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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Contributos - Sr. João Jacinto - "As origens da família Estorga Salgado"

 

 

AS ORIGENS DA FAMÍLIA ESTORGA SALGADO

 

Hoje dedicamos este texto à família Estorga Salgado, não foi fácil levar a cabo esta tarefa, só com muito trabalho, paciência e muita dedicação, foi possível completar toda esta tarefa.

 

Vai para dois anos que iniciamos essa investigação, tivemos muitas dificuldades, mas graças às ajudas de algumas pessoas e amigos, conseguimos transpor muitos dos obstáculos que encontramos pelo caminho. Completamos a informação necessária, mas não completa.

 

A 13 de Setembro de 1859, nascia na freguesia de Santo Estevam de Faiões, uma criança do sexo masculino, a quem seria dado o nome de António, filho legítimo de Manuel Estorga, e de Ritta Mello, neto paterno de Pedro Estorga e Maria Salgado, e neto materno de Manuel André e Luísa Mello.

 

Vista superior da aldeia de Faiões

 

Em 23 de Dezembro de 1860, nascia na aldeia de Outeiro seco uma criança do sexo feminino, a quem seria dado o nome de Maria Júlia, filha legitima de António Júlio Portella (Alves), e de Maria José Silva, natural de Bustello e Residentes no Bairro do Eiró, em Outeiro Seco, sendo a segunda filha do casal, era neta paterna de Luís António Portella e Maria Barroso (?), e neta materna de Luís António Silva e Teresa de Jesus.

 

António Estorga Salgado, com a idade de 18 anos casa com Maria Júlia Portella (Alves), esta com a idade de 17 anos, casam em 13 de Setembro de 1877, na Igreja Paroquial de S. Miguel de Outeiro Seco.

 

Será em Outeiro Seco que organizam a sua vida, aqui nascem 8 filhos.

 

1 - Secundino Astorga Salgado, nasce em 9 de Outubro de 1881, pelas 4 horas da tarde, a 1 de Maio de 1895, com a idade de 13 anos emigra para o Brasil, nunca mais veio a Portugal, mas descobrimos que o Secundino no ano de 1930, possuía um restaurante na Rua de Santa Tereza nº. 20 em São Paulo, com o nome de "A Pereira da Minha" (?). Neste mesmo ano é decretada falência por um Tribunal de São Paulo, nada mais conseguimos saber sobre esta pessoa.

 

2 - Joaquim Astorga Salgado, nasceu a 3 de Agosto de 1893, falaremos deste filho mais tarde, apenas faremos aqui referência aos seus filhos, Maria Salgado (falecida), Eugénio Salgado (falecido), Augusto Salgado (falecido), e António Salgado (falecido).

 

3 - Filomena Salgado, nasce em 21 de Março de 1895, até á idade de 19 anos vive em O. Seco, em 3 de Julho de 1914, com 19 anos emigrou para o Brasil, nada mais soubemos sobre ela.

 

4 - Rita de Jesus Salgado, nasce em 21 de Março de 1897, casou em O. Seco a 3 de Abril de 1917, com António Gonçalves Chaves, viveram sempre em O. Seco, tiveram 4 filhos; Ilda Chaves (falecida, Octávio Chaves (falecido), Silvano Chaves (falecido), Joaquim Chaves (falecido).

 

(1)

 

5 - Anna Salgado nasce em 9 de Março de 1899, nada conseguimos saber sobre esta filha.

 

6 - Cândida Júlia Salgado, nasce em 17 de Março de 1901 ás 11 horas da manha, Casou com Jaime Rodrigues de Santo Estevão, para onde foi viver faleceu em 23/06/1969, sabemos que deixou 2 filhas.

 

7 - Beatriz Salgado, nasce em 26 de Abril de 1903, ás 8 horas da manha, também não conseguimos saber mais nada sobre ela.

 

8 - Silvana da Graça Salgado, nasce em 2 de Julho de 1905, casou em 13 de Março de 1924, com Manuel Mello de Vila Verde da Raia e era Guarda Fiscal, viveu em O. Seco Tiveram os seguintes filhos; Minda Mello (ainda viva), Jaime Melo (falecido), Didi Melo ainda viva por terras de França, Tina Melo (ainda viva), Humberto Mello ainda vivo e a residir em Outeiro Seco.

 

Feita a apresentação de toda esta ilustre família, vamos agora falar um pouco do seu Patriarca, António Estorga Salgado.

 

Como já dissemos era natural de Faiões, casou com 18 anos na aldeia de Outeiro Seco. Aqui se estabelece, e vive alguns anos, até no dia 3 de Maio de 1882, com a idade de 22 anos decide emigrar para o Brasil, à procura de uma vida melhor, tendo-lhe sido concedido o passaporte, pelo prazo de 90 dias, não sabemos o tempo que esteve por lá.

 

Mas pensamos que esteve lá poucos anos. Descobrimos alguns dados sobre o António, tinha 1,65 m de altura, sobrancelhas cabelos e olhos castanhos, tendo o nariz e a boca regular, a cor da pele natural, tinha uma mancha na mão esquerda, e uma cicatriz no rosto.

 

Já em inícios de 1887 se encontra em Outeiro Seco, onde possui uma taberna, estando localizada essa taberna, na casa que hoje é da Sra. Bia, aparece-nos várias vezes referenciado com a profissão de carpinteiro, e também de negociante, em 1888 ainda possui a taberna.

 

Casa da Sra. Bia

 

Em 8 de Setembro de 1895, no final da festa da Sra. da Azinheira, juntamente com mais pessoal de Outeiro Seco, envolvem-se na maior desordem de que há memória na aldeia, sendo necessário para restabelecer a ordem uma força de 14 soldados de Cavalaria 6 e o Administrador do Concelho, Barros de Moura.

 

A ordem é restabelecida e os desordeiros são presos, sendo julgados em Março de 1896. Damos aqui conta da notícia publicada num jornal local da época:

 

Voz de Chaves de 22/03/1896

Foi recebida com geral agrado a que no Tribunal Judicial desta Comarca, foi proferida contra todos os selvagens auctores da desordem de Outeiro Secco, por ocasião da romaria de N. S. da Azinheira, no verão passado. Folgamos em registar este acto de imparcialidade das justiças flavienses, tanto mais segundo consta, tinham-se movido altas influencias para evitar a punição dos criminosos".

 

Em 24/03/1896 encontramos o seu registo de preso na cadeia civil de Chaves, sendo- lhe dado o preso nº.15.

 

Também durante o ano económico de 1897/1898, se encontra registado no Livro de Pagamento de Congruas, da Aldeia de Outeiro Seco pagando a quantia de 240,00 mil reis.

 

Já em Janeiro do ano de 1900, é nomeado Regedor da Aldeia.

 

Em 10 de Março de 1902 é nomeado perito avaliador dos terrenos ocupados pela estrada que liga Outeiro Seco a Vilarelho.

 

A 2 de Novembro de 1904, é novamente nomeado Regedor sendo exonerado do cargo em 16 de Agosto de 1906.

 

Sabemos que foi um grande republicano, defendendo a Republica em 8/07/1912, em Outeiro Seco aquando da invasão dos Paivas.

 

Era um homem rijo e duro de roer, não ia nas conversas dos Padres, dizendo estes que ele era maçónico.

 

Também soubemos que em 1915 ou 1916 vai ao Brasil, mas não temos certeza. Não descobrimos a data do seu falecimento, mas pensamos que tenha falecido muito novo, e talvez em finais do verão de 1916, pois quando o seu filho Joaquim foi para a grande Guerra, ele já tinha falecido, e o filho foi para a guerra em 23 de Maio de 1917. Segundo aquilo que apuramos que ele teria falecido de um disparo acidental com uma espingarda.

 

Segundo a informação que temos, ele possuía uma vinha no lugar do Penedo, e na altura das uvas as pessoas iam fazer a sua guarda, pelos vistos ele tinha nessa propriedade uma barraca como a dos pastores, onde pernoitava, sucede que um dia quando se ia deitar, puxou as mantas para se agasalhar, tendo uma das mantas ficado presa na espingarda, e tendo assim disparado o tiro que o atingiu no abdómen, causando-lhe a morte imediata. Só foi encontrado no dia seguinte já morto.

 

Nada mais temos a acrescentar. Apenas esclarecer o seguinte, e que não é erro, muitos dos registos aparecem, escritos ESTORGA, com um E, e outros aparecem com um A.

 

João Jacinto

 (1) Foto gentilmente cedida por uma neta de uma linda Avó que esta na foto

 

Publicado por Humberto Ferreira às 00:05

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5 comentários:
De Anónimo a 29 de Janeiro de 2014 às 10:34
Bom dia.
Parabéns Sr. João Jacinto pelo seu contributo.
Esta maravilhosa história que conta sobre esta minha família, da qual eu ainda faço parte deixou-me realmente fascinada. Pois há sempre descobertas e aventuras que nem imaginamos que possam ter sido vividas.
Permita-me acrescentar que na filha Cândida Júlia Salgado (6), deixou três filhas e um filho; Maria Salgado (falecida), Lurdes Salgado, Natália Salgado (residentes no Rajado) e João Salgado, a residir bem perto de Outeiro Seco e com muitas raízes em Santo Estêvão.
Das minhas Tias acrescento só o nome; Arminda, Albertina e Aldina Melo, era assim que o meu Avô gostava e fazia questão de lhe chamar, a todos (as) pelo nome.
Bem-haja e mais uma vez, muito obrigada.
Muita saúde ao Berto, para nos poder deliciar com estas oportunidades e aliciantes descobertas.
Antonieta Melo.
De Nuno Santos a 29 de Janeiro de 2014 às 18:59
Parabéns ao João Jacinto por mais este contributo para a história da aldeia. Resta-me acrescentar que António Astorga Salgado, foi o último outeirosecano a ser enterrado no átrio da capela da Sra da Portela.
Quanto ao seu filho Joaquim, existem ainda hoje na aldeia vestígios da sua passagem. Foi ele quem plantou os chorões nas lameiras do rio, junto ao tanque, chorões que trouxe do Vidago onde trabalhou nos serviços de agricultura.
Um abraço,
Nuno Santos
De joaojacinto a 29 de Janeiro de 2014 às 22:05
Muito boa noite, caro conteraneo Nuno Santos, relativamente ao Joaquim Astorga Salgado, muito em breve será apresentado um trabalho referente a ele, pois foi face a uma investigação sobre o Joaquim Astorga que cheguei a todas estas pessoas da familia Astorga. Joaojacinto
De Nuno Santos a 30 de Janeiro de 2014 às 10:03
Caro João Jacinto,
Folgo muito em saber isso, pois trata-se de uma pessoa com quem a minha família, tanto do lado paterno como materno, tinham relacões muito estreitas.
O Sr. Joaquim Salgado foi um ex-combatente do CEP, juntamente com o meu avô Manuel dos Santos e foi quem pôs a alcunha de Roxo ao meu pai.
Eu creio ser tempo de começares a pensar, em condensares tudo o que já publicaste em livro, como forma de melhor preservar esse passado da nossa terra.
Nuno Santos
De Daniela a 26 de Abril de 2014 às 18:36
Caro João Jacinto,
Sou brasileira,moro no Rio de Janeiro, me chamo Daniela Astorga, sou neta de Constança Astorga que nasceu em 1912 em Faiões, e veio para o Brasil muito jovem, junto com uma irmã chamada Maria, a respeito de minha avó sei que seu pai se chamava Francisco Astorga, ele morreu quando minha avó era criança, minha avó portanto passou a ser cuidada por sua avó que se chamava Ana.

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