Outeiro Seco - AQI...

Tempo Outeiro Seco
Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Poluição em Outeiro Seco e Chaves - Continua...

 

_0_DSC3311.jpg

 

Fica mais uma vez o contador actualizado: 

Nº de dias de poluição (desde 20102007) = 3833 dias (PSD 3655; PS 178)

Nº de dias de atraso da obra do emissário (desde Junho de 2017) = 321 dias (PSD 143; PS 178)

 

20873354_j7I5A.jpg

Fonte: Imagem de fundo e notícia Diário @tual, 11 de Março de 2017

 

Para ver mais fotos de mais de 10 anos de poluição diária (desde 20 de Outubro de 2007) siga a ligação: http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/esgotos

 

Esgotos 2007-2009.jpg

 

Esgotos 2010-2012.jpg

 

Esgotos 2013-2015.jpg

 

Esgotos 2016-2017.jpg

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Dia Internacional de Monumentos e Sítios 2018 (19 fotos + 1)

 

_0DSC_5274ab.jpg

Igreja de Nossa Senhora da Azinheira

 

_D756708ac.jpg

Tanque

 

_D756715ac.jpg

Capela de Nosso Senhor dos Passos / Senhora do Rosário

 

_D761933ab.jpg

Cruzeiro (Largo da Saúde)

 

_D761972ab.jpg

Solar dos Montalvões

 

_D761976ab.jpg

Relógio de Sol

 

_D750156a.jpg

Sepultura cavada na rocha (Mina/Aloque)

 

_D750158a.jpg

Lagaretas cavadas na rocha (Mina/Aloque)

 

 BER_0943ab.jpg

Capela de Nossa Senhora da Portela

 

BER_2962c.jpg

Via Sacra - Três Cruzes

 

BER_3331ac.jpg

Pedra de Mesa

 

_D758846a.jpg

Lagares cavados na rocha (Vale de Lagares)

 

BER5003-PB.jpg

Capela de Santa Rita

 

DSC_0318a.jpg

Cruzeiro (Alto da Escola)

 

DSC_0409-PB.jpg

Ex-escola

 

DSC_0704abc.jpg

Igreja de São Miguel (Matriz)

 

DSC_2722a.jpg

Nosso Senhor dos Desamparados

 

DSC_6551ab.jpg

Capela de Santa Ana

 

DSC_6704a.jpg

Alminhas

 

_0_DSC3311c.jpg

Museu da Água e dos Esgotos

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Fotografia - Ao acaso

 

_DSC6328ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Igreja de São Miguel com neve (8 fotos)

 

_DSC3448ac.jpg

 

_DSC3444ac.jpg

 

_DSC3445ac.jpg

 

_DSC3447ac.jpg

 

_DSC3451ac.jpg

 

_DSC3454ac.jpg

 

_DSC3455ac.jpg

 

_DSC3456ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Domingo, 15 de Abril de 2018

Vamos até Sarraquinhos - Montalegre (9 fotos)

 

_DSC5936ac

 

_DSC5933ac

 

_DSC5940ac

 

_DSC5939ac

 

_DSC5935ac

 

_DSC5931ac

 

_D762809ab

 

_D762819ab

 

_D762837ab

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 14 de Abril de 2018

Vamos até Sarraquinhos - Montalegre (6 fotos)

 

_DSC6050ac

 

_DSC6046ac

 

_DSC6054ac

 

_DSC6035ac

 

_DSC6033ac

 

_DSC5961ac

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 12 de Abril de 2018

Poluição em Outeiro Seco e Chaves - Continua...

 

_0_DSC3311.jpg

  

Hoje sem palavras, fica mais uma vez o contador actualizado: 

Nº de dias de poluição (desde 20102007) = 3826 dias (PSD 3655; PS 171)

Nº de dias de atraso da obra do emissário (desde Junho de 2017) = 314 dias (PSD 143; PS 171)

 

20873354_j7I5A.jpg

Fonte: Imagem de fundo e notícia Diário @tual, 11 de Março de 2017

 

Para ver mais fotos de mais de 10 anos de poluição diária (desde 20 de Outubro de 2007) siga a ligação: http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/esgotos

 

Esgotos 2007-2009.jpg

 

Esgotos 2010-2012.jpg

 

Esgotos 2013-2015.jpg

 

Esgotos 2016-2017.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 11 de Abril de 2018

Fotografia - Ao acaso

 

BER_2787a.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 10 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões e cruzeiro com neve (5 fotos)

 

_DSC3459ac.jpg

 

_DSC3441ac.jpg

 

_DSC3442ac.jpg

 

_DSC3443ac.jpg

 

_DSC3457ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – José Francisco Gonçalves Sevivas"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

 

Os militares de Outeiro Seco que estiveram na Grande Guerra de 1914-1918 foram muito esquecidos.

 

Agora que se comemoram os 100 anos desse acontecimento, foi minha vontade fazer com que saíssem do anonimato, inclusive da própria família, para lhes dar o lugar merecido na história local.

 

_D804597.JPG

  

Alguns deles estiveram em África e muitos, em França. Hoje em dia, na aldeia, praticamente já não se fala em gaseados. Dos que morreram, por lá ficaram sepultados. Hoje vamos falar de um outeiro secano que para muitos foi o Major Sevivas e vai continuar na história local de Outeiro Seco a ser o Major Sevivas, embora tenha atingido uma alta patente da hierarquia militar, a de Tenente-coronel.

 

Mas amigo leitor, não quero ser maçador com tudo isto, mas permita-me que me debruce um pouco sobre os antepassados do nosso combatente e só depois nos iremos ocupar do nosso Major Sevivas, para que não restem dúvidas.

 

Posto de Soutelinho da Raia.jpg

Fonte: Memórias da Guarda Fiscal - Posto de Soutelinho da Raia

 

Seu pai, João Gonçalves Sevivas, nasceu no dia 28 de Outubro do ano de 1864, era filho de António Sevivas e de Ana Gonçalves Agrela, de Outeiro Seco. Já com idade adulta passou a ser soldado da Guarda Fiscal, sendo destacado para o posto de Soutelinho da Raia e, ora para o posto de Vilarelho da Raia, ora para o de Travancas.

