Outeiro Seco - AQI...

Tempo Outeiro Seco
Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Capela de Nossa Senhora da Portela com neve (4 fotos)

 

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Dia Internacional de Monumentos e Sítios 2018 (19 fotos + 1)

 

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Igreja de Nossa Senhora da Azinheira

 

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Tanque

 

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Capela de Nosso Senhor dos Passos / Senhora do Rosário

 

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Cruzeiro (Largo da Saúde)

 

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Solar dos Montalvões

 

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Relógio de Sol

 

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Sepultura cavada na rocha (Mina/Aloque)

 

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Lagaretas cavadas na rocha (Mina/Aloque)

 

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Capela de Nossa Senhora da Portela

 

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Via Sacra - Três Cruzes

 

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Pedra de Mesa

 

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Lagares cavados na rocha (Vale de Lagares)

 

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Capela de Santa Rita

 

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Cruzeiro (Alto da Escola)

 

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Ex-escola

 

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Igreja de São Miguel (Matriz)

 

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Nosso Senhor dos Desamparados

 

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Capela de Santa Ana

 

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Alminhas

 

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Museu da Água e dos Esgotos

 

 

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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Igreja de São Miguel com neve (8 fotos)

 

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Terça-feira, 10 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões e cruzeiro com neve (5 fotos)

 

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Sábado, 7 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Dia Nacional dos Moinhos 2018 (9 fotos)

 

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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

Outeiro Seco - Capela de Nosso Senhor dos Passos / Nossa Senhora do Rosário com neve (2 fotos)

 

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Sexta-feira, 30 de Março de 2018

Auto da Paixão 2014 - Outeiro Seco - Chaves - Portugal (5 fotos)

 

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Mais imagens do Auto da Paixão de Cristo - 2014:

https://www.flickr.com/photos/127400884@N07/albums

http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/auto+da+paix%C3%A3o

 

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Quarta-feira, 28 de Março de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Joaquim Estorga Salgado"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Em todas as aldeias existem personagens tratadas com deferência, sem muitas das vezes terem aparentemente nada que os destaque dos restantes habitantes, enquanto outros deveriam permanecer na memória coletiva, só restando deles o nome ou talvez uma simples fotografia, já agastada pelo tempo.

 

Quando procuramos saber quais os outeiro secanos que foram mobilizados para a 1ª. Guerra Mundial de 1914-1918, fomos confrontados que no espaço de duas décadas, nas gerações mais idosas, esses acontecimentos tinham praticamente caído no esquecimento.

 

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Pelo que soubemos é que essas ocorrências deixaram traumatismos, e marcas que muitas das vezes não queriam ser relembradas e que foram passadas em terras bem distantes, e que após o seu regresso, e a dureza dos tempos que corriam, e uma vida intensa relegaram esses acontecimentos para segundo plano, ou passaram para o esquecimento.

  

Foi com grande surpresa quando procedíamos à nossa investigação sobre os combatentes de Outeiro Seco, sendo eles os seguintes; “ Manuel dos Santos, José Figueiras, Francisco Morgado, Filipe Ranheta (este natural de V. Verde Raia), Sargento José Francisco Gonçalves Sevivas, Abel Agrela, 1º. Cabo Joaquim Estorga Salgado, Albino de Carvalho, soldado nº 929, filho de João Carvalho e Maria Silvana, único outeiro secano falecido em terras de França, faleceu em 06/03/1918 de tuberculose pulmonar, pertencia à 1ª. Companhia do Regimento de Infantaria 19. Mas será apenas sobre o combatente, Joaquim Estorga Salgado que aqui vamos escrever.

 

O Joaquim nasceu em Outeiro Seco a 03/08/1893, filho de António Estorga Salgado e de Maria Júlia Alves ou (Portela) era o 2º. Filho do casal de um total de 8 irmãos.

 

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Fotografia gentilmente cedida pela Ana Maria Salgado

 

O Joaquim percorreu as ruas da maravilhosa aldeia de Outeiro Seco, durante a sua mocidade, aqui conviveu com outros jovens, foi nesta aldeia que aprendeu as primeiras letras.

 

Já com os seus 19 anitos viu na madrugada do 08/07/1912, passar as tropas de Couceiro.

 

Quis o destino que logo no ano seguinte (1913), o Joaquim assentasse praça no Regimento de Infantaria 19. Faz a sua recruta no R.I. 19, sendo promovido no final da recruta a cabo, talvez esta promoção ou a falta de perspetivas levem Joaquim, a seguir a vida militar.

 

Já em pleno ano de 1914, as coisas pela Europa não estão famosas, paira no ar o som dos tambores de Guerra.

 

Chegado o mês de Janeiro de 1915, logo no início o Regimento de Infantaria 19, de Chaves, no seu 3º. Batalhão, é recebida a ordem de mobilização com destino a Africa, pois as colónias eram alvo de investida por parte dos Alemães.

A 17 de Janeiro de 1915, procede-se ao sorteio das praças das classes de 1912 e 1913, do 1º. e 2º. Batalhão de Infantaria 19, e que deveriam completar o efetivo a mobilizar.

