nº 435 - Firmino Pereira do Rio.

 

Já em pleno Mês de Outubro do Ano de 1937, é nomeada a Junta de Freguesia de Outeiro Seco, dela faziam parte, os seguintes nomes;

Francisco Júlio Alves

Eurico Rodrigues Afonso

Francisco Afonso

José Augusto

António Alonso

António Pantaleão

 

(2)

 

Mas os alistamento de Outeiro Secanos na Legião seguia a ritmo certo.

Ano 1937:

Legionário nº. 118 - Daniel Gonçalves Sevivas- Proprietário.

Legionário nº. - João Maria Ferreira Alves Montalvão.

Legionário nº. 1012 - Albano Dias Ferreira - Estudante.

Legionário nº 1013 - António Madeira - Jornaleiro

 

(2)

 

Já em pleno ano de 1938, em 4 de Maio, outro Outeiro Secano, assume as funções de Delegado do Comando Distrital da Legião Portuguesa o Capitão José Francisco Gonçalves Sevivas, Oficial do Batalhão de Caçadores 3 do Concelho de Chaves.

Mas ainda neste mesmo ano se alista na Legião Portuguesa, o Legionário Nº. 182 - Miguel Novais.

 

Face a todas estas mudanças, tanto a nível Nacional ou local, Outeiro Seco, seguia o seu percurso,

"LÁ IA CANTANDO E RINDO

LEVADO; LEVADO SEMPRE

PELAS TUBAS DO CLAMOR SEM FIM".

 

João Jacinto

 

(1) Bandeira da Legião Portuguesa. Fonte: Wikimédia

(2) Recrutas do Batalhão de Caçadores 3. Ano de 1942. Propriedade dos negativos e detenção dos direitos de autor: Humberto Ferreira

 

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Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Mais uma página de história"

 

 

 

MAIS UMA PÁGINA DE HISTÓRIA

 

Há uns anos lancei no FÓRUM de Outeiro Seco, um desafio a todos os Outeiro Secanos que nessa data frequentavam o dito Fórum e, que era o seguinte:

- "Qual o Presidente da República que visitou Outeiro Seco?".

 

(1)

 

Há dias passava revista aos meus arquivos e deparei-me com um recorte de um Jornal. Jornal editado em Chaves, nessa época conhecido pelo título de "ERA NOVA" datado do ano de 1937, e nada melhor para desfazer essas dúvidas de qualquer Outeiro Secano.

 

(1)

 

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA AZINHEIRA

Há muito tempo que todos aqueles a quem interessa o património artístico da nossa terra, andavam preocupados por causa da velha e linda igreja da Senhora da Azinheira em Outeiro Seco. O lindo e secular templo que é o mais perfeito exemplar do estilo românico existente no nosso concelho, ia-se desmoronando pouco a pouco. Durante a agreste invernia do ano passado a igreja sofreu enormes prejuízos e, se não lhe acudissem a tempo, pouco faltava para que dela não restasse mais que um montão de ruinas. O prezado amigo Dr. Francisco de Barros chamou à atenção do Senhor Administrador para este caso; o Senhor Tenente Borges pediu para que o templo fosse considerado Monumento Nacional, e como tal reparado convenientemente. Outras pessoas se interessaram também e Sua Excelência o Senhor Presidente da República que visitou Outeiro Seco, no último Verão, verificou o estado lamentável em que se encontrava a linda igreja. Como tudo quanto diga respeito a Chaves merece especial carinho do nosso Venerado Chefe de Estado Sua Excelência, promoveu que o templo fosse considerado Monumento Nacional e que nele se fizessem rápidas reparações. Já lá andam a trabalhar os artistas à ordem dos técnicos competentes, e já todos podemos ter a certeza que a linda igreja Românica de Nossa Senhora da Azinheira, verá ainda passar mais alguns séculos. A tudo quanto Chaves já deve ao Exmº. General Carmona, há a acrescentar mais este grande favor, que nós aqui profundamente agradecemos.

 

 (2)

 

Mais ainda é nesse ano no verão de 1936, que Outeiro Seco ouve tocar pela primeira vez "A PORTUGUESA", ou seja o Hino Nacional, pelo GAITEIRO DE OUTEIRO SECO, em frente ao Solar dos Montalvões.

 

João Jacinto

Notas:

(1) - Fotos da ex-DGEMN

(2) - Foto adquirida. Arquivo particular. General Carmona em Braga em 1936, julgo que por ocasião do 10º aniversário do 28 de Maio de 1926

 

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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Um prato de milhos"

 

 

 

UM PRATO DE MILHOS

 

Falar de milhos nos momentos actuais, será o mesmo que falar de um prato tradicional transmontano, desconhecendo-se por vezes a sua história, ou o seu passado não muito distante.

 

São muitas as pessoas que por estas alturas procuram restaurantes que sirvam um bom prato de milhos, pois actualmente são compostos de outras iguarias.

 

 

Recuando no tempo, Outeiro Seco não escapava ao consumo de milhos por parte da sua população. Eram tempos difíceis, e ao falar num prato de milhos, logo respondiam alguns populares: “Prato de Miséria”. Era assim que naqueles tempos eram denominados os milhos.