 

Através do assento do livro de casamentos de Vilarelho da Raia de 1889, vamos descobrir o assento nº.8 e que nos diz o seguinte:

Que no dia três do mês de Agosto do ano de mil oitocentos e oitenta e nove, João Gonçalves Sevivas, batizado na freguesia de Outeiro Seco, Cabo da Guarda Fiscal estacionado no Posto de Vilarelho da Raia, filho de António Gonçalves Sevivas e de Ana Gonçalves Sevivas, com a idade de vinte e cinco anos. Contraia matrimónio com Sabina Pires de dezanove anos de idade e filha de Francisco Pires e de Ana Daira de Vilarelho da Raia”.

 

Era muito comum na aldeia ouvir-se da parte das pessoas que a vida de um Guarda Fiscal era como a dos ciganos, andavam sempre com a trouxa as costas. Era o que acontecia a este outeiro secano, tão depressa estava num local como noutro.

 

Posto de Vilarelho da Raia.jpg

Fonte: Memórias da Guarda Fiscal - Posto de Vilarelho da Raia

 

Deste casamento, viram a luz do dia sete filhos, sendo dois rapazes e cinco raparigas. O primeiro filho seria o José Francisco, depois o João, a seguir a Libânia, a Olinda, a Ana, a São, e por último a Arminda.

 

O José Francisco acabaria por seguir a carreira militar. O João ainda muito jovem abalou para os Estados Unidos da América, constituiu família e por lá ficou. Nunca mais cá veio. A Libânia acabaria por ser a única filha a casar, com o Tenente de Infantaria Luiz Faria Barroso Mariz, tendo este ainda atingido a patente de Capitão, foi Comandante da 4º. Companhia da Guarda Fiscal de Chaves nos anos 1934-1949. Não tiveram descendentes. A Olinda, a Ana e Arminda dedicaram-se sempre as tarefas agrícolas da casa. A Ana viria a falecer no ano de 1970, sendo a Arminda a última a falecer. Quanto à São, esta ocupava-se das lides domésticas da casa, era de todas a mais devota.

 

Seu pai João Gonçalves Sevivas, no ano de 1906, era promovido ao posto de Sargento da Guarda Fiscal. Também aquando das Incursões Monárquicas de Paiva Couceiro em 1912, recebeu do Governo da República um louvor, pelos bons serviços prestados à jovem República Portuguesa.

 

Depois desta breve resenha sobre a família Sevivas, passamos à figura principal da nossa história, ou seja, ao José Francisco Gonçalves Sevivas, o nosso Major Sevivas.

 

Tinham passado três anos desde que o casal Sevivas tinha contraído matrimónio. O cabo João Gonçalves Sevivas acabava de ser destacado para o comando do posto de Soutelinho da Raia, no início do ano de 1892 e será nesta aldeia que nasce o primeiro filho do casal a quem seria dado o nome de José Francisco.

 

Major Sevivas.jpg

 Fonte: Liga dos Combatentes

 

Fomos investigar os livros de batismo da freguesia de Soutelinho da Raia, referente ao ano de 1892. Aí encontrámos o Assento nº. 11 que nos diz o seguinte:

Assento nº. 11 do ano de 1892. Aos quatorze dias do mês de Agosto do ano de mil oitocentos e noventa e dois, nesta igreja paroquial de Santo António de Soutelinho da Raia, do concelho de Chaves, arquidiocese de Braga, batizei solenemente uma creança do sexo masculino, que nasceu nesta freguesia, pelas cinco horas da manhã do dia nove do mês de Agosto, de mil oitocentos e noventa e dous, e ao qual dei o nome de José Francisco, filho legítimo de João Gonçalves Sevivas natural de Outeiro Seco e de Savina Pires natural de São Tiago de Vilarelho da Raia, neto paterno de António Gonçalves Sevivas, e de Ana Gonçalves Agrela, e materno de Francisco Pires e de Ana Pires Daira naturais de Vilarelho da Raia. Foram seus padrinhos o Reverendo Joaquim Alves Crespo, desta freguesia e José Branco Sanches natural de Vilarelho da Raia, que sei serem os próprios.

O Abade Álvaro Pais de Araújo.

 

O José Francisco, como referimos, seria o primeiro filho do casal, toda a sua juventude seria repartida entre Soutelinho da Raia, Outeiro Seco e Vilarelho da Raia. Ora num local ora noutro, os anos iam passando e o jovem José Francisco ia crescendo. Terminados os estudos primários, o José Francisco é enviado para a cidade de Braga para aí continuar os seus estudos eclesiásticos, com a condição de vir a ser ordenado padre, sendo esta a vontade de seus pais.

 

Mas nessa altura viviam-se tempos de incerteza no país. O José Francisco, já com os seus 18 anos, não era alheio a essas mudanças. Assiste à implantação da República em 1910. Passados dois anos, em 1912, assiste à revolução de Couceiro. Já com maioridade aproxima-se o cumprimento dos deveres militares para com a Pátria. Será no decorrer do ano de 1912 que se apresenta à inspeção militar, ficando apto para todo o serviço. O jovem desiste da sua carreira sacerdotal e abraça a carreira militar, talvez influenciado pela carreira militar de seu pai. O jovem é indicado para servir a arma de infantaria, seguindo para o Regimento de Infantaria 13 de Vila Real. Nessa altura ainda não havia guerra na Europa, nem nada que indicasse que pudesse acontecer. Continua a sua preparação militar em Vila Real, mas já em pleno ano de 1914, os ventos que sopram do norte da Europa anunciam a guerra. Finda a sua preparação militar em Vila Real com o posto de Alferes Miliciano e como comandante de pelotão oficial de metralhadoras ligeiras do Regimento de Infantaria 13. Surgem os primeiros focos de invasão das Colónias e em 3 de Fevereiro de 1915, embarca com destino ao sul de Angola acompanhado de um batalhão de infantaria 13, regressando com as primeiras forças militares, depois de terminada campanha em 15 de Outubro de 1915.

