Os figos da Fonte de Vale de Asnos
Contam os mais velhos que nas manhãs de S. João aparece uma moura próximo de Outeiro Seco, no concelho de Chaves, junto a uma fonte a que chamam “Fonte de Vale de Asnos”.
E que aparece a estender uma manta branca de figos maduros e apetitosos.
Ora, numa dessas manhãs foi uma mulher de Outeiro Seco à fonte. E, como a pobreza em sua casa era muita, ia pelo caminho a rilhar uma côdea dura de pão. Eis senão quando, à sua frente, se lhe depara estendida uma grande manta de figos.
— Bô?! Tantos figos?! Quem os teria aqui deixado?
Deitou fora a côdea de pão e tratou de meter uns poucos de figos numa cesta, dizendo:
— Por hoje já me governo.
Depois encheu o cântaro da água e voltou para casa. Ao chegar a casa, como a fome apertava, foi à cesta dos figos e despejou-os na mesa.
Qual não é então o seu espanto, ao ver que, em vez de despejar figos, estava a despejar moedas de ouro.
Passou-lhe logo a fome. Depois lembrou-se que na fonte tinham ficado ainda figos que davam para encher mais uma ou duas cestas iguais àquela. Vai daí, agarra na maior cesta que tinha em casa e voltou lá para trazer todos os que houvesse.
Mas bem se enganou. Ao chegar lá, já não viu figos nenhuns. E ouviu então uma voz, cantando uma melodia triste, que dizia:
“— Não passes neste lugar
Em manhãs de S. João,
Não te perdeu a pobreza
Mas perde-te a ambição!”
Era a voz da moura que lá está encantada. A mulher ficou descoroçoada e regressou a casa, contando, pelo menos, encontrar as moedas de ouro que lá deixara. Mas também nisso se enganou, pois em casa apenas achou bocados de carvão. Pôs-se então a lamentar a sua sorte. Lamentou até ter deitado fora a côdea de pão que levava quando foi à fonte.
Dizem os velhos que o que esta mulher deveria ter feito era contentar-se com as moedas de ouro que encontrou ao chegar a casa, e não fosse tentada a ir buscar mais. Ficaria ela bem e teria quebrado o encanto da moura.
Fonte:
PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.242-243
Ano1999
Local: Outeiro Seco, CHAVES, VILA REAL
Águas Frias - Rio Livre - Tino
Rêverie Art - Fernando Ribeiro
Sítio das Ideias-Lamartine Dias
Andarilho de Andanhos-S. Silva
Asociación Cultural Os Tres Reinos
Amnistia Internacional - Chaves
Amnistia Internacional - Blogue
DIGIWOWO - Artigos Fotográficos
RuinArte - Gastão de Brito e Silva