 

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Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

A 28 de Janeiro, seguiu para Lisboa o 1º. Contingente de soldados do R.I. 19, sendo fixada a partida dos restantes soldados o dia 31 de Janeiro de 1915.

 

Às 13 horas do dia 31/01/1915, após uma breve alocução, pelo Coronel Augusto César Ribeiro de Carvalho, comandante do Regimento, toda a força militar saiu a caminho de Vidago. Nesse mesmo dia parte o comboio com destino à Régua, onde seria feito o transbordo com destino ao Porto.

 

Às primeiras horas do dia 1 de Fevereiro, chegavam ao Porto, feito novo transbordo para o comboio que os levaria a Lisboa (Santa Apolónia), sendo logo feito o desembarque, seguem para o quartel da Cova da Moura, à espera da viagem marítima.

 

Às 12 horas do dia 3 de Fevereiro, todo o pessoal e material, já se encontra no paquete Portugal, da parte da tarde larga âncora com destino à Madeira, fazendo ai escala, para logo no dia seguinte seguir novamente viagem com destino a Angola.

 

 

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 Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Já ao amanhecer do dia 19 de Fevereiro, se avistava a baia de Luanda permanecendo ai algumas horas, para logo iniciar viagem com destino ao porto de Moçâmedes, onde chegou às 7 horas do dia 23 de Fevereiro. Nesse mesmo dia desembarca todo o Batalhão, dirigindo-se de imediato para o acampamento, no lugar das Hortas.

 

Em 20 de Março aí permanecem no acampamento, durante a sua permanência em Moçâmedes, onde prestam vários serviços, o Batalhão procedeu a várias escoltas de comboios, tendo essas operações sido confiadas aos 1º. Cabos, e que a seguir são mencionados, e os quais cumpriram essa missão com a maior lealdade e patriotismo:

1º. Cabo Manuel Monteiro, José Gomes, Ildefonso Valério Ferreira Pinto, José do Nascimento, Cassiano José Mendes; Cesar Augusto Mirandês, Guilherme Ribeiro, Manuel Joaquim, João Maria Teixeira, Domingos Alves Mestre, Eduardo Leitão dos Santos, Artur Elias Sousa, Henrique Pascoal, Algemino Duarte, José Lopes Diogo, Francisco Augusto de Sousa, e JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

A 2 de Julho o Batalhão deixa Moçâmedes. Já na noite de 3 de Julho chega a Quilemba, executando na manhã do dia 4 marcha ate Lubango, onde ficou alojado.

 

 

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Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

A 16 de Julho aí é instalado o quartel-general, serão os contingentes da 11ª. Companhia e 12ª. que vão fazer parte da conquista do Cuahama, sendo assim dado começo ao 2º. período das operações além Cunene.

 

No dia 24 de Julho às 7 horas a Companhia 11ª e 12ª partem para Humbe, onde chegaria a 9 de Agosto com 302 soldados e os seguintes oficiais, sargentos e 1º. Cabos.

12ª. Companhia, Capitão António Rodrigues da C. Azevedo, Alferes Frederico Tamagnini de S. Barbosa, João Almeida Serra, Henrique Perestrelo da Silva, 1º. Sargento Rafael Gama, 2º. Sargento Amílcar Afonso P. Camoezas, António Mendes Cardoso, Ermogénio de Almeida, Júlio António da Trindade, 1º. Cabos António dos Santos, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, Guilhermino Ribeiro, José do Nascimento, João Eduardo Coelho, José Joaquim Dias Pereira, Henrique Pascoal Artur Rodrigues, António Rodrigues e Firmino Morais.

 

A 20 de Agosto toda a 12ª. Companhia passa a fazer parte da coluna do Cuamato, marchando para o Vau de Chimbua. Incorporados no destacamento do Cuamato, tendo tomado parte no combate da #Chana da Mula# em 24 de Agosto. Vindo depois a ser incorporados no destacamento de Negiva. Sendo destacados no posto de Oxinde desde 4 de Setembro. Sendo as forças de Infantaria 19 incorporadas nesse destacamento.

 

Já quase a findar o ano de 1915, e no dia 13 de Dezembro, o 3º. Batalhão de Infantaria 19, marcha de Lubango a Vila Arriaga, para voltar a Moçâmedes, regressando ao continente em 11 de Março de 1916, chegando ao regimento de Infantaria de Chaves a 31 de Março 1916, tendo ficado em terras de Africa 33 bravos transmontanos.

 

O outeiro secano Joaquim regressa à sua terra natal, mas continua ao serviço do R. Infantaria 19, tinha à sua espera a família e a sua futura esposa.

 

Joaquim Estorga Salgado casa nesse mesmo ano em 07/12/1916, com Ana Chaves Barrocas, o jovem recém-casado passa pouco tempo com a sua esposa, desconhecendo o que a sorte lhe reservava.

 

Às 24 horas do dia 21 de Maio de 1917, saia de Chaves com destino a Lisboa, o 1º. Batalhão de Infantaria 19, a fim de constituir em França o 2º. Depósito de Infantaria do Corpo Expedicionário Português.