 

Eram tempos de guerra, tempos em que a maior parte das culturas se perdiam, cultivando-se algum milho por este ser resistente a vários factores adversos. Hora sucede que por esta altura na aldeia já se começavam a comer os tão falados milhos, as famílias eram numerosas, muitas bocas para alimentar.

 

Como por esta altura havia em abundância a couve de penca, juntava-se no pote dos milhos os talos (trochos) da couve. Era uma das formas de confeccionar os tão afamados milhos.

 

 

Outras famílias com menos possibilidades, confeccionavam só os milhos deixando-os mais soltos, como se dizia na aldeia mais "augados", comiam-se ao almoço e jantar (ceia). Quando os milhos eram mais soltos eram comum em casa dizer-se: "Vamos caiar a parede". Pela altura da matança, os milhos melhoravam um bocado, pois com a matança do porco, já se lhe juntava carne.

 

Nesses tempos de carestia, houve uma família em Outeiro Seco, que consumiu 14 alqueires de milhos, era uma família numerosa, acabando o chefe de família por ser conhecido na aldeia pela alcunha de o “Catorze”.

 

Com a guerra civil de Espanha, o seu consumo aumentou na aldeia, e nessa época era necessário manifestar toda a produção, passando a haver falta de milhos. Era necessário ir ao Grémio de Chaves fazer a compra. Sucede que esses milhos sabiam ao bolor. Se as pessoas já não gostavam dos milhos, com este sabor passaram a gostar menos, mas não havia alternativa, ou se comiam ou a barriguinha andava vazia.

 

 

Terminada a guerra civil de Espanha, reina neste pais também a miséria, o que leva muitos galegos da vizinha aldeia de Feces de Abajo a vir vender peixe pelas aldeias portuguesas. Alguns destes galegos vinham por Outeiro Seco. Ora o peixe que vendiam era o charelo, conhecido entre nós por chicharro, era abundante na época e barato, servindo para acompanhar os milhos.

 

Há nesta altura uma pequena conversa entre o vendedor de peixe (galego) e uma mulher de Outeiro Seco, "Xabana quita-me um quilo de peixe! Se no lo quires tu que-lo outro".

 

Muitas das pessoas da aldeia nem querem ouvir falar de milhos, lembram-se dos tempos de miséria. Hoje os milhos que se comem nos restaurantes, são milhos doces e os daqueles tempos eram milhos com sabor amargo.

 

João Jacinto

 

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Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Recenseamento Eleitoral Referente ao Ano 1923"

 

 

 

RECENSEAMENTO ELEITORAL REFERENTE AO ANO 1923

           
             
Nome Idade Casado Cargo Residencia Sabe Ler Elegível
             
1- Adriano Chaves 33 Sim Propriet. Out. Seco Sim Sim
2- Alfredo Bernardo 40 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
3- Alfredo Joaquim Ferreira 46 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
4- Anibal de Jesus 29 Solteiro Jornaleiro Out. Seco Sim  
5- Antonio Bernardo 50 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
6- Antonio Ferreira Pantaleão 28 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
7- Antonio Ramos Agrela 38 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
8- Antonio Ribeiro 37 Sim Cantoneiro Out. Seco Sim  
9- Antonio dos Santos Costa 36 Solteiro Propriet. Out. Seco Sim  
10- Augusto Ressurreição 27 Sim Propriet. Out. Seco Sim Sim
11- Candido da Cruz Cortiço 37 Sim Propriet. Out. Seco Sim Sim
12- Clemente da Cruz 64 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
13- Manuel Gonçalves Sevivas 30 Solteiro Lavrador Sta. Cruz Sim  
14- Daniel Gonçalves Sevivas 70 Sim Lavrador Sta. Cruz Sim  
15- Domingos da Cruz 32 Solteiro Propriet. Out. Seco Sim  
16- Feliz de Carvalho 37 Sim Lavrador Sta. Cruz Sim  
17- Felizardo Pereira do Rio 43 Solteiro Propriet. Out. Seco Sim  
18- Francisco Jose 46 Sim Jornaleiro Out. Seco Sim  
19- Francisco Julio Alves 30 ? ? ? Sim Ausente
20- Francisco Marcelino Antas 33 Sim Lavrador Sta. Cruz Sim  
21- Francisco dos Santos 62 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
22- João da Cruz 32 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
23- João Feliz 41 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
24- João Gonçalves Sevivas 58 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
25- João Gonçalves Sevivas   Gomes 37 Sim 1º Cabo GF Out. Seco Sim Ausente
26- João Quintas 42 Sim Jornaleiro Out. Seco Sim  
27- João Ramos Agrela 35 Sim Jornaleiro Out. Seco Sim  
28- João Santos Costa 31 Sim Jornaleiro Out. Seco Sim  
29- Joaquim Feliz 34 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
30- Joaquim Santos 32 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
31- Jose Augusto de Moura 37 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
32- Jose Benedito 41 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
33- Jose da Cruz Cortiço 71 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
34- Dr. Jose Ferreira   Montalvão 45 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
35- Jose Pereira do Rio 47 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
36- Julio Gonçalves Sevivas 71 Sim Propriet. Sta. Cruz Sim Ausente
37- Justino Alberto Jorge 55 Sim Propriet. Sta. Cruz Sim  
38- Luciano Jose Chaves 51 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
39- Manuel Jose Gomes 82 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
40- Manuel Martinho 37 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
41- Manuel Pereira do Rio 36 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
42- Manuel dos Reis 47 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
43- Manuel Sousa Casimiro 50 Sim Propriet. Out. Seco Sim  
44- Miguel da Cruz Cortiço 44 Solteiro Lavrador Out. Seco Sim  
45- Miguel Julio Alves 78 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
47- Raul Alves Julio 47 Sim Lavrador Out. Seco Sim  
48- Zeferino Fernandes 38 Sim Lavrador Out. Seco Sim  

