FALAMOS DE TOPONÍMIA DE OUTEIRO SECO
Depois desta paragem forçada por vários motivos, voltamos novamente à lida, e esperamos que seja por muito tempo.
Iniciámos este espaço sobre um tema muito curioso, nomes que já não existem, e outros que vão resistindo.
Quando falamos de património histórico, devemos ter em conta que não estamos apenas a falar de monumentos, estátuas ou praças, etc…, ou seja a cultura material.
A toponímia de uma aldeia ou de uma determinada região, tem um enquadramento cultural e pertence também ao domínio da percepção que o homem tem sobre o território que o rodeia.
O estudo da toponímia permite a compreensão dos valores e das tradições de um povo. As populações locais por vezes guardam na sua memória colectiva nomes que identificam um determinado local, mas muitas das vezes elas não compreendem o significado, desses elementos nem a origem dos mesmos.
Por este motivo, o estudo da toponímia local é sempre uma mais-valia para a história local, e para o conhecimento da memória colectiva.
O povo é o principal gerador destes nomes, muitas das vezes baseados na tradição ou em determinados acontecimentos nesse local.
As Juntas de Freguesia têm aqui um papel importante na preservação da toponímia local.
Decidi fazer a análise de alguns documentos antigos. Nesses documentos não são mencionados os nomes das ruas da aldeia de Outeiro Seco, sendo a divisão da aldeia feita apenas por Bairros, muitos desses Bairros já contam séculos e séculos de existência, outros mudaram de nome.
- Bairro do Papeiro, é mencionado num documento de 1630, mantendo ainda hoje o seu nome.
- Bairro do Pontão, mencionado no mesmo documento, e ainda mantem o seu nome.
- Bairro do Eiró, mencionado no mesmo documento, e ainda mantem o seu nome.
- Bairro do Penedo, mencionado também no documento, tendo este bairro aquando da construção da igreja, mudado para Bairro da Igreja, vindo mais tarde a regressar novamente a Bairro do Penedo.
- Bairro da Portela, não conseguimos descobrir a sua localização.
- Num documento de 1728 descobrimos o Bairro do Curro, aqui ficamos sem respiração, onde seria o dito Bairro, mais uns documentos e num documento de 1733, e para nosso espanto descobrimos o seguinte: "Maria Sobrinho e Capitão de Cavalos José Álvares Ferreira, moradores no Bairro do Curro". Nada mais, o dito bairro estava localizado, sendo ainda hoje denominado de Bairro de Santa Rita.
- Em outro documento de 1731 e 1734, aparece o Bairro da Soenga, este por mais voltas não descobrimos a sua localização.
- Em outro documento de 1731 e 1734, aparece mencionado o Bairro da Mouchica, este embora já tenha sido alterado o seu nome, os mais velhos sabem onde fica.
- Noutro documento de 1800 aparece o Bairro da Sra. do Rosário, fica junto da referida Capela, nesse Bairro aparece mencionada a Família Agrela.
Hoje todas as ruas da aldeia têm uma placa com o nome. Não sabemos qual a base dessa denominação.
Nós apenas queremos trazer aqui para conhecimento dos mais jovens o Outeiro Seco desaparecido, e esquecido pela memória colectiva.
João Jacinto
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