 

Ainda não se tinha completado um ano do seu regresso de África, já estava a ser mobilizado para a guerra de França. A 22 de Abri de 1917 embarcava com destino a Brest, para depois ser deslocado para a frente de combate, como podemos verificar no seu Boletim do CEP.

 

Assinatura Major Sevivas CEP - Blogue.jpg

Assinatura de José Francisco Gonçalves Sevivas - Boletim do CEP

 

José Francisco com a patente de Alferes Miliciano do 2º. Batalhão de Infantaria 13, da 2ª. Divisão e 5ª. Brigada de Infantaria, era filho de João Gonçalves Sevivas e de Savina Pires. Diz-nos ainda que era natural de Soutelinho da Raia e que o parente mais próximo era o seu pai, residente em Soutelinho da Raia do concelho de Chaves. Já na frente, José Francisco vai tomar parte na célebre batalha de La Lys do dia 9 de Abril de 1918. Consta ainda no seu boletim “Licença de Campanha por 20 dias desde 19 de Outubro de 1917 cessando a 1 de Novembro. Passou a desempenhar as funções de Oficial de Granadeiros acumulando com as de Oficial de Metralhadoras Ligeiras desde 20 de Fevereiro de 1918. Louvado porque no dia 9 de Abril de 1918 bateu-se em La Couture com muita coragem e sangue frio, decisão e competência, fazendo ele próprio fogo de metralhadora e só retirando quando se lhe esgotaram os meios de resistência e através de dificuldades. O. do Q. G C.nº144 de 29 de Maio de 1918. Licença da Junta por 90 dias em sessão de 3 de Julho.

 

Mas será nesta batalha que se dá uma das maiores polémicas do CEP. É neste dia 9 de Abril de 1918, que pelas 4:15 da madrugada, dá início o ataque Alemão e será no decorrer desta batalha que o verniz estala entre o Capitão da 1ª. Companhia, Bento Roma e o Capitão da 2ª. Companhia, David Magno e são várias as referências feitas à pessoa do Alferes Miliciano José Francisco Gonçalves Sevivas.

 

Les-Lobes - David Magno - Blogue.jpg

Les-Lobes - David Magno

 Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

David Magno no seu livro “Les-Lobes na batalha de La-Lys”, na pág. 107 diz: “O Alferes de metralhadoras José Francisco Sevivas, maneja uma junto ao 2º. Comandante interino, até que…” sem saber explicar como, se desliga de mim….” Diz este Capitão, “- mete-se por uma trincheira de comunicações e perde-se numa volta”. Também David Magno no Livro “La Couture”, perante a história, diz na pág. 44 o seguinte: “Este Alferes José Francisco Gonçalves Sevivas, abandonou autenticamente o seu posto de combate e os seus chefes diante da aproximação dos Alemães”!!!. O próprio Capitão Bento Roma 2º. Comandante Interino diz que não sabe como este Sevivas se desligou dele…. Meteu-se por uma trincheira de comunicação e perdeu-se numa volta...”. Também recentemente, numa tese doutoral apresentada no Instituto Universitário de Lisboa, da autoria de Miguel Nunes Ramalho, em 2015 diz-nos na pág. 113: “Foi nesta terra de Flandres, desde Amantieres a la Bassé, de Merveille a Béthame que as tropas portuguesas viveram e sofreram o seu grande calvário ignorando a verdadeira razão da luta para a qual foram lançados”. E serão as divergências no comando de Infantaria 13 que vão lançar a polémica onde o Alferes Sevivas, se vai ver envolvido. Continuando ainda na obra referenciada na pág. 187: “Mais polémica terá sido a referência ao Alferes Miliciano José Francisco Gonçalves Sevivas. Segundo informações o Alferes Sevivas tinha escapado do reduto onde se encontrava junto do Capitão Bento Roma, fugindo para a base do CEP, na altura em que estavam a ser atacados pelos alemães, escrevendo no seu relatório que tinha visto morrer o seu comandante e o 2º. Comandante por carga de baioneta com o inimigo. Também é enigmática a forma como o Capitão Bento Roma, descreve o desaparecimento do Miliciano Sevivas, “no meio do matraquear das metralhadoras é então que sem saber explicar, como se desliga de mim o Alferes Sevivas, mete-se por uma trincheira de comunicação e perde-se numa volta. O subalterno aproveitou uma distração de Bento Roma e cavou para a base. Apesar desta fuga para a retaguarda. O Comandante Pissara não se esqueceu do conterrâneo propondo-lhe um louvor”. Toda esta polémica não passaria de um mal-entendido. E o caso não ficará por aqui, e segue mais tarde para tribunal militar. E continuando ainda com o mesmo autor da referida tese e na pág. 232 diz-nos: “mas também não faltou o louvor ao Alferes José Francisco Gonçalves Sevivas, porque; “no dia 9 de Abril bateu-se na Couture com muita coragem sangue frio e decisão e competência”….

 

La Couture - David Magno - Blogue.jpg

La Couture - David Magno

  Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Também o autor do livro “Os Portugueses na Flandres” do Tenente Coronel Fernando Freiria, na pág. 281 diz-nos “que José Francisco Gonçalves Sevivas - Alferes Miliciano porque no combate de 9/04/1918, bateu-se em La Couture com muita coragem, sangue frio, decisão e competência fazendo ele próprio fogo de metralhadora, e só se retirou quando se lhe esgotaram os meios de resistência e outras dificuldades”. Também, ainda recentemente, na pág. nº. 4 do Jornal Notícias de Vila Real, de 12/04/2018, num artigo com o título “Na Crista da Onda”, do autor Ribeiro Aires, volta novamente a tal polémica à baila. Voltando novamente ao autor da Tese de Doutoramento de Miguel Nunes Ramalho, consultando a pág. 292, ficamos a saber que o Alferes Sevivas é levado a depor em tribunal militar, tendo no seu primeiro depoimento, entrado em contradições, segundo este autor, pelo que o auditor o Coronel Augusto Maria Soares viria a solicitar nova audição do Alferes Sevivas, para apuramento da verdade. Pelo que o Alferes Sevivas, volta novamente no dia 1 de Abril de 1922 a ser notificado para nova audição, mas desta vez é ouvido no Regimento de Infantaria 19 em Chaves, só que desta vez tem por auditor o Capitão Luís Borges Júnior. No seu novo depoimento o Alferes Sevivas, declarou manter em absoluto o seu primitivo depoimento. Terminado todo este imbróglio, o Alferes Sevivas vai continuar a sua carreira, acabando por mais tarde ser condecorado com a cruz de guerra de 2ª. classe.