 

 

Desta lista de eleitores de Outeiro Seco apenas faziam parte, aqueles que sabiam ler e escrever era uma das condições para fazer o recenseamento nesta época.

 

Muitas destas pessoas ainda são lembrança de muita gente da aldeia.

 

Uma outra curiosidade é a de que embora se esteja em plena República, a mulher, ainda não gozava desse direito.

 

Também os habitantes da aldeia eram em média 300 a 400 habitantes, pois a grande maioria era analfabeta.

 

 João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Juntas de Paróquia # Juntas de Freguesia"

 

 

 

JUNTAS DE PARÓQUIA # JUNTAS DE FREGUESIA

 

Com este trabalho que aqui pretendemos apresentar, leva-nos em primeiro de tudo, a ter de elaborar um pequeno esboço histórico da evolução das freguesias, para assim compreendermos melhor a evolução histórica e administrativa de Outeiro Seco. Ou melhor ainda talvez o seu início como freguesia.

 

Também temos o cuidado de exemplificar através de uma Acta, como eram eleitos os elementos de uma Junta de Paróquia, no tempo da Monarquia e como era o seu funcionamento, até à implantação da República. Apresentaremos aqui a primeira Comissão Administrativa Republicana que teve Outeiro Seco, assim como um recenseamento de eleitores.

 

Só através do esboço histórico que aqui vamos traçar será possível compreender melhor a evolução da freguesia de Outeiro Seco.

 

As paróquias têm a sua origem na divisão eclesiástica, muitas destas paróquias formavam-se a partir do momento, em que num determinado local existia uma população estável, e em que era edificada uma igreja, e nela era feita a apresentação de um pároco.

 

 

Definir correctamente quando uma freguesia foi criada, é uma tarefa muito difícil, mas tudo leva a crer que a freguesia de Outeiro Seco, deve a sua origem à construção da Igreja Românica, sendo denominada logo após a sua construção de Paróquia de Santa Maria da Azinheira de Outeiro Seco, e que foi evoluindo ao longo dos tempos.

 

Em 1830 com a publicação do Decreto de 26 de Novembro, são instituídas as Juntas de Paróquia, pelo Governo provisório, sendo compostas por 3 ou 5 ou 7 elementos em função do número de fogos, eram eleitos pelos chefes de família ou cabeça de casal e tinham um mandato de 2 anos.

 

Com a reforma de Mouzinho da Silveira, são extintas as Juntas de Paróquia.

 

Já no ano de 1835 com a Lei de 25 de Abril são restabelecidas as Juntas de Paróquia, estas passavam a ter limites próprios e tinham um determinado território debaixo da sua influência.

 

Em 1836, o Código Administrativo mantem a situação assim como a Lei de 26 de Outubro de 1840, só que esta traz uma novidade o Pároco voltava a ser o Presidente da Paróquia.

 

Já em pleno ano de 1842 o Código Administrativo continua a manter o Pároco como presidente. Mas aqui a Junta de Paróquia passa a ter atribuições limitadas à administração da fábrica da igreja e dos seus bens.

 

Em 1870 o Código Administrativo extingue as Juntas de Paróquia, mas só tem a duração de 5 meses. Nesse mesmo ano é aprovado novo Código que volta a repor as Juntas de Paróquia.

 

No ano de 1878 o novo Código traz alterações além da nova organização, e das novas atribuições determina que deve haver uma livre escolha do presidente da Junta de Paróquia.

 

Mas logo no ano de 1895 o novo código repõe o Pároco como presidente. Com a implantação da República, aparece a separação do Estado da Igreja, e é colocado em vigor o Código Administrativo do ano de 1878, e que retira o Pároco da presidência.

 

A Lei nº. 28 de 7 da Agosto de 1913, passando a ser designadas por Paróquias Civis.

 

E por último a Lei nº. 621 de 23 de Junho de 1916 passa a designá-las por Juntas de Freguesia, mantendo ainda esta designação.

 

 

Depois deste breve esclarecimento, vamos a Outeiro Seco ao ano de 1885, ano de eleição da Junta de Paróquia.