 

Nele seguia o outeiro secano Joaquim Estorga Salgado do 1º. Batalhão, 2ª. Companhia e do 2º. Depósito de Infantaria sendo o 1º. Cabo nº 380 cabendo-lhe a placa de identificação nº. 9876, embarcou com destino a Brest (França) em 23/05/1917.

 

Chegado a terras de França, a 13/06/1917, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, é colocado no batalhão do Regimento de Infantaria 21, com vários outros bravos transmontanos. Embora dispersos pelos vários Batalhões, em terras de França, os bravos transmontanos do 19 de Infantaria, cantavam por vezes, até mesmo em plena 1ª. linha o Hino do Regimento de Infantaria 19, da autoria do Flaviense “Gastão de Sousa Dias”.

 

 

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 Livro da coleção particular do Sr. João Jacinto

 

Em pleno mês de Março de 1918, todo o sector Português, era um autentico inferno de ferro e fogo, e que viria a ter por epilogo a batalha de “La-Lys”, os valorosos transmontanos de Infantaria 19, lembrando os velhos tempos. E os grandes dias de glória, laçam-se sobre as trincheiras inimigas no subsector de “Ferme de Bois”, num importante “raid” e inutilizam a 2ª. linha alemã. Pela maneira como se portaram em tão importante ação uns foram promovidos e outros condecorados. Entre eles o outeiro secano JOAQUIM ESTORGA SALGADO.

 

Do épico “raid” de 9 de Março de 1918, cabe ainda mais glória à Infantaria 19. Nele tomaram parte com elogiosas referências, os sargentos desta unidade Albano Joaquim do Couto, JOAQUIM ESTORGA SALGADO, os quais foram assim distinguidos”.

 

 

JOAQUIM ESTORGA SALGADO

Condecora com a Cruz de Guerra de 4ª. Classe Military Medal Inglesa e louvado, pela decisão e valentia de que deu provas no comando da fracção que lhe foi confiada no “raid”, efectuado com completo êxito pela sua companhia em 9 de Março de 1918-O.E. nº. 10 (2ª. Série) de 1920”.

Lembramos ainda que o Joaquim Estorga Salgado, em 22 de Dezembro de 1917, era promovido ao posto de Sargento.

 

Em 16/03/1919, apresenta-se no Comando Militar em França, a fim de seguir para Portugal, tendo desembarcado em Lisboa no dia 3 de Abril de 1919.

 

 

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Feita a sua apresentação no R. Infantaria 19 em Chaves. Regressa à sua terra natal, para recuperar de algumas mazelas da guerra.

 

Feita essa recuperação deixa também o serviço militar, sendo a sua permanência na aldeia, muito curta. Parte à procura de uma vida melhor, conjuntamente com a sua esposa e filha mais velha, vai viver e trabalhar para Anadia. No posto Agrícola de Anadia, aí permanece alguns anos.

 

Talvez pelo ano de 1924, regressa à terra natal, passando a trabalhar na Escola Agrícola Móvel Alves Teixeira em Vidago. Vindo a falecer em 26/03/1949. Tendo deixado quatro filhos: Maria, Eugénio, Augusto, e António, também já todos falecidos.

 

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Orgulhe-se Outeiro Seco, e não esqueça, este “seu filho” que terá sido um herói que andou por terras de África, passando mais dois anos de combates contínuos na 1ª. Guerra Mundial, e de grande sofrimento, soube ultrapassar as dificuldades, atuando nos momentos de perigo de forma destemida e heroica, como lhe foi reconhecido nos louvores que recebeu.

  

   João Jacinto

 

Consulta:

Arquivo Distrital de Vila Real

Livro de Batismos de Outeiro Seco

Arquivo Militar

Informações recolhidas na aldeia

Blog Genealogia

 

Nota:

Republicação de dia 12 de Fevereiro de 2014

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Segunda-feira, 26 de Março de 2018

Outeiro Seco - Tanque e Rio Pequeno com neve (6 fotos)

 

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Sexta-feira, 23 de Março de 2018

Auto da Paixão 2014 - Outeiro Seco - Chaves - Portugal (5 fotos)

 

 

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Mais imagens do Auto da Paixão de Cristo - 2014:

https://www.flickr.com/photos/127400884@N07/albums

http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/tag/auto+da+paix%C3%A3o

 

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Quarta-feira, 21 de Março de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Domingos André"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Prestes a terminar o nosso contributo acerca dos combatentes da Grande Guerra da aldeia de Outeiro Seco, hoje trago-vos a história de outro combatente, deixando assim um registo para as gerações futuras e atuais, para que não esqueçam os seus antepassados, os seus heróis, que na maior das dificuldades souberam dar o seu melhor das suas vidas, honrando a sua Pátria.

 

Hoje, caros amigos, vamos falar do soldado Domingos André. Relativamente a este outeiro secano, que nos fez correr Ceca e Meca, iniciámos a nossa investigação, como é costume, pelo livro de batismos da freguesia de São