Outeiro Seco - AQI...

Tempo Outeiro Seco
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Contributos - Sr. João Jacinto - "Capela da Senhora da Portela"

 

 

 

CAPELA DA SENHORA DA PORTELA

 

Há dias chegava-me via email, duas folhas escritas das quais desconheço o seu autor, referiam-se as mesmas à Capela da Senhora da Portela.

 

Verifiquei que o autor(es), afirmava(m) que a Capela teve o seu início de construção por volta de 1700, dizendo ainda que um dos seus beneméritos seria o Capitão de Cavalos Joseph Alvares Ferreira, onde se encontra sepultado.

Do meu ponto de vista, o autor(es), de tal escrito, das duas uma ou desconhece(m) a história de Outeiro Seco, ou não deve(m) saber o que escreve(m). Não vou aqui fazer juízo de valores, nem muito menos crucificar seja quem for, mas apenas esclarecer.

 

 

As Capelas públicas fazem parte integrante do património da aldeia. E fazem parte da memória colectiva da comunidade onde estão inseridas. São memória, enquanto nós representamos a herança dessa memória legada pelos nossos antepassados.

 

Assim as capelas representam a memória dos homens, e o pulsar das comunidades, sendo ainda os sinais da sua identidade, e são elas que representam algo de cada um. E por muito pobre que uma capela seja, ela representa o passado, e por isso deve continuar a sua função.

 

Quem reparar no local onde primitivamente foi erigida a Capela da Senhora da Portela, chega a uma só conclusão: num ponto mais alto, num local completamente isolado (pois a última casa do Eiró, nessa época seria onde hoje está a casa do António Figueiras (Pulante).

 

 

Mas porquê? Haverá uma explicação para tal facto?

 

Uma Capela erigida no séc. XVII ou XVIII, num alto ou num local isolado, revestia-se de protecção, de bênção para o território que abrangia, e paz espiritual, já que funcionava como protectora e último reduto dos aflitos.

 

A Capela sacralizava o tempo e o espaço que evoluía e quanto mais longe dos seus devotos, mais importância e poder tinha. Conferia prestígio a quem a mandava erigir e que por isso cuidava dela em todos os pormenores.

 

O nome da invocação da sua padroeira, é um factor importante para a comunidade paroquial. A Capela - a sua Padroeira - não só vela e intercede pela alma daqueles que já morreram, como é a certeza da garantia do amparo e da protecção de Deus, para os bens da terra.

 

 

A devoção à Senhora da Portela é enorme ao longo dos séculos: Mas vamos ao que de facto nos interessa. Se a data do início da construção da Capela da Senhora da Portela fosse o ano de 1700, o Capitão de Cavalos Joseph Alvares Ferreira, nunca poderia ser o seu benemérito.

 

E porquê? Porque este Senhor, só casa em Outeiro Seco com Dona Maria Sobrinho a 5 de Setembro de 1711, na Igreja de São Miguel de Outeiro Seco, sendo seu vigário Paulo de Mesquita Borges e que exercia o cargo de Reitor. Se de facto é o Capitão de Cavalos o seu benemérito a construção da Capela só pode ocorrer depois de 1711.

Assim como a Igreja Paroquial de São Miguel, é muito provável que o final da sua construção seja o ano de 1691, pois os primeiros actos oficiais na respectiva Igreja datam de Fevereiro de 1692.

 

 

Mais uma informação a pia baptismal, da igreja de São Miguel era a pia da igreja da Senhora da Azinheira, só por volta do início dos anos 20 regressa à Sra. da Azinheira.

 

Mas voltando à Capela da Sra. da Portela, verificamos que se trata de uma Capela pública e não particular. E porquê? Pelo facto de ai serem sepultadas pessoas da aldeia, satisfazendo a sua última vontade.

 

Vejamos:

1726 - Gaspar Rodrigues - Viúvo de Maria Fernandes- Sepultado debaixo do Cabido da Sra. da Portela.

1729 - Mariana - Filha de Gonçalo e Maria Pereira - Sepultada dentro da Capela da Sra. da Portela.

1738 - Joseph Alvares Ferreira - Capitão de Cavalos - Sepultado dentro da Capela da Sra. da Portela

1744 - Padre Caetano de Morais Sarmento - Natural do lugar e termo de Vinhais, e morador em Outeiro Sequo, fez testamento deixou que fosse sepultado na Capela da Sra. da Portela.