 

ACTA

Aos vinte dias do mês de Novembro de mil oitocentos e oitenta e cinco pelas nove horas da manhã nesta egreja parochial de São Miguel de Outeiro Secco, segundo para se proceder á eleição de vogais da Junta de Parochia da dita freguesia para o cadrénio ede mil oitocentos oitenta e cinco a mil oitocentos e noventa e nesta compareceram os cidadãos Albano Coelho Figueiredo Antas nomeado pela mesma e eleitor do recenseamento feito deste Concelho para proceder à referida eleição e a presidir neste acto o competente titular logo na referida do artº. 278 do Código Administrativo propor aos eleitores presentes para escurtinador o cidadão Francisco Gonçalves Sevivas e Domingos Luis Madeira para secretarios os cidadaõs Manuel Rodrigues Sampaio e António Gonçalves Sevivas, convocando os eleitores que aprovassem esta proposta para passarem para o lado direito e os que a rejeitassem para o lado esquerdo tendo sido aprovado esta proposta pelas tres quartas partes da mesma. Depois de afixado na porta da igreja a votação dos membros que compareceram a mesma de seguida pelo presidente e dos secretarios se lavrou esta acta que por todos desta assembleia vai ser assinada devidamente

Antonio Gonçalves Sevivas secretario da meza

o sub escrivão asignei. Albano Coelho Figueiredo Antas

 

ACTA DA ELEIÇÃO DA JUNTA DE PAROCHIA

Aos vinte e dois do mez de Dezembro de mil oitocentos e oitenta e cinco nesta parochial igreja de São Miguel de Outeiro Seco declarando-se presente o cidadão Albano Coelho Figueiredo Antas, nomeado pela Comissão recensseadora deste concelho para presidente da assembleia eleitoral que tem de proceder à eleição de tres vogais e tres substitutos da Junta desta Parochia que hade servir no quadrienio de mil oitocentos oitenta e cinco a mil oitocentos e noventa e constituida a mesa respectiva com o dito Presidente os cidadãos Manuel Rodrigues Sampaio e Antonio Gonçalves Sevivas secretarios e Francisco Gonçalves Sevivas e Domingos Luis Madeira escurtinadores procedeu-se pelos cadernos do recensseamento à demanda dos cidadãos eleitores a declararem presente os respectivos O Regedor encontrando-se ausente e o Parocho nomeou-se o cidadão Ignacio Antonio Chaves para que apresentasse as propostas a que cada um eleitor nessa chamada e sua aproximação da mesa e do lado da mesa os restantes. O Presidente não apresentou mais eleitores e o Presidente ordenou a chamada a qual dos que della havendo-se outras tantas medidas e outros eleitores que nesse entrevalo uma das contas todas que se autorizou a composição da mesma mesa.

Edital affixado na porta da egreja. Passando a mesa ao apuramento de votos e comprimento do seu disposto no Artº. 31 do Código Administrativo reconheceu-se terem sido contados os cidadaõs seguintes Manuel Rodrigues Sampaio com vinte e tres votos. Gregorio Jose da Costa com vinte e oito votos, que foram elegidos para effectivos e para os seus substitutos os cidadaõs Antonio Rodrigues Sampaio com vinte e nove votos, e Antonio Gonçalves sevivas com dezoito votos e Francisco Chaves com dezanoves votos, nada mais a tratar procedeu-se ao seu encerramento e assinatura da acta pelo Presidente e Secretario.

 

Mas para melhor informação dos leitores vamos aqui colocar um recenseamento eleitoral realizado no ano de 1867.

 

"RECENCIAMENTO ANO1867"

Nome

Cont.

Prof.

Estado

Morada

Idade

 

Albano Coelho F. Antas

5010

Prop.

Casado

Out. Seco

43

Elegivel

Antonio Andre V. Boas

3032

43

 

Antonio Assureiras

1516

St. Cruz

67

 

Antonio Gomes Pereira

3679

Out. Seco

55

 

Antonio Gonçalves Sevivas

1165

42

 

Antonio Joaquim Sá Tenreiro

4575

Viuvo

32

Elegivel

Antonio Manuel dos Santos

1603

Casado

43

 

Diogo Jose Jorge

3330

51

 

Domingos Joaquim Acacio

2016

76

 

Francisco Antonio Pereira

2072

Alf. Inf.

76

 

Francisco Gonçalves Sevivas

3653

Prop.

45

 

Francisco Martins

1215

32

 

Padre Francisco Pires Morais

Padre

Padre

26

Elegivel

Gregorio da Costa

1112

Prop.

Casado

46

Elegivel

Joao Jose Pereira do Rio

8658

47

 

Joao Luis Marcelino

5211

Viuvo

57

 

Jose Maria Ferreira

3629

Casado

47

 

Luiz Baptista Santos

57

 

Manuel Baptista Santos

37

 

Manuel Vicente Madeira

58

 

Miguel Alves  Ferreira Montalvão

28

 

Miguel de Sá Tenrreiro

43

 

Miguel Santos Baptista

39

 

 

Estes eram os únicos eleitores que podiam eleger os vogais da Juntas da Paróquia, tinham de possuir uma certa condição social na aldeia

 

Isto era o que se passava na Monarquia, mas em Outeiro Seco muito cedo se começou a simpatizar com os ideais Republicanos, devido a vários factores, a sua proximidade com Chaves, contacto com varias pessoas de Chaves, já conhecedoras desses ideais.

