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Quarta-feira, 14 de Maio de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "TRADIÇÕES"

 
 
 TRADIÇÕES

 

Mais uma tradição que se perdeu em Outeiro Seco, enquanto umas se vão mantendo a todo o custo, ou tentando manter-se outras acabaram  por desaparecer, ou se perderam no tempo, resistindo apenas pequenos fragmentos delas.

 

Tanto umas tradições como outras perdem-se no tempo as suas origens.

 

 

Como muitas pessoas sabem  depois de passada a Páscoa (rica em tradições), contamos 40 dias e chegamos a Quinta-Feira da Ascensão do Senhor, sendo este dia festejado em todos os lugares de Portugal, sendo em muitas partes  designado pela "Festa da Espiga".

 

Também em Outeiro Seco, tinha a sua tradição neste dia, fazendo parte do seu quotidiano, mas desapareceu esta tradição, não sabemos quando.

 

 

Noutros tempos as gentes de Outeiro Seco, tinham por hábito no dia da Ascensão, ir pelo campo apanhar flores e alguns arbustos, com esses materiais confeccionavam lindos ramos.

 

Esses ramos eram possuidores de grandes virtudes, talvez como o ramo do dia de Ramos que depois de benzido, tem utilidade para várias coisas.

 

Estamos em plena Primavera, tempo de sementeiras, e tempo de abundantes flores silvestres nos campos de Outeiro Seco.

 

Os materiais que compunham estes ramos eram diferentes do de domingo de Ramos.

 

 

Apanhavam-se  umas espigas de trigo abundante nessa época em Outeiro Seco,  e que significa  no ramo (abundância), pequenos ramos de oliveira (cujo significado é a paz), papoila (cujo significado  é a alegria), malmequer branco (que significa a prata), malmequer amarelo (cujo significado é o oiro).

 

A particularidade no meio disto tudo é que todo este material para elaborar o ramo tinha de ser em número ímpar, tinham  de ser apanhados de preferência entre o meio-dia e as 13 horas, e durante a sua apanha tinha de ser acompanhada de uma reza, que consistia em três avé-marias e três pais-nossos para que o ramo adquirisse todas as virtudes e poderes.

 

Considerava-se isto uma autêntica prece dirigida ao Criador, e também para que nesse ano houvesse abundância de trigo, centeio, azeite ou seja um ano farto.

 

 

Também muitos Outeiro Secanos nesta altura deambulavam pelos campos  à procura de uma erva aromática  com fins terapêuticos, e acho que ainda há nos nossos campos, era muito utilizada em chá, e a melhor era a apanhada neste dia, chamava-se "MACELA".

 

O ramo desse dia da Ascensão, guardava-se  em casa no melhor local para manter todas as virtudes e protecção da casa e dos seus moradores.

 

Todo este cerimonial  assim como tantos outros, tem a ver com as diferentes festas agrárias durante o ano, podemos remeter isto tudo talvez ao tempo dos habitantes de Santa Ana.

 

Todas estas tradições esquecidas, assim como outras que aos poucos se vão perdendo, são autênticos rituais que nos ligam ao passado de Outeiro Seco, sendo como que o suporte  da nossa identidade, e que muitas das vezes se manifesta na Fé, e que por respeito e valor daquilo que nos foi legado pelos nossos antepassados.

 

 

Muitos dos Outeiro Secanos ainda hoje guardam na sua memória tempos antigos, quando pelas ruas da aldeia transitavam os carros de bois, era comum no mês de Maio, ver os bois ou outros animais com ramos de maia na cabeça. E as pessoas da aldeia diziam que era por causa das moscas não irem para os olhos dos animais. Eram restos da tradição dos “MAIOS”.

 

Também não é por acaso o altar Celta da Capela de Santa Ana, também outro altar que existiu no cimo do Alto de Santa Ana, e que foi destruído no tempo das invasões monárquicas 1912.

 

 

Também Leite de Vasconcelos, nos fala de um enorme túmulo junto da Senhora da Azinheira  e descoberto aquando da construção do Cabido, talvez a chave do passado de Outeiro Seco.

 

Outra referência que muito se ouvia as pessoas de Outeiro Seco, noutros tempos era o lugar do MOCHO, cemitério de animais de outros tempos onde acabavam os últimos  dias, nos anos 50 só lá viam carcaças. Quantas vezes se ouvia os mais idosos dizer, "quando morrer levai-me para o mocho", ou então "se queres uma dentadura nova vai o mocho".

 

Também no final da malha do centeio se levava o patrão e o filho mais novo ao "pedro" que era o fundo da meda de centeio. Ainda hoje se diz em Outeiro Seco "que no dia da Ascensão nem os passarinhos deviam ir ao ninho".

 

Tudo isto nos foi legado pelos nossos antepassados desde tempos remotos, e é pena que se vão perdendo. Ficamos por aqui mas prometo em breve voltar.

 

João Jacinto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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