 

Os Portugueses na Flandres - Fernando Freiria - Bl

Os Portugueses na Flandres - Fernando Freiria

  Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Já em pleno ano de 1924, será o primeiro Presidente do Núcleo de Chaves da Liga dos Combatentes.

 

Em 28 de Maio de 1926, dava o seu apoio à revolta do General Gomes da Costa, cujo apoio lhe viria a trazer mais tarde algumas benesses. Além dos vários amigos granjeados ao longo dos tempos, um dos seus grandes amigos destaca-se o Capitão Luís Borges Júnior, (Sendo mais tarde Administrador do Concelho de Chaves e delegado da PVD (PIDE), além de outros cargos sendo muito conhecido no meio flaviense, foi apelidado de o carrasco dos refugiados espanhóis durante a guerra civil.

Outro dos seus amigos foi o Tenente Horácio de Assis Gonçalves, que era de Vinhais, e chegou a ser Chefe de gabinete de Salazar e mais tarde Governador Civil de Vila Real durante os anos de 1931 a 1939.

 

Também no Assento de batismo do Major Sevivas existe um averbamento curioso, que nos diz o seguinte: “Consta em Despacho do Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca de Chaves, em que foi autorizado a adicionar no seu nome Gonçalves Sevivas, devendo ler-se José Francisco Gonçalves Sevivas. Registo Civil aos 3 dias do mês de Julho de 1933.

 

Em 3 de Abril de 1938 falecia em Outeiro Seco sua mãe Sabina Pires Sevivas, tendo sido sepultada no cemitério local de Outeiro Seco.

 

Também em Maio de 1938, o Jornal Local Nova Era escrevia o seguinte pela mão do seu grande amigo e diretor do referido jornal, Capitão Luís Borges Júnior, “Capitão Sevivas, em 4 do corrente assumiu as funções de Delegado do Comando Distrital da Legião Portuguesa, neste concelho, o nosso querido amigo Senhor Capitão José Francisco Gonçalves Sevivas, distinto oficial do bravo batalhão de Caçadores 3 desta cidade, oficial distintíssimo e nacionalista fervoroso !!!.”

 

Major Luís Borges Júnior1.jpg

 Luís Borges Júnior

Fotografia da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Entre os anos 1940 a 1942 assume o lugar de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves.

 

Também entre os anos de 1948 a 1951, já com a patente de Tenente Coronel é nomeado Comandante do Regimento de Caçadores 10 de Chaves, sendo nesta altura o seu impedido o conhecido Sargento Neves. Deixaria o cargo já perto do final de 1951, por motivos de saúde, retirando-se para a sua residência no Bairro do Penedo em Outeiro Seco.

 

É possível que o nome do Major Sevivas, não diga hoje nada a uma grande parte dos outeiro secanos, sobretudo à geração nascida no período posterior ao 25 de Abril. Era tido por muitos outeiro secanos como um salazarista convicto. Outros relevam a sua pessoa e consequentemente enaltecem as qualidades morais de homem íntegro, honesto, eivado de um profundo humanismo.

 

Sendo um homem de pouco convívio com os seus conterrâneos, era um caçador profissional na caça à perdiz nas horas vagas, conjuntamente com o seu cão perdigueiro de nome Farruco. Muito dificilmente utilizava o transporte que o exército lhe punha à disposição, debaixo de chuva e vento optava por fazer o percurso a pé, utilizando os caminhos secundários, evitando o percurso pelo centro da aldeia.

 

Já desligado do serviço militar, passava os dias na varanda da sua casa a ler os jornais. Foi também ele o verdadeiro impulsionador da descoberta dos autores do assassinato do António Augusto (Celeirós).

 

Também nos contaram umas histórias onde intervém o Major Sevivas. Uma tem a ver com um grupo de jovens de Outeiro Seco. Estava-se em pleno verão. À noite os jovens da aldeia concentravam-se todos no Largo do Tanque. Aí foi feita uma aposta que tinha por finalidade entrar no quintal do Major e trazer uma melancia que estava nas escadas da varanda, sem o Major dar conta. O jovem muito sorrateiro pula o muro do Quintal, já nas escadas pega na melancia, ao mesmo tempo que pega na melancia, ecoa no silêncio da noite um tiro. Nesse momento, o Major que se encontrava ao fresco na varanda diz para o jovem, “que nunca mais tivesse aquele atrevimento porque lhe podia sair caro?”.

 

5126715871_a050b56e29_o.jpg

 Foto de Fernando Ribeiro - Blogue Chaves

 

Outra delas tem a ver com o moleiro. Havia um indivíduo que todos os dias percorria a aldeia com 3 jumentos à procura de centeio para o moinho. Era empregado do Francisco Moleiro, o seu nome era Eduardo e era de Calvão, mas era conhecido na aldeia pelo “Beiças”. Estava-se no mês de outubro, caia uma chuva miudinha. O moleiro ao passar na ponte, ao lado da casa do Major, viu um homem no Quintal junto a umas couves galegas e muito depressa o moleiro diz: “Oh tio home das couves, quer mandar o pão para o moinho?”. O Major não lhe respondeu embora o moleiro barafustasse. Alguém viu a cena, chamou pelo moleiro e disse-lhe que era o Sr. Major Sevivas e tinha de ter mais respeito. A resmungar, o moleiro lá seguiu o caminho com destino ao moinho.

 

Talvez muito mais aqui poderíamos contar sobre o Major Sevivas, mas não é minha vontade ser maçador para com o amigo leitor.