 

Por tudo isto e não é por mero acaso que Outeiro Seco era nessa época talvez a aldeia mais Republicana.

 

 

A República é implantada a 5 de Outubro de 1910 e logo a 11/12/1910 Outeiro Seco forma a sua Comissão Parochial Administrativa, toda ela composta por Republicanos.

 

"Effectivos:

MANUEL DA COSTA

JULIO GONÇALVES SEVIVAS

ANTONIO LOPES DE SOUSA

FRANCISCO GONÇALVES CHAVES

JOSE PINTO MEIRELES

 

Substitutos:

JOSE BENEDITO

FRANCISCO BERNARDO COELHO

MIGUEL JULIO ALVES

JOÃO FELIZ

JOAO DA COSTA GAITÃO"

 

Sendo esta a primeira Junta Republicana, mas sobre Outeiro Seco e a República falaremos um dia mais tarde, e por hoje é tudo.

 

João Jacinto

 

 

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Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Falamos de toponímia de Outeiro Seco"

 

 

FALAMOS DE TOPONÍMIA DE OUTEIRO SECO

 

Depois desta paragem forçada por vários motivos, voltamos novamente à lida, e esperamos que seja por muito tempo.

 

Iniciámos este espaço sobre um tema muito curioso, nomes que já não existem, e outros que vão resistindo.

 

Quando falamos de património histórico, devemos ter em conta que não estamos apenas a falar de monumentos, estátuas ou praças, etc…, ou seja a cultura material.

 

A toponímia de uma aldeia ou de uma determinada região, tem um enquadramento cultural e pertence também ao domínio da percepção que o homem tem sobre o território que o rodeia.

 

O estudo da toponímia permite a compreensão dos valores e das tradições de um povo. As populações locais por vezes guardam na sua memória colectiva nomes que identificam um determinado local, mas muitas das vezes elas não compreendem o significado, desses elementos nem a origem dos mesmos.

 

 

Por este motivo, o estudo da toponímia local é sempre uma mais-valia para a história local, e para o conhecimento da memória colectiva.

 

O povo é o principal gerador destes nomes, muitas das vezes baseados na tradição ou em determinados acontecimentos nesse local.

 

As Juntas de Freguesia têm aqui um papel importante na preservação da toponímia local.

 

Decidi fazer a análise de alguns documentos antigos. Nesses documentos não são mencionados os nomes das ruas da aldeia de Outeiro Seco, sendo a divisão da aldeia feita apenas por Bairros, muitos desses Bairros já contam séculos e séculos de existência, outros mudaram de nome.

 

- Bairro do Papeiro, é mencionado num documento de 1630, mantendo ainda hoje o seu nome.

- Bairro do Pontão, mencionado no mesmo documento, e ainda mantem o seu nome.

- Bairro do Eiró, mencionado no mesmo documento, e ainda mantem o seu nome.

- Bairro do Penedo, mencionado também no documento, tendo este bairro aquando da construção da igreja, mudado para Bairro da Igreja, vindo mais tarde a regressar novamente a Bairro do Penedo.

 

 

- Bairro da Portela, não conseguimos descobrir a sua localização.

- Num documento de 1728 descobrimos o Bairro do Curro, aqui ficamos sem respiração, onde seria o dito Bairro, mais uns documentos e num documento de 1733, e para nosso espanto descobrimos o seguinte: "Maria Sobrinho e Capitão de Cavalos José Álvares Ferreira, moradores no Bairro do Curro". Nada mais, o dito bairro estava localizado, sendo ainda hoje denominado de Bairro de Santa Rita.

- Em outro documento de 1731 e 1734, aparece o Bairro da Soenga, este por mais voltas não descobrimos a sua localização.

- Em outro documento de 1731 e 1734, aparece mencionado o Bairro da Mouchica, este embora já tenha sido alterado o seu nome, os mais velhos sabem onde fica.

- Noutro documento de 1800 aparece o Bairro da Sra. do Rosário, fica junto da referida Capela, nesse Bairro aparece mencionada a Família Agrela.

 

 

Hoje todas as ruas da aldeia têm uma placa com o nome. Não sabemos qual a base dessa denominação.

 

Nós apenas queremos trazer aqui para conhecimento dos mais jovens o Outeiro Seco desaparecido, e esquecido pela memória colectiva.

 

João Jacinto

 

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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Outeiro Seco - Crise e Emigração"

 

 

OUTEIRO SECO - CRISE E EMIGRAÇÃO

 

Hoje o tema que aqui trago é a emigração, aliado as várias crises, que a nossa região passou ao longo de séculos, e as quais Outeiro Seco não ficou imune.

 

Hoje somos brindados constantemente, pelos mais variados meios de comunicação, com a palavra “crise”, além dos contantes incentivos à emigração, levando a nossa juventude a abandonar o país, partindo para outras paragens, jovens talentos, e que tanta falta fariam por cá.

