CAPELA DA SENHORA DA PORTELA
Há dias chegava-me via email, duas folhas escritas das quais desconheço o seu autor, referiam-se as mesmas à Capela da Senhora da Portela.
Verifiquei que o autor(es), afirmava(m) que a Capela teve o seu início de construção por volta de 1700, dizendo ainda que um dos seus beneméritos seria o Capitão de Cavalos Joseph Alvares Ferreira, onde se encontra sepultado.
Do meu ponto de vista, o autor(es), de tal escrito, das duas uma ou desconhece(m) a história de Outeiro Seco, ou não deve(m) saber o que escreve(m). Não vou aqui fazer juízo de valores, nem muito menos crucificar seja quem for, mas apenas esclarecer.
As Capelas públicas fazem parte integrante do património da aldeia. E fazem parte da memória colectiva da comunidade onde estão inseridas. São memória, enquanto nós representamos a herança dessa memória legada pelos nossos antepassados.
Assim as capelas representam a memória dos homens, e o pulsar das comunidades, sendo ainda os sinais da sua identidade, e são elas que representam algo de cada um. E por muito pobre que uma capela seja, ela representa o passado, e por isso deve continuar a sua função.
Quem reparar no local onde primitivamente foi erigida a Capela da Senhora da Portela, chega a uma só conclusão: num ponto mais alto, num local completamente isolado (pois a última casa do Eiró, nessa época seria onde hoje está a casa do António Figueiras (Pulante).
Mas porquê? Haverá uma explicação para tal facto?
Uma Capela erigida no séc. XVII ou XVIII, num alto ou num local isolado, revestia-se de protecção, de bênção para o território que abrangia, e paz espiritual, já que funcionava como protectora e último reduto dos aflitos.
A Capela sacralizava o tempo e o espaço que evoluía e quanto mais longe dos seus devotos, mais importância e poder tinha. Conferia prestígio a quem a mandava erigir e que por isso cuidava dela em todos os pormenores.
O nome da invocação da sua padroeira, é um factor importante para a comunidade paroquial. A Capela - a sua Padroeira - não só vela e intercede pela alma daqueles que já morreram, como é a certeza da garantia do amparo e da protecção de Deus, para os bens da terra.
A devoção à Senhora da Portela é enorme ao longo dos séculos: Mas vamos ao que de facto nos interessa. Se a data do início da construção da Capela da Senhora da Portela fosse o ano de 1700, o Capitão de Cavalos Joseph Alvares Ferreira, nunca poderia ser o seu benemérito.
E porquê? Porque este Senhor, só casa em Outeiro Seco com Dona Maria Sobrinho a 5 de Setembro de 1711, na Igreja de São Miguel de Outeiro Seco, sendo seu vigário Paulo de Mesquita Borges e que exercia o cargo de Reitor. Se de facto é o Capitão de Cavalos o seu benemérito a construção da Capela só pode ocorrer depois de 1711.
Assim como a Igreja Paroquial de São Miguel, é muito provável que o final da sua construção seja o ano de 1691, pois os primeiros actos oficiais na respectiva Igreja datam de Fevereiro de 1692.
Mais uma informação a pia baptismal, da igreja de São Miguel era a pia da igreja da Senhora da Azinheira, só por volta do início dos anos 20 regressa à Sra. da Azinheira.
Mas voltando à Capela da Sra. da Portela, verificamos que se trata de uma Capela pública e não particular. E porquê? Pelo facto de ai serem sepultadas pessoas da aldeia, satisfazendo a sua última vontade.
Vejamos:
1726 - Gaspar Rodrigues - Viúvo de Maria Fernandes- Sepultado debaixo do Cabido da Sra. da Portela.
1729 - Mariana - Filha de Gonçalo e Maria Pereira - Sepultada dentro da Capela da Sra. da Portela.
1738 - Joseph Alvares Ferreira - Capitão de Cavalos - Sepultado dentro da Capela da Sra. da Portela
1744 - Padre Caetano de Morais Sarmento - Natural do lugar e termo de Vinhais, e morador em Outeiro Sequo, fez testamento deixou que fosse sepultado na Capela da Sra. da Portela.
Mas não ficamos por aqui, caro e amigo leitor, e não fique admirado pelo que aqui vamos transcrever:
"Invocação da Senhora da Portela, ou por outro apelido da Senhora dos Prazeres a que a imagem tida de vulto, com outra imagem em vulto de São Francisco das Chagas. No seu interior e por detrás do altar a parede estava revestida a frescos (pinturas), só que os homens desta época desconhecedores do valor dessa grandiosa obra, revestiram as paredes de barro e cal, cobrindo assim o que havia de mais belo".
Talvez o amigo leitor ao acabar de ler, pense que estamos a divagar. Não caro leitor, estamos apenas a dar-lhe conhecimento daquilo que fazia parte desta maravilhosa Capela.
É aquela que viu a seu lado passar as tropas de Napoleão, e que assistiu muitas mães de Outeiro Seco que aí solicitaram e pediram graças.
Mas não quero caro leitor maçar-vos mais com esta história, porque muito ainda fica por dizer.
Um bem-haja para todos. Viva Outeiro Seco.
João Jacinto
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