 

Era dia 11 de Novembro do ano de 1957, dia de São Martinho, falecia na sua casa de Outeiro Seco o Tenente Coronel José Francisco Gonçalves Sevivas, mas para os outeiro secanos foi sempre o Major Sevivas, e ainda é.

 

E assim damos por concluído o nosso contributo, relativo aos combatentes da 1ª. Grande Guerra Mundial, pertencentes à aldeia de Outeiro Seco. Foi também nossa intenção os trazer ao conhecimento de todos os outeiro secanos, contribuir para o registo deles na história local da aldeia, prestando-lhe ao mesmo tempo uma singela homenagem hoje, em que se comemoram os 100 anos da trágica batalha de La Lys.

 

João Jacinto

  

Consulta:

Arquivo Militar

Blog Genealogia

Arquivo Distrital Vila Real

Livro Les-Lobes de David Magno

Livro La Couture de David Magno

Livro Os Portugueses na Flandres de Fernando Freiria (Ten. Coronel)

Tese de Doutoramento de Miguel Nunes Ramalho

Revista Aquae Flaviae nº 50

Várias pessoas da aldeia

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

Contributos2014.jpg

 

Agradecimento:

Aproveito aqui também para agradecer a colaboração do Humberto Ferreira, pela paciência que teve para comigo e pela disponibilização do seu Blog, pois só assim foi possível levar tudo isto ao conhecimento dos outeiro secanos. Aos meus pais e aos meus avós, pelas histórias que me contavam nas longas noites de inverno à lareira, à luz da candeia. Às dezenas de outeiro secanos, muitos deles já falecidos, que me deram maravilhosas informações. Para todos o meu bem-haja. Viva Outeiro Seco!

 

João Jacinto

  

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
Domingo, 8 de Abril de 2018

Vamos até Sarraquinhos - Montalegre (7 fotos)

 

_DSC5993ac

 

_DSC5994ac

 

_DSC5998ac

 

_DSC6001ac

 

_DSC6007ac

 

_DSC6013ac

 

_DSC6014ac

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 7 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Dia Nacional dos Moinhos 2018 (9 fotos)

 

BER_1388ac.jpg

 

BER_1393ac.jpg

 

BER_1406ac.jpg

 

BER_1414ac.jpg

 

BER_1417ac.jpg

 

BER_1434ac.jpg

 

DSC_0438ac.jpg

 

DSC_0453ac.jpg

 

DSC_0508ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 5 de Abril de 2018

Poluição em Outeiro Seco e Chaves - "O que não é visto não é lembrado"

 

A chuva e o consequente aumento dos caudais das linhas de água faz com o problema da poluição passe despercebido/desapercebido, mas não quer dizer que esteja resolvido. Como diziam os nossos antepassados, "o que não é visto não é lembrado", por isso nunca é demais relembrar que tudo continua igual, quer em termos de poluição, quer em termos de respostas por parte da CMChaves e das Juntas de Freguesia. O total desrespeito pelas pessoas, pelos seus direitos e pela propriedade privada continua a ser evidente pelos actuais executivos responsáveis por estas instituições, tal como os seus antecessores.

 

_0_DSC3311.jpg

 

Fica o contador actualizado: 

Nº de dias de poluição (desde 20102007) = 3819 dias (PSD 3655; PS 164)

Nº de dias de atraso da obra do emissário (desde Junho de 2017) = 307 dias (PSD 143; PS 164)

 

20873354_j7I5A.jpg

 Fonte: Imagem de fundo e notícia Diário @tual, 11 de Março de 2017

 

Para ver mais fotos de mais de 10 anos de poluição diária (desde 20 de Outubro de 2007) siga a ligação: http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/esgotos

 

Esgotos 2007-2009.jpg

 

Esgotos 2010-2012.jpg

 

Esgotos 2013-2015.jpg

 

Esgotos 2016-2017.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 3 de Abril de 2018

Fotografia - Ao acaso

 

_D704156ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Capela de Nosso Senhor dos Passos / Nossa Senhora do Rosário com neve (2 fotos)

 

_DSC3435ac.jpg

 

_DSC3436ac.jpg

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Domingo, 1 de Abril de 2018

Boa Páscoa

 

BER_5414-1-007.jpg

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sábado, 31 de Março de 2018

Vamos até Covêlo do Monte - Boticas (6 fotos)

 

_DSC5293ab

 

_DSC5295abcb

 

_DSC5307ab

 

_DSC5309ab

 

_DSC5318ab

 

_DSC5291ab

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 30 de Março de 2018

Auto da Paixão 2014 - Outeiro Seco - Chaves - Portugal (5 fotos)

 

_D704686-SEP.jpg

 

 

_D704050.JPG

  

 _D705470.JPG

  

_D705511.JPG

 

 

_D705817.JPG

 

Mais imagens do Auto da Paixão de Cristo - 2014:

https://www.flickr.com/photos/127400884@N07/albums

http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/auto+da+paix%C3%A3o

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 29 de Março de 2018

Poluição em Outeiro Seco e Chaves – Mais contradições ambientais

 

No passado dia 24, o Diário Atual publicava uma entrevista com o presidente da Câmara publicitando que haveria “Investidores com interesse no Parque Industrial de Chaves”.

 

Diario atual 24032018.jpg

Fonte: Diário @tual, 24 de Março de 2018

 

Ainda bem, digo eu. Até seria bom que em vez de estarem interessados no “Parque Industrial de Chaves”, estivessem apenas interessados em alguns lotes de terreno desse mesmo “Parque”, pois sempre seria uma forma de limparem o mato, as lixeiras e a poluição que o Município lá tem instalado, de forma sistemática e intencional.

 

Estranho é começarem por dizer que, para além da “Plataforma Logística” e do “Parque de Atividades de Chaves”, o tal “Parque Industrial de Chaves” é também composto pelo “Mercado Abastecedor”.