 

Mas o seu país nega-lhe aquilo que já noutros tempos negou aos seus antepassados. Vamos aqui relatar, ou talvez fazer um pouco de história, do passado talvez para melhor entender o presente. Pois foram várias as crises ao longo de vários séculos, muito em especial durante o período da Monarquia, e depois com a República, depois do 28 de Maio, e durante a ditadura e os anos 60, e aquela que ainda hoje nos dá cabo da paciência.

 

Houve Outeiro Secanos, que emigraram para os mais diversos países durante esses tempos, Brasil, Estados Unidos, Cuba, Uruguai, Argentina, e mais tarde já na década de 60 França.

 

Aquilo que me propus tratar aqui é a emigração/crise, antes da implantação da República, ou seja na época de 1800 a 1904. Alguma impressa da época dá-nos conta da situação desses tempos.

 

(1)

 

EMIGRAÇÃO

 

"As povoações deste concelho estão dando dia a dia cada vez maiores contingentes para a emigração nacional, com destino ao Brasil. Ultimamente saem, quase todos os dias dezenas de habitantes deste concelho, o que prova bem à evidência a grande crise da miséria, do insuportável mal estar, que esta região atravessa, crise devido ao mal geral de que enferma afinal todo o país, e especialmente ao desprezo a que os governos tem votado esta parte da nação. A continuar esta corrente de emigração dentro de pouco tempo nas pobres aldeias deste concelho, só ficarão velhos e inválidos.

 

E continua a imprensa local:

 

"Quase não passa um dia em que não vejamos partir com destino ao Brasil homens válidos que em terras estranhas, longe dos seus, vão procurar uma vida mais desafogada, do que a que passam na sua terra, onde a falta de trabalho os lança na mais deplorável miséria.

 

Por diversos motivos, como se sabe, a maior parte destes emigrantes pretende fazer viagem clandestina que se fazia pelas partes da vizinha Espanha, traz-nos à recordação a emigração para França nos anos 60 a salto. Era difícil na época obter um passaporte da parte do Governo civil, a única alternativa era a de emigrar clandestinamente, pois muitas das vezes não corriam bem, e lá se perdia tudo. Pois que a passagem era caríssima, além do pagamento suplementar ao intermediário. Esta emigração clandestina era um autêntico flagelo.

 

Sendo a maior parte dos emigrantes com destino ao Brasil , para as zona do Rio de Janeiro, Santos Pará e Manaus. Como nos recordamos nos anos 60, havia a repressão deste tipo de emigração e que era feita pela PIDE.

 

Também na época que aqui focamos havia a repressão por parte da Policia Especial de Emigração, que era comandada em Chaves pelo Sr. António Joaquim de Carvalho, este trabalhava em estreita colaboração com a Guarda Civil Espanhola. Apresentamos aqui uma pequena lista de pessoas pertencentes às aldeias do concelho, e que foram presas quando tentavam apanhar o vapor no porto de Vigo com destino ao Brasil.

 

Os presos são os seguintes:

 

José Bernardino Rodrigues, lavrador de 16 anos da freguesia de Redondelo.

António Veras, de 20 anos e Samuel Teixeira de 17 anos, ambos jornaleiros da freguesia da Torre do Couto.

José Garcia de 24 anos, carpinteiro da freguesia de Vilarelho.

Manuel Pires, António Martins, e José Alves Guerra, naturais de Vilela Seca.

Constantino Fernandes das Eiras.

José dos Reis de Vilarelho.

 

Pois seria uma lista interminável, além de vários outros emigrantes das mais diversas partes do país.

 

(2)

 

Como não podia deixar de ser, não podíamos deixar de lado Outeiro Seco, pois era aqui que eu queria chegar, Outeiro Seco não escapava a esta euforia. Uns partiam pela via legal e outros clandestinamente, foram vários os que em Vigo apanhavam o vapor com destino ao Brasil, os que detinham passaporte apanhavam o vapor, no Porto ou na Povoa de Varzim.

 

Como a miséria gera miséria, o sonho do Brasil atormentava todos os Outeiro Secanos, para muitos não passava de uma ilusão. Alguns morriam em pleno alto mar, outros vendiam todos os bens que possuíam, para comprar as passagens, outros hipotecavam os bens, muitos deles regressavam com as mãos a abanar, e outros por lá ficaram.

 

Vamos tratar aqui de alguns casos, famílias inteiras que partiram para o Brasil, e das quais não há vestígios em Outeiro Seco, e se desconhece a sua descendência em terras do Brasil. Pois em verdade não sabemos nada de nada.

 

(3)

 

Vamos falar desta família de Outeiro secanos:

 

António Dume Acácio, nasce em Outeiro Seco, por cá vive vários anos, com 46 anos de idade e no ano de 1879, parte com destino ao Brasil, desconhecemos os anos que por lá esteve. Mas não serão muitos, em 1881, assume as funções de Regedor de Paróquia em Outeiro Seco, sendo demitido dessas funções passado pouco tempo. Mas no ano de 1887, assume novamente as funções de Regedor, envolvido em uma polémica é demitido das funções. Em 1888, verificamos que Satiro Dume Acácio com a idade de 13 anos, parte com destino ao Brasil, devendo ser um familiar do tal António Dume Acácio. Mas a nossa maior surpresa é quando descobrimos que António Dume Acácio, no mês de Dezembro de 1888, já com a idade de 56 anos, acompanhado pela Eugénia da Silva esposa com a idade de 32 anos, e por António filho de 12 anos, Eugénio filho de 11 anos, João filho de 8 anos, Carminda filha de 5 anos, Olivério filho de 3 anos e Laura filha de 9 meses, partem com destino ao Brasil, não descobrimos a zona para onde foram assim como desconhecemos a sua descendência em terras do Brasil.

