A SARAFINA
Hoje vamos aqui trazer uma personagem muito popular, que nos anos 60 animou as ruas da aldeia de Outeiro Seco. Fazia-se acompanhar do seu jumento preto.
Esta mendiga, tinha uma língua muito destravada, para um Outeiro Secano levar uma carga de insultos, bastava puxar o rabo ao jumento.
Foi protagonista de várias bulhas na festa da Senhora da Azinheira, mesmo com elementos da GNR. Na aldeia eram constantes as bulhas, quando se encontrava ela e outra mendiga de alcunha a Albardeira, ora no largo do tanque ou junto da taberna do Zé do Rio.
Não serão as suas bulhas que aqui vamos relatar, mas sim o seu fim trágico.
Estávamos a 28 de Fevereiro de 1967. Nesse dia, logo de manhã cedo, a Sarafina fez a sua visita a Outeiro Seco, como era hábito todos os dias. Dirigiu-se para os lados da Lagoa. Aí nesse mesmo dia foi descoberta já sem vida.
Começou nesse mesmo dia por volta das duas da tarde a circular a notícia da sua morte. Mas só a 18 de Março se descobre quem matou a Sarafina.
“O Comandante do Posto da GNR desta cidade Srº. 2º. Sargento Alberto Correia em continuação das diligencias que procedeu por a descoberto o autor ou autores do crime de assassínio, de que foi vítima Georgina Almeida conhecida popularmente por "SARAFINA", de 65 anos , casada e natural de Vidago, e residente á mais de 40 anos no Bairro do Telhado desta cidade a qual teve lugar no dia 28 no caminho público , no lugar denominado de "Cantinho" situado na veiga circundado por terrenos pertencentes a proprietários de Santo Estevão e Faiões, entregou no dia 4 do corrente no tribunal desta comarca como autor da pratica daquele crime Manuel Vinhais dos Reis, solteiro de 32 anos residente em Faiões. E que segundo foi apurado foi visto por pessoas cujas declarações não podem ser desacreditadas do local do crime, ao cortar uma pequena vara de amieiro no momento em que a Sarafina conduzindo o seu burrico se dirigia em direcção a esta cidade donde tinha partido na manha de 28. A Sarafina dedicava-se à venda de artigos de tenda, e assim simulava a mendicidade a que se entregava à muitos anos. O presumível assassino que sofre desde à anos de perturbações mentais pelo que já esteve internado várias vezes, transferido da cadeia desta cidade pra um hospital no Porto.”
Assim terminou os seus dias a Sarafina.
João Jacinto
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