 

Mercado Abastecedor Google 2009.jpg

Fonte: Google

 

O que se sabe é que, e suponho que excluindo aquilo que foram pagando aos iluminados gestores que lá estiveram, pelo menos, foram lá gastos 3.849.152,75 euros, mas toda a gente sabe que não há “Mercado Abastecedor” nenhum. O que há naquele espaço é um conjunto de armazéns que deveriam destinar-se ao comércio por grosso, mas onde, sucessivamente, têm sido instaladas pelo Município, do meu ponto de vista ilegalmente, empresas industriais que segundo dizem não têm pago (ou não pagaram) as rendas (RTP Notícias, 12 de Janeiro de 2017).

 

_DSC3576 - Blogue 29032018.jpg

 

Mais estranho ainda é que refiram os “pontos fortes” como sendo a proximidade dos parques da fronteira e de uma autoestrada “que faz a ligação ao centro da Europa” (e mais além…), “a um aeroporto e a um porto…” (e a praça de táxis, e aos TUC da AVT, e…), “a existência de uma Escola Profissional e de um Centro de Formação” (e… aqui não sei o que mais há…para além da "Escola Superior de Saúde"), mas não refiram a sua proximidade ao “Museu da água e dos esgotos”, infra-estrutura esta em que investiram diariamente ao longo de mais de 10 anos. Só pelo facto de os seus antecessores/opositores terem contribuído com mais dias de poluição para esse “Museu” (3655 dias do PSD, face aos 157 dias do PS), não lhes podem retirar esse mérito, nem esconder essa informação. Isto é inadmissível.

 

01 04 Março 2018.jpg

 

E os “pontos fracos”? Será que o Município informou os potenciais investidores interessados de que a maioria das infra-estruturas instaladas no “Parque Industrial de Chaves” estão destruídas ou não funcionam? Será que também os informaram de que o Município não pretende tratar os efluentes das empresas que lá instalarem, tal como não o têm feito até à data, embora, independentemente disso, tenham de pagar as taxas de saneamento e resíduos? Será que os informaram que a tal “autoestrada” não lhes permite ir directamente, por exemplo, até à Austrália ou à Nova Zelândia? Sei lá, mas tudo isso são informações importantes.

 

0_DSC3574.JPG

 

Mas a rainha das “estranhezas” é que, entre os vários critérios de avaliação, os potenciais investidores interessados vão ver as suas propostas apreciadas em relação ao “impacte ambiental” pelos mesmos indivíduos que diariamente, ali ao lado, despejam esgotos sem tratamento na água e terrenos circundantes. A questão nem está em se o podem fazer, porque pelos vistos podem fazer o que querem, mas sim se têm competência para fazê-lo, porque à vista está que de incompetência estão o ambiente e o Rio Tâmega cheios desde 2007.

 

20873354_j7I5A - Blogue 29032018.jpg

 Fonte: Imagem de fundo e notícia Diário @tual, 11 de Março de 2017

 

Para ver mais fotos de mais de 10 anos de poluição diária (desde 20 de Outubro de 2007) siga a ligação: http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/esgotos

 

Fica o contador actualizado: 

Nº de dias de poluição (desde 20102007) = 3812 dias (PSD 3655; PS 157)

Nº de dias de atraso da obra do emissário (desde Junho de 2017) = 300 dias (PSD 143; PS 157)

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 28 de Março de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Joaquim Estorga Salgado"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Em todas as aldeias existem personagens tratadas com deferência, sem muitas das vezes terem aparentemente nada que os destaque dos restantes habitantes, enquanto outros deveriam permanecer na memória coletiva, só restando deles o nome ou talvez uma simples fotografia, já agastada pelo tempo.

 

Quando procuramos saber quais os outeiro secanos que foram mobilizados para a 1ª. Guerra Mundial de 1914-1918, fomos confrontados que no espaço de duas décadas, nas gerações mais idosas, esses acontecimentos tinham praticamente caído no esquecimento.

 

_D804595.JPG

 

Pelo que soubemos é que essas ocorrências deixaram traumatismos, e marcas que muitas das vezes não queriam ser relembradas e que foram passadas em terras bem distantes, e que após o seu regresso, e a dureza dos tempos que corriam, e uma vida intensa relegaram esses acontecimentos para segundo plano, ou passaram para o esquecimento.

  

Foi com grande surpresa quando procedíamos à nossa investigação sobre os combatentes de Outeiro Seco, sendo eles os seguintes; “ Manuel dos Santos, José Figueiras, Francisco Morgado, Filipe Ranheta (este natural de V. Verde Raia), Sargento José Francisco Gonçalves Sevivas, Abel Agrela, 1º. Cabo Joaquim Estorga Salgado, Albino de Carvalho, soldado nº 929, filho de João Carvalho e Maria Silvana, único outeiro secano falecido em terras de França, faleceu em 06/03/1918 de tuberculose pulmonar, pertencia à 1ª. Companhia do Regimento de Infantaria 19. Mas será apenas sobre o combatente, Joaquim Estorga Salgado que aqui vamos escrever.

 

O Joaquim nasceu em Outeiro Seco a 03/08/1893, filho de António Estorga Salgado e de Maria Júlia Alves ou (Portela) era o 2º. Filho do casal de um total de 8 irmãos.

 

02_BER6916-Tratada-Blogue.jpg

Fotografia gentilmente cedida pela Ana Maria Salgado

 

O Joaquim percorreu as ruas da maravilhosa aldeia de Outeiro Seco, durante a sua mocidade, aqui conviveu com outros jovens, foi nesta aldeia que aprendeu as primeiras letras.

 

Já com os seus 19 anitos viu na madrugada do 08/07/1912, passar as tropas de Couceiro.

 

Quis o destino que logo no ano seguinte (1913), o Joaquim assentasse praça no Regimento de Infantaria 19. Faz a sua recruta no R.I. 19, sendo promovido no final da recruta a cabo, talvez esta promoção ou a falta de perspetivas levem Joaquim, a seguir a vida militar.

 

Já em pleno ano de 1914, as coisas pela Europa não estão famosas, paira no ar o som dos tambores de Guerra.

 

Chegado o mês de Janeiro de 1915, logo no início o Regimento de Infantaria 19, de Chaves, no seu 3º. Batalhão, é recebida a ordem de mobilização com destino a Africa, pois as colónias eram alvo de investida por parte dos Alemães.

A 17 de Janeiro de 1915, procede-se ao sorteio das praças das classes de 1912 e 1913, do 1º. e 2º. Batalhão de Infantaria 19, e que deveriam completar o efetivo a mobilizar.

 

04-img-207135541-0001-Blogue.jpg

Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

A 28 de Janeiro, seguiu para Lisboa o 1º. Contingente de soldados do R.I. 19, sendo fixada a partida dos restantes soldados o dia 31 de Janeiro de 1915.

 

Às 13 horas do dia 31/01/1915, após uma breve alocução, pelo Coronel Augusto César Ribeiro de Carvalho, comandante do Regimento, toda a força militar saiu a caminho de Vidago. Nesse mesmo dia parte o comboio com destino à Régua, onde seria feito o transbordo com destino ao Porto.

 

Às primeiras horas do dia 1 de Fevereiro, chegavam ao Porto, feito novo transbordo para o comboio que os levaria a Lisboa (Santa Apolónia), sendo logo feito o desembarque, seguem para o quartel da Cova da Moura, à espera da viagem marítima.

 

Às 12 horas do dia 3 de Fevereiro, todo o pessoal e material, já se encontra no paquete Portugal, da parte da tarde larga âncora com destino à Madeira, fazendo ai escala, para logo no dia seguinte seguir novamente viagem com destino a Angola.

 

 

05-img-207135717-0001-Blogue.jpg

 Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Já ao amanhecer do dia 19 de Fevereiro, se avistava a baia de Luanda permanecendo ai algumas horas, para logo iniciar viagem com destino ao porto de Moçâmedes, onde chegou às 7 horas do dia 23 de Fevereiro. Nesse mesmo dia desembarca todo o Batalhão, dirigindo-se de imediato para o acampamento, no lugar das Hortas.

 

Em 20 de Março aí permanecem no acampamento, durante a sua permanência em Moçâmedes, onde prestam vários serviços, o Batalhão procedeu a várias escoltas de comboios, tendo essas operações sido confiadas aos 1º. Cabos, e que a seguir são mencionados, e os quais cumpriram essa missão com a maior lealdade e patriotismo:

1º. Cabo Manuel Monteiro, José Gomes, Ildefonso Valério Ferreira Pinto, José do Nascimento, Cassiano José Mendes; Cesar Augusto Mirandês, Guilherme Ribeiro, Manuel Joaquim, João Maria Teixeira, Domingos Alves Mestre, Eduardo Leitão dos Santos, Artur Elias Sousa, Henrique Pascoal, Algemino Duarte, José Lopes Diogo, Francisco Augusto de Sousa, e JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

A 2 de Julho o Batalhão deixa Moçâmedes. Já na noite de 3 de Julho chega a Quilemba, executando na manhã do dia 4 marcha ate Lubango, onde ficou alojado.

 

 

06-img-207135732-0001-Blogue.jpg

Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

A 16 de Julho aí é instalado o quartel-general, serão os contingentes da 11ª. Companhia e 12ª. que vão fazer parte da conquista do Cuahama, sendo assim dado começo ao 2º. período das operações além Cunene.

 

No dia 24 de Julho às 7 horas a Companhia 11ª e 12ª partem para Humbe, onde chegaria a 9 de Agosto com 302 soldados e os seguintes oficiais, sargentos e 1º. Cabos.

12ª. Companhia, Capitão António Rodrigues da C. Azevedo, Alferes Frederico Tamagnini de S. Barbosa, João Almeida Serra, Henrique Perestrelo da Silva, 1º. Sargento Rafael Gama, 2º. Sargento Amílcar Afonso P. Camoezas, António Mendes Cardoso, Ermogénio de Almeida, Júlio António da Trindade, 1º. Cabos António dos Santos, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, Guilhermino Ribeiro, José do Nascimento, João Eduardo Coelho, José Joaquim Dias Pereira, Henrique Pascoal Artur Rodrigues, António Rodrigues e Firmino Morais.

 

A 20 de Agosto toda a 12ª. Companhia passa a fazer parte da coluna do Cuamato, marchando para o Vau de Chimbua. Incorporados no destacamento do Cuamato, tendo tomado parte no combate da #Chana da Mula# em 24 de Agosto. Vindo depois a ser incorporados no destacamento de Negiva. Sendo destacados no posto de Oxinde desde 4 de Setembro. Sendo as forças de Infantaria 19 incorporadas nesse destacamento.

 

Já quase a findar o ano de 1915, e no dia 13 de Dezembro, o 3º. Batalhão de Infantaria 19, marcha de Lubango a Vila Arriaga, para voltar a Moçâmedes, regressando ao continente em 11 de Março de 1916, chegando ao regimento de Infantaria de Chaves a 31 de Março 1916, tendo ficado em terras de Africa 33 bravos transmontanos.

 

O outeiro secano Joaquim regressa à sua terra natal, mas continua ao serviço do R. Infantaria 19, tinha à sua espera a família e a sua futura esposa.

 

Joaquim Estorga Salgado casa nesse mesmo ano em 07/12/1916, com Ana Chaves Barrocas, o jovem recém-casado passa pouco tempo com a sua esposa, desconhecendo o que a sorte lhe reservava.

 

Às 24 horas do dia 21 de Maio de 1917, saia de Chaves com destino a Lisboa, o 1º. Batalhão de Infantaria 19, a fim de constituir em França o 2º. Depósito de Infantaria do Corpo Expedicionário Português.

 

Nele seguia o outeiro secano Joaquim Estorga Salgado do 1º. Batalhão, 2ª. Companhia e do 2º. Depósito de Infantaria sendo o 1º. Cabo nº 380 cabendo-lhe a placa de identificação nº. 9876, embarcou com destino a Brest (França) em 23/05/1917.

 

Chegado a terras de França, a 13/06/1917, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, é colocado no batalhão do Regimento de Infantaria 21, com vários outros bravos transmontanos. Embora dispersos pelos vários Batalhões, em terras de França, os bravos transmontanos do 19 de Infantaria, cantavam por vezes, até mesmo em plena 1ª. linha o Hino do Regimento de Infantaria 19, da autoria do Flaviense “Gastão de Sousa Dias”.

 

 

07-img-207135748-0001-Blogue.jpg

 Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Em pleno mês de Março de 1918, todo o sector Português, era um autentico inferno de ferro e fogo, e que viria a ter por epilogo a batalha de “La-Lys”, os valorosos transmontanos de Infantaria 19, lembrando os velhos tempos. E os grandes dias de glória, laçam-se sobre as trincheiras inimigas no subsector de “Ferme de Bois”, num importante “raid” e inutilizam a 2ª. linha alemã. Pela maneira como se portaram em tão importante ação uns foram promovidos e outros condecorados. Entre eles o outeiro secano JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

Do épico “raid” de 9 de Março de 1918, cabe ainda mais glória à Infantaria 19. Nele tomaram parte com elogiosas referências, os sargentos desta unidade Albano Joaquim do Couto, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, os quais foram assim distinguidos”.

 

 

JOAQUIM ESTORGA SALGADO

Condecora com a Cruz de Guerra de 4ª. Classe Military Medal Inglesa e louvado, pela decisão e valentia de que deu provas no comando da fracção que lhe foi confiada no “raid”, efectuado com completo êxito pela sua companhia em 9 de Março de 1918-O.E. nº. 10 (2ª. Série) de 1920”.

Lembramos ainda que o Joaquim Estorga Salgado, em 22 de Dezembro de 1917, era promovido ao posto de Sargento.

 

Em 16/03/1919, apresenta-se no Comando Militar em França, a fim de seguir para Portugal, tendo desembarcado em Lisboa no dia 3 de Abril de 1919.

 

 

_D700885ac-Blogue.jpg

 

Feita a sua apresentação no R. Infantaria 19 em Chaves. Regressa à sua terra natal, para recuperar de algumas mazelas da guerra.

 

Feita essa recuperação deixa também o serviço militar, sendo a sua permanência na aldeia, muito curta. Parte à procura de uma vida melhor, conjuntamente com a sua esposa e filha mais velha, vai viver e trabalhar para Anadia. No posto Agrícola de Anadia, aí permanece alguns anos.

 

Talvez pelo ano de 1924, regressa à terra natal, passando a trabalhar na Escola Agrícola Móvel Alves Teixeira em Vidago. Vindo a falecer em 26/03/1949. Tendo deixado quatro filhos: Maria, Eugénio, Augusto, e António, também já todos falecidos.

 

_BER4448ac-Blogue.jpg

  

Orgulhe-se Outeiro Seco, e não esqueça, este “seu filho” que terá sido um herói que andou por terras de África, passando mais dois anos de combates contínuos na 1ª. Guerra Mundial, e de grande sofrimento, soube ultrapassar as dificuldades, atuando nos momentos de perigo de forma destemida e heroica, como lhe foi reconhecido nos louvores que recebeu.

  

   João Jacinto

 

Consulta:

Arquivo Distrital de Vila Real

Livro de Batismos de Outeiro Seco

Arquivo Militar

Informações recolhidas na aldeia

Blog Genealogia

 

Nota:

Republicação de dia 12 de Fevereiro de 2014

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

Contributos2014.jpg

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Humberto Ferreira . Berto Alferes

Pesquisar neste blog

 

Abril 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
13
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Posts recentes

Poluição em Outeiro Seco ...

Outeiro Seco - Dia Intern...

Fotografia - Ao acaso

Outeiro Seco - Igreja de ...

Vamos até Sarraquinhos - ...

Vamos até Sarraquinhos - ...

Poluição em Outeiro Seco ...

Fotografia - Ao acaso

Outeiro Seco - Solar dos ...

Contributos - João Jacint...

Vamos até Sarraquinhos - ...

Outeiro Seco - Dia Nacion...

Poluição em Outeiro Seco ...

Fotografia - Ao acaso

Outeiro Seco - Capela de ...

Boa Páscoa

Vamos até Covêlo do Monte...

Auto da Paixão 2014 - Out...

Poluição em Outeiro Seco ...

Contributos - João Jacint...

Casa de Cultura Popular d...

Outeiro Seco - Tanque e R...

Vamos até Torgueda - Mont...

Mudança da Hora – 25 Març...

Vamos até Torgueda - Mont...

Auto da Paixão 2014 - Out...

Poluição em Outeiro Seco ...

Contributos - João Jacint...

Fotografia - Ao acaso

Outeiro Seco - Ex-escolas...

Arquivos

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

acisat

agricultura

aldeias

ama

ambiente

amnistia internacional chaves

ana maria borges

antigamente

ao acaso

aqi

auto da paixão

berto alferes

boticas

casa de cultura

chaves

cogumelos

coleccionismo

comboios

contributos

desporto

dinis ponteira

diogo rolim

direitos humanos

esgotos

exposições

família

fátima

fauna

faustino

feira do gado

feira dos santos

fernando ribeiro

festa do reco

flora

fotografia

galiza

humberto ferreira

incêndio

isaac dias

j.b.césar

joão jacinto

joão madureira

josé arantes

lamartinedias

laura freire

legislação

lixo

luís montalvão

lumbudus

máquinas fotográficas antigas

marco costa

miguel ferrador

montalegre

natureza

notícias

olhares

orçamento participativo

orçamento participativo 2015

outeiro seco

pablo serrano

património

pedro afonso

pitões das júnias

políticos

recortes

regina celia gonçalves

religião

rita gonçalves

romeiro de alcácer

santarém

são sebastião

segirei

sr. luís fernandes

sr.joãojacinto

suas cabras

tiago ferreira

tradições

tupamaro

vamos até

verin

vidago

vítor afonso

todas as tags

Favoritos

Ocasionais

Blogues Amigos




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License

Lumbudus

Tradições

Património

Coleccionismo

Fauna

Flora

Aviso




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

Visitas:

subscrever feeds