 

Várias outras famílias nessa época deixaram O. Seco, das quais desconhecemos o seu paradeiro por terras do Brasil, sendo muitos deles clandestinos. Apresento aqui mais alguns nomes de gente muito jovem, que partiu com a esperança de uma vida melhor, mas que tiveram de percorrer os caminhos da amargura:

 

Abril de 1880 - Ana Vicente Madeira - 22 anos acompanhada de Alfredo filho de 4 meses.

Dezembro de 1888 - Mais uma família Domingos Luís Madeira 39 anos

Acompanhantes: Maria das Dores Esposa 37 anos

Felicidade, filha 18 anos

Eugénia, filha 15 anos

Ermelinda, filha de 10 anos

Cacilda, filha de 4 anos

António, filho de 2 anos

Carlota, filha de 4 meses.

Janeiro de 1879 -António de Sá Tenreiro 21 anos.

Março de 1913- António Madeira de 29 anos.

 

Muitos mais aqui poderíamos colocar, ficamos por aqui à espera de um dia sabermos a verdade e assim completar toda esta pequena história.

 

João Jacinto

 

(1) - Fotografia pertencente a Armindo Chaves de Sousa (Armindo Escaleira) 

(2) - Fonte: Santos Pereira (2010)

(3) - Fonte: Diário de Notícias - 23032012

 

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 17 de Julho de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Uma cena das segadas passada no ano de 1888"

 

 

 

UMA CENA DAS SEGADAS PASSADA NO ANO DE 1888

 

Tudo isto decorre no período em que decorriam as segadas em Outeiro Seco, este documento leva-nos a reflectir, sobre as segadas de antigamente, pois trata-se de um documento valioso enviado pelo Administrador do concelho, para o Procurador Régio, hoje denominado Ministério Público, toda a cena se passa a 21 de Junho de 1888. Documento que aqui vou transcrever na íntegra:

 

(1)

 

“Delegado Procurador Régio

Tenho a honra de para os devidos effeitos participar a V. Exª. o seguinte:

No dia de ontem de tarde apresentou-se nesta villa o regedor de parochia desta freguesia, e um individuo chamado Manuel da Cruz Cortiço, casado lavrador, da freguesia de Outeiro Secco deste concelho e declarou que andadando a trabalhar conjuntamente com uma sua filha chamada Ludovina da Cruz, numa sua propriedade, proxima da povoação de Santa Cruz da mesma freguesia, observava que pelo caminho que de Outeiro Secco vem para esta villa, passava naquela mesma tarde , seriam trés horas, um rancho de segadores, e que tres individuos do mesmo rancho se haviam ficado um pouco atras dos seus companheiros, no mesmo caminho proximo á propriedade em que elle declarante e sua filha se achavam, agrediram com paus e pedras um moleiro chamado António Ricardo, solteiro da Ribeira do Pinheiro da freguesia da Cela, deste concelho e que actualmente reside nos moinhos de Francisco Branco de Vila Verde da Raia, situados proximos da mesma povoação, que resultara ficar ferido com alguns dentes quebrados.

 

(2)

 

Que por tal motivo deixando a sua filha a tratar do ferido, viera elle declarante, segundo os mesmos segadores dar parte do ocorrido a fim de que os agressores fossem presos. Logo que o mesmo regedor recebeu tal participação sendo-lhe pelo mesmo declarante indicado qual o rancho dos segadores a que se referia, interrogou o capataz do mesmo rancho Domingos Padroso de Parafita da freguesia Viade do concelho de Montalegre, e como este lhe indicasse quais os tres segadores do mesmo rancho que podiam ter cometido o crime por serem os que se haviam distanciado dos seus companheiros no caminho já mencionado, elle regedor mos apresentou e em vista das declarações por elle feitas e que acima são referidos os mandei recolher á cadeia civil desta villa, onde desde já ficam á dispoição de V. Exª. paraos fins convenientes.Os referidos presos sendo hoje por mim interrogados declaram;

Chamarem-se José Barroso, Manuel Barroso e Domingos de Moura, serem os primeiro e terceiros solteiros e o segundo casado , e todos naturais e residentes em Parafita, freguesia de Viade do Concelho de Montalegre que vinham de Outeiro Secco duma segada e se dirigiam p ara outra em Soutelo deste concelho. Que proximo de Santa Cruz encontraram um moleiro cujo nome se ignora e que dando a este as boas tardes e elle lhes respondera insultando-os e que por tal motivo um deles o Jose Barroso lhe atirara com uma pedra, a qual ignoram de sim ou não acertar no queixoso. Cumpre-me acrescentar que no local da captura foi incontrada uma navalha de ponta e mola que acompanha este, ao preso Manuel Barroso.

