LOUCEIRO OU LANÇADOR
Hoje não vamos falar de tradições de Natal, embora Outeiro Sêco tenha algumas relacionadas com esta quadra festiva, e que um dia prometo aqui trazer.
Vamos sim, falar de um móvel tradicional de Outeiro Sêco, e que noutros tempos ornamentava as cozinhas antigas da aldeia, quer ela fosse de pobre, remediado ou rico.
Hoje já serão poucos, ou nenhuns que ainda conseguem resistir à evolução dos tempos.
A partir mais ou menos da década de 70, dá-se uma revolução na cozinha tradicional de Outeiro Sêco, era a modernidade. Começam a aparecer pela aldeia as primeiras chaminés de cimento, os conhecidos chupões para extrair o fumo da lareira, e que vem substituir a pequena abertura no telhado.
O chão de madeira é substituído pelo cimento, o alguidar de lavar a loiça é substituído pela banca de cimento ou de inox.
Este móvel conhecido na aldeia por louceiro ou (lançador), que até aqui tinha feito parte do recheio da cozinha, vê os seus dias contados. Era um móvel sem qualquer mestria, feito por carpinteiros da aldeia, embora houvesse daqueles de se lhe tirar o chapéu.
Podemos afirmar que em Outeiro Sêco existiam 4 modelos de louceiros, pois estes modelos tinham a ver com a condição social das famílias, e assim se possuía o tipo de louceiro.
A cozinha era naqueles tempos o aposento onde se passava a maior parte do tempo, e quase sempre de grandes dimensões, famílias numerosas, grandes trabalhos agrícolas, matança e também toda a família pelo Natal. A lareira sempre rodeada de grandes escanos, o trasfogueiro de granito onde assentavam grandes toros, não faltando os potes de ferro, além das tenazes e do abano.
Mas fosse a cozinha pobre ou rica, ou remediada o louceiro (lançador), lá estava presente.
Mas este móvel sempre em datas festivas era enfeitado, com lindos papeis recortados de jornais antigos, feitos pelas mãos de uma fada, a dona da casa. Se a dona tinha mais posses comprava-os na mercearia, e tinham a particularidade de serem colados com uma papa de farinha. Ali se liam e reliam as notícias do jornal, até o fumo dar cabo delas.
Sendo ainda enfeitados por lindas tigelas (malgas), e pratos além das travessas, ai se pendurava a colher de lançar o caldo, a candeia, a amotolia do azeite. Outros louceiros havia, que no fundo se escondiam os potes e os cântaros da água.
Hoje já serão poucos, ou nenhuns os que existem lá para os lados de Outeiro Seco.
Resta-nos a esperança de que alguém se lembre de guardar uma destas relíquias.
Bom Natal.
João Jacinto
# Lançador termo usado em Outeiro Sêco nessa época.
# Colher de lançar o caldo.
Fotos pertencentes às seguintes ligações:
(1) - http://umaovelhanoquintal.blogspot.pt/2011/06/casa-do-lavrador-vilar-de-perdizes.html
(2) - http://www.flickr.com/photos/jp_nascimento/4414131776/
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