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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Lendas de Outeiro Seco - A Moura Encantada"

 

 

 

Lendas de Outeiro Seco: A MOURA ENCANTADA

 

Junto à verdejante e mimosa aldeia de Outeiro Seco, encontra-se uma elevação de terreno bastante grande, a qual denominam pelo nome de "O CABEÇO".

 

 

Ao poente, avista-se a povoação de Bustelo, embutida na serra que lhe dá beleza e atracção, ora oferecendo à nossa vista o verde carregado dos pinhais, ora o doirado das searas quando estão maduras; ao norte veem-se algumas terras de cultivo e o pequeno ribeiro que apressado vai cantando as suas canções por entre os amieiros das margens, aos quais dá ósculo de despedida. Quem deixando de contemplar a paisagem, se resolve descer a encosta em direcção ao ribeiro, no meio da descida encontrará uma gruta, à qual chamam a gruta da moura encantada.

 

 

Era primavera. À volta tudo estava transformado num jardim encantador que oferecia ao visitante não só a beleza incomparável das mais variadas flores, como também o suave aroma que se desprendia das suas corolas pairava no ar por toda a parte. Como aí as pastagens eram abundantes, pois na aldeia infelizmente havia muitos rebanhos, para aí iam com frequência os pastores.

 

 

Um dia, enquanto os outros saboreavam as merendas, um pastor encontrava-se em silêncio. Causando grande admiração aos restantes, porque era sempre o mais tagarela. Assentado numa pedra com a mão a fazer de suporte à cabeça, sem olhar perdia-se na amplidão do horizonte, enquanto passavam na sua mente os mais variados pensamentos. O Sr. Joaquim, como o mais velho na idade e na vida pastoril, olhando para o jovem pastor, disse em tom de riso:

 

- "Pobre rapaz! desde que te lembraste de casar com a filha do Zé Gaiteiro, a alegria não quis ficar contigo. Porque não namoras com a Justina pastora, que é uma rapariga bonita e se morre por ti? Querias ser fidalgo!..."

 

Mas o jovem não fez o mais pequeno movimento, o velho ao notar não serem escutadas por ele as suas palavras, um tanto zangado, dá um empurrão ao Manuel, que o lançou por terra. Só neste momento, o jovem pastor olhou para o velho, perguntando-lhe o que desejava. O velho, já raposa matreira logo notou que havia alguma coisa de extraordinário no rapaz fazendo-se o melhor amigo logo acrescentou:

 

- "Vinha chamar-te para ver se queres comer da minha merenda, pois andas tão triste...... se alguém te fez qualquer desfeita diz-me quem foi porque esse ultraje o vingarei, como só eu sou capaz...."

 

- "Não", acrescentou o jovem. "Sinto em mim tanta alegria e também tão grande tristeza, que não posso mais. Como, o tio Joaquim é um velho amigo e sei que não diz nada, vou contar-lhe o motivo porque estou assim. Conhece ali em baixo a gruta?"

 

- "Oh se conheço, exclamou o velho. Faz amanhã quinze dias que eu estive lá, recolhido para não me molhar, porque chovia a cântaros."

 

- "Nessa gruta", continuou o Manuel, "está uma moira encantada que já falou algumas vezes comigo e amanhã de tarde, torna-me a aparecer e fica junto de mim para nos casarmos, ou dar-me-à uma grande quantia de dinheiro."

 

 

O velho, ao ouvir falar em dinheiro, ficou com grande inveja, por causa de a linda moura encantada o não ter escolhido, para as suas grandes dádivas e conversar, porque embora velho, era o mais esperto e bonito dos pastores, dizia o tio Joaquim para consigo. Despedindo-se do rapaz, que de novo se assentou na pedra, foi logo dizer a notícia aos outros. À noite, toda a povoação tinha conhecimento da habitação da moura encantada, e na tarde seguinte, todos os habitantes se dirigiram para a gruta, onde já se encontrava o rapaz. Embora esperassem bastante tempo dizia a lenda, nada lhes apareceu, pois o pastor tinha dito tais coisas porque estava louco.

 

Autor: L. M. C.

Ano: 1959

 

João Jacinto

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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2 comentários:
De Nuno Santos a 16 de Janeiro de 2013 às 15:09
Confesso que não conhecia esta versão. Conhecia a da D. Mimi Montalvão Cunha, que se passava na fonte do encanto ainda conhecida como tal, situada num terreno propriedade do Sr. António Praça, hoje presumo que seja da sua sobrinha Dina.
O final era diferente porque quando a população se aproximava do local do encanto ouviram gritos lancinantes de desespero dizendo.
- Ai que me desgraçaste! Ai que me desgraçaste!
Isto por o pastor ter quebrado a jura de ir sózinho à fonte quebrar o encanto.
Cmp.
Nuno Santos
Creio já não ser novidade mas aqui fica a informação para visitarem o meu blog em:
http://outeirosecanoemlisboa.blogs.sapo.pt/
De Humberto Ferreira a 17 de Janeiro de 2013 às 07:51
Bom dia Nuno,
Obrigado pelo teu comentário.
Quanto ao teu blogue para mim é novidade e fico contente com a mesma.
Já deixei uma ligação na barra lateral e já o visitei.
Parabéns pela iniciativa.
Um abraço,
Berto

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