Testemunhas são.

Os mencionados Manuel da Cruz Cortiço e a filha Ludovina da Cruz, elles de Outeiro seco e onde vivem e o referido regedor Jose Maria Marques das Neves, e o official desta Admintração.

O Administrador

(assin. ilegivel) “

 

João Jacinto

(Atenção: documento escrito conforme era hábito na época)

 

(1) e (2) - Digitalização de postais da Foto Alves

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Obras"

 

 

 

OBRAS

 

Hoje somos bombardeados, nos Blogues sobre Outeiro Seco, com as obras da Senhora da Portela, talvez na disputa de quem coloca mais ou menos fotos, qual a melhor, ou à procura do maior número de comentários.

 

A mim, pessoalmente, não é isso que me preocupa, mas sim se elas são realizadas de acordo com determinadas normas e não se destrua o passado.

 

Porque obras sempre houve em Outeiro Seco, umas maiores e outras mais pequenas, mas que no fundo não passam de obras.

 

 

Para se levarem a efeito estas, recorreu-se a um peditório pela Aldeia, em que cada Outeiro Secano contribuiu conforme as suas posses.

 

Antigamente não era necessária, proceder a estes peditórios, a própria igreja tinha bens suficientes (rendimentos) para a realização das obras.

 

Hoje temos todas estas modernices, mas talvez antigamente as coisas fossem diferentes. Será isso que vamos tentar demonstrar com o texto que aqui vamos transcrever.

 

 

É um documento do Administrador do Concelho, para a Irmandade das Almas de Outeiro Seco, e que remonta ao ano de 1867.

 

"Devolvo a V. Exª. o incluso orçamento da Irmandade das Almas eleita na Igreja da Freguesia de Outeiro Seco, relativo ao actual ano económico fazendo saber a V. Exª. , que o orçamento atento à importância do documento, não pode conter rasuras devendo para isso ser reformado e que por aprovação das últimas verbas, é preciso fazer uma acta assinada pelos mesários, e que duas partes se declare a qualidade da obra que há a fazer no pavimento da igreja, e bem assim na Capela de Santa Ana, e cuja cópia da mencionada obra deverá acompanhar o orçamento."

 

S.J.C.

 

Tudo isto era o que se passava no longínquo ano de 1867, em que pelos visto também se faziam obras.

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "A Sarafina"

 

 

 

A SARAFINA

 

Hoje vamos aqui trazer uma personagem muito popular, que nos anos 60 animou as ruas da aldeia de Outeiro Seco. Fazia-se acompanhar do seu jumento preto.

 

Esta mendiga, tinha uma língua muito destravada, para um Outeiro Secano levar uma carga de insultos, bastava puxar o rabo ao jumento.

 

 

Foi protagonista de várias bulhas na festa da Senhora da Azinheira, mesmo com elementos da GNR. Na aldeia eram constantes as bulhas, quando se encontrava ela e outra mendiga de alcunha a Albardeira, ora no largo do tanque ou junto da taberna do Zé do Rio.

 

Não serão as suas bulhas que aqui vamos relatar, mas sim o seu fim trágico.

 

 

Estávamos a 28 de Fevereiro de 1967. Nesse dia, logo de manhã cedo, a Sarafina fez a sua visita a Outeiro Seco, como era hábito todos os dias. Dirigiu-se para os lados da Lagoa. Aí nesse mesmo dia foi descoberta já sem vida.

 

Começou nesse mesmo dia por volta das duas da tarde a circular a notícia da sua morte. Mas só a 18 de Março se descobre quem matou a Sarafina.

 

O Comandante do Posto da GNR desta cidade Srº. 2º. Sargento Alberto Correia em continuação das diligencias que procedeu por a descoberto o autor ou autores do crime de assassínio, de que foi vítima Georgina Almeida conhecida popularmente por "SARAFINA", de 65 anos , casada e natural de Vidago, e residente á mais de 40 anos no Bairro do Telhado desta cidade a qual teve lugar no dia 28 no caminho público , no lugar denominado de "Cantinho" situado na veiga circundado por terrenos pertencentes a proprietários de Santo Estevão e Faiões, entregou no dia 4 do corrente no tribunal desta comarca como autor da pratica daquele crime Manuel Vinhais dos Reis, solteiro de 32 anos residente em Faiões. E que segundo foi apurado foi visto por pessoas cujas declarações não podem ser desacreditadas do local do crime, ao cortar uma pequena vara de amieiro no momento em que a Sarafina conduzindo o seu burrico se dirigia em direcção a esta cidade donde tinha partido na manha de 28. A Sarafina dedicava-se à venda de artigos de tenda, e assim simulava a mendicidade a que se entregava à muitos anos. O presumível assassino que sofre desde à anos de perturbações mentais pelo que já esteve internado várias vezes, transferido da cadeia desta cidade pra um hospital no Porto.

 

Assim terminou os seus dias a Sarafina.

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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