 

 

Mas não ficamos por aqui, caro e amigo leitor, e não fique admirado pelo que aqui vamos transcrever:

 

"Invocação da Senhora da Portela, ou por outro apelido da Senhora dos Prazeres a que a imagem tida de vulto, com outra imagem em vulto de São Francisco das Chagas. No seu interior e por detrás do altar a parede estava revestida a frescos (pinturas), só que os homens desta época desconhecedores do valor dessa grandiosa obra, revestiram as paredes de barro e cal, cobrindo assim o que havia de mais belo".

 

Talvez o amigo leitor ao acabar de ler, pense que estamos a divagar. Não caro leitor, estamos apenas a dar-lhe conhecimento daquilo que fazia parte desta maravilhosa Capela.

É aquela que viu a seu lado passar as tropas de Napoleão, e que assistiu muitas mães de Outeiro Seco que aí solicitaram e pediram graças.

 

 

Mas não quero caro leitor maçar-vos mais com esta história, porque muito ainda fica por dizer.

Um bem-haja para todos. Viva Outeiro Seco.

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
8 comentários:
De Anónimo a 27 de Fevereiro de 2013 às 14:23
Boa tarde!
Anda todo este texto à volta do significado da palavra "benemérito"....
cumprimentos
De Humberto Ferreira a 28 de Fevereiro de 2013 às 06:49
Bom dia,
Também, mas não só.
Obrigado pelo comentário,
Berto
De Lurdes a 27 de Fevereiro de 2013 às 18:20
O assunto do dia de hoje tal como outros já aqui publicados são de verdade muito importantes, pois trata-se da nossa história.....ficamos á espera de mais info .

Sr. João Jacinto, obrigada pela sua troca de informações, pois estou ficando a conhecer mais das historias da nossa/minha terra.

Um continuação de otimo dia para todos e desfrutem da neve.

Lurdes Figueiras
De Humberto Ferreira a 28 de Fevereiro de 2013 às 06:49
Bom dia Lurdes,
Obrigado pelo comentário,
Berto
De Nuno Santos a 27 de Fevereiro de 2013 às 23:41
Considero este texto do João Jacinto, o melhor de quantos tem escrito neste blog, como contributos para a história da nossa aldeia. Lamento porém que não tenha valorizado o propósito da comissão promotora para a recuperação da capela, pelo contrário limita-se a enfatizar segundo ele a falta de rigor histórico do texto. Mas como ele escreve "As Capelas públicas fazem parte integrante do património da aldeia. E fazem parte da memória colectiva da comunidade onde estão inseridas. São memória, enquanto nós representamos a herança dessa memória legada pelos nossos antepassados".
Ora se essa memória nos foi legada pelos nossos antepassados, também nós temos a responsabilidade de a preservarmos, para a legarmos aos vindouros mas essa responsabilidade cabe a todos os outeiro secanos, infelizmente parece que não estar assim entendida.
Um abraço,
Nuno Santos
De Humberto Ferreira a 28 de Fevereiro de 2013 às 06:50
Bom dia Nuno,
Obrigado pelo comentário,
Berto
De Anónimo a 28 de Fevereiro de 2013 às 11:43
Caro amigo Nuno Santos, o meu texto nunca teve a finalidade de atigir fosse quem fosse, nem nunca terão essa finalidade. Também sei que o texto não foi escrito por qualquer pessoa da referida comissão, e a pessoa que elaborou o texto deveria ter a obrigação de fazer melhor. Tenho contribuido sempre para tudo, nunca disse não, embora distante.È que este empenho que vejo desde ha uns tempos para cá, em algumas pessoas da aldeia. Nunca o tiveram noutros tempos. Nos tempos do Padre Sanches não os vi , e tambem se faziam obras,e peditórios. Onde estavam?E porquê?Tambem neste momento não sei dizer se a Capela é da Aldeia se da Diocese de V. Real, sei que em tempos a Diocese andou a colocar todo o património em seu nome.Mas isso quem deve esclarecer deve ser o Padre Zé. Sabes também como eu que muito patrimónia histórico da aldeia tem sido destruido recentemente, e aquilo que tenho visto, tudo calado.Então essas pessoas não tem nada a dizer.Onde estão?Pois é caro amigo, como diz o nosso povo "VALE MAIS QUEM ENGRACE, DO QUE SER ENGRAÇADO". Sabes amigo Nuno, é que em O. Seco algumas pessoas movem uma pedra são herois, outros movem montanhas são filhos da mâe. Um bom fim de semana e brinquem na neve, que é saudavel ok.joaojacinto
De Nuno Santos a 28 de Fevereiro de 2013 às 23:15
Amigo João Jacinto,
Desculpa que te diga mas parece-me que o teu comentário, continua a alimentar uma certa bipolarização, a qual eu gostaria de ver erradicada na nossa terra. Já somos tão poucos que, se não nos unirmos, vai ser difícil fazermos algo de positivo, do muito que é necessário fazer.
No teu comentário citas o Padre Sanches e sem que eu tenha alguma coisa contra o senhor, que Deus o tenha em descanso, não me recorda de alguma dinâmica que ele tenha imprimido, a não ser o movimento excursionista. É verdade que se fez obra nesse tempo, mas permite-me fazer justiça ao meu avô Eurico, que juntamente com o Sr. João Alferes (pai) durante anos os membros da comissão da fábrica da igreja, foram o motor de todas essas obras. Recordo-me da substituição do telhado, passando da telha de caleiro para a telha marselha, da pintura dos altares com excepção do altar mor, do tecto da capela-mor que haveria depois de ser forrada a madeira, nunca percebi bem porquê passando pela cobertura das capelas nomeadamente da Sant'Ana feita pelo agostinho Machado e Zé Carreira, da Sra da Portela feita pelo Sr. Mário Carvalho e eu próprio como seu ajudante e tantas outras. Quanto aos herois todos sabemos que os cemitérios estão cheios deles, mas é uma evidência de que em todos os momentos tem de haver líderes, e já lá diz o ditado, vale mais um ruim mandador do que um bom trabalhador mas por vezes esta situação não é bem vista não percebo bem porquê. Quanto à neve não a vi cá por Lisboa além disso confesso que a neve me deprime mais do que me relaxa.
Um abraço,
Nuno Santos

Comentar post

Humberto Ferreira . Berto Alferes

Pesquisar neste blog

 

Fevereiro 2020

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29

Posts recentes

Castelo de Monforte de Ri...

Águas Frias

Igreja de Nossa Senhora d...

Boas notícias: CMChaves n...

Geada

Geada

Geada

Bolideira

Pedra da Bolideira

Igreja de Nossa Senhora d...

Terceiro Passo (Via Sacra...

Igreja de São Miguel (Mat...

Capela de Santana (Santa ...

Castelo de Monforte de Ri...

Castelo de Monforte de Ri...

Igreja de Nossa Senhora d...

Tanque

Solar dos Montalvões

Hoje, São Sebastião em Vi...

Dia 20, vamos até ao São ...

Dia 20, vamos até ao São ...

Igreja de São Miguel (Mat...

Igreja de Nossa Senhora d...

Nosso Senhor dos Desampar...

Azeitona

Castelo de Monforte de Ri...

Castelo de Monforte de Ri...

Ex-escolas primárias

Romã

Igreja de Nossa Senhora d...

Arquivos

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

agricultura

águas de chaves

águas frias

aldeias

alturas do barroso

ama

ambiente

amial

amiar

amnistia internacional chaves

ana maria borges

antigamente

antónio souza e silva

ao acaso

aqi

aquanatur

aquavalor

arte digital

auto da paixão

barroso

berto alferes

boticas

camera collector

casa de cultura

cerdeira

chaves

chaves em festa

cidade de chaves

cogumelos

coleccionismo

comboios

contributos

desporto

dinis ponteira

esgotos

estrada nacional 2

exposições

fauna

faustino

feira do gado

feira dos santos

fernando ribeiro

festa comunitária

festa do reco

flora

fotografia

fotografia antiga

friães

galiza

humberto ferreira

j.b.césar

joão jacinto

joão madureira

lamartinedias

laura freire

legislação

lixo

lumbudus

máquinas fotográficas antigas

montalegre

museu de fotografia

n2

natureza

notícias

o poema infinito

old cameras

olhares

orçamento participativo

orçamento participativo 2015

outeiro seco

património

políticos

poluição

poluição em chaves

portugal

rapa das bestas

recortes

religião

rio tâmega

romeiro de alcácer

rota termal e da água

santarém

são sebastião

sarraquinhos

seara

sr. luís fernandes

sr.joãojacinto

suas cabras

telhado

termas de chaves

tiago ferreira

tradições

trás-os-montes

vamos até

verin

vidago

vidago palace hotel

vintage cameras

visit chaves

vítor afonso

todas as tags

Blogues Amigos




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License

Lumbudus

Tradições

Património

Coleccionismo

Fauna

Flora

Aviso




Creative Commons License

AVISO:
A cópia ou utilização das fotografias e textos aqui publicados são expressamente proibidas, independentemente do fim a que se destinam.
Berto Alferes

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

subscrever feeds