PÁSCOA DE ANTIGAMENTE
Tradições desaparecidas
A Páscoa representa para os cristãos a festa de Ressureição de Cristo. Durante séculos estalaram diversas contendas entre a cristandade, no que diz respeito à celebração da Páscoa.
Foi no 1º. Concílio de Niceia, que estabeleceram no ano de 325 a celebração no primeiro domingo depois da primeira lua cheia da Primavera, dentro do espaço temporal entre 22 de Março a 25 de Abril.
Quinta -Feira de endoenças
Sexta-Feira de Paixão
Sábado de Aleluia
Domingo de Ressureição
(esta quadra ainda hoje se houve às pessoas idosas da aldeia)
Depois de terça-feira de Entrudo, tem início a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, tempo de jejum e abstinência e de grande tristeza, e um grande clima de religiosidade, era comum nas mulheres da aldeia, vestidas todas de negro, e as mais novas evitavam as cores garridas.
Também nos trabalhos agrícolas, não se ouviam cânticos, pois os homens nem podiam assobiar, não se diziam palavrões, além de várias outras coisas.
Nas igrejas ou capelas, não se colocavam flores nos altares e os santos eram ocultados com tecidos de cor roxa ou preta. Também o uso do sino era restringido. Era um tempo de silêncio e recolhimento colectivo. Na Quinta-Feira Santa, pelo meio-dia tocava o sino, tudo regressava a casa, até Sexta-Feira Santa ao meio dia, tudo era proibido: lavar, estender a roupa, pentear, fiar, cozer o pão…
Durante esse período da Quaresma até ao dia de Páscoa, havia um ritual ou seja uma tradição antiquíssima da cultura popular, e que desapareceu completamente da aldeia de Outeiro Seco. Sabemos que teve a sua origem no Século XV, não sabemos quando foi realizada pela última vez na aldeia. Sabemos que era às quartas-feiras (noite), e sextas (noite).
Sabemos também que nessa altura uma pessoa de Vila Verde da Raia se deslocava a Outeiro Seco, nesses dias para celebrar a “Encomenda das Almas” ou “Encomendação das Almas”. O seu nome era “Gilo Mouco”.
Este indivíduo subia à torre sineira da igreja, que era o ponto mais alto e era acompanhado por outro indivíduo. Davam início por volta das 22.00 horas à “Encomenda das Almas”, dando três badaladas no sino, e começava a recitar umas quadras em tom melancólico, entre cada quadra davam-se três badaladas, e rezava-se um Pai Nosso, e uma Avé Maria, e o povo recolhido em casa, acabada a quadra rezava.
Tenho algumas quadras recolhidas. Há uns bons anos, que uma pessoa da aldeia, já falecida em 1995, teve a amabilidade de nos transmitir, e por mim registadas na altura. Apenas vou aqui passar algumas, visto serem bastantes.
Acordai ò irmãos meus
Desse sono tão profundo
É bom que nos lembremos
Das Almas do outro mundo
(três badaladas)
Pai Nosso e Avé Maria
Acordai ò irmãos meus
Não vós fiqueis a dormir
Que as Almas do outro mundo
Orações estão a pedir
(três badaladas)
Pai Nosso e Avé Maria
Olha Cristão que és terra
Olha que hás-de morrer
Hás-de dar conta a Deus
Do teu bom e mau viver
(três badaladas)
Pai Nosso e Avé Maria
Confessa os teus pecados,
Emenda a tua vida
Que a morte te anda buscando
De noite e mais de dia
(três badaladas)
Pai Nosso e Avé Maria
E por aí fora. As pessoas da aldeia acompanhavam isto repetindo o Pai Nosso e Avé Maria, reunidos junto à lareira.
A pessoa que teve a gentileza de nós passar este testemunho, além de mais algumas coisas, pois que ela também o recebeu de sua mãe, e de um outro Senhor Manuel Pipa, pai dos Pipas de Outeiro Seco e que estava casado com a Senhora Rita Vilarelho, foi a Sra. Ana dos Santos Batista, mais conhecida por “Ana Moucha”.
Que Deus a tenha no Reino da Glória, e daqui um muito obrigado por nos legar este testemunho, se não teria sido tudo perdido.
Também temos conhecimento que esta tradição ainda se pratica na aldeia de Cimo de Vila da Castanheira.
João Jacinto
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