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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

Matanças

 

Estamos em época das tradicionais matanças. O fim de semana passado não foi dos melhores, porque choveu, mas as famílias gostam de deixar tudo pronto e limpo antes das festas natalícias.

 

Nos tempos que correm, já poucas são as matanças e ainda menos os que sabem fazê-las. Porque matar, quase qualquer um os mata. O problema, para quem tem menos prática nestas andanças, é abrí-los (limpá-los) e no dia posterior desfazê-los.

 

Hoje, vamos deixar de parte o espetar da faca, os guinchos, o sangue a espirrar, os "carvalhos" proferidos pelos agarradores que deixam escapar uma pata, o queimar e o lavar e, vamos directamente "abancar" para comer o sangue.

 

Habitualmente, a "mesa" é posta em cima de um dos porcos acabado de lavar.

 

 

 

É então servido o sangue cozido e escorrido, condimentado com alho e malagueta (para quem gostar) e, regado com bastante azeite. Ao lado está o pão centeio, o vinho (já do novo) e pasteis de Chaves para quem não gostar do sangue.

 

 

 

Tal como dizam os nossos antepassados, que "quem vê um porco, vê um político", também diziam "que do porco, tudo se aproveita, menos os cornipos". Por isso os matões tinham de saber, abrí-los (sem rebentar nada) e, esmiuçá-los ou retalhá-los, separando cada uma das partes pelas bacias (antes alguidares), consoante a finalidade a que se destinasse.

 

 

 

Na fotografia anterior, vemos o meu pai a retirar o unto que está agarado na parte interior das bandas. Hoje, já não se faz o unto, mas antigamente, normalmente era feito um com sal, que servia para a culinária (por exemplo, o caldo de unto) e outro sem sal, usado para ensebar tudo o que fosse de cabedal e assim protegê-los da humidade no inverno e das gretas provocadas pela ressequidão do estio do verão. Assim, ensebavam-se as botas e todos os arreios no nosso caso dos cavalos/éguas, mas anteriormente dos bois/vacas. Quanto o unto sem sal acabasse, era também utilizada a gordura dos cordeiros com a mesma finalidade. Nos cordeiros a gordura (sebo) que se utilizava era a que estava em volta dos rins e do estômago.

 

Depois, cabia as mulheres separar as tripas do redanho (redranho, na nossa terra e, que serve para fazer rojões ou rijões, como se diz por cá) e aproveitar aquelas que irão servir para o fumeiro.

 

 

 

No final, com o trabalho feito, fica uma foto do matão e dos agarradores.

 

 

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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2 comentários:
De Luís Fernandes a 18 de Dezembro de 2012 às 12:19
Uma breve descrição da «matança do reco», com boas fotografias (bem, não fosse o autor um “lumbudus” de excelência!).
Claro que o autor do Post(al) se farta com todas as coisas boas de que fala e de todos os proveitos que se tiram do reco.
E, como é boa pessoa, ora veja lá se nos deixa petiscar da assadura e…. do palóio!
Prometemos que lhe tiramos um retrato com toda a nossa técnico-táctica!..........

Luís Fernandes
De Humberto Ferreira a 19 de Dezembro de 2012 às 09:08
Muito obrigado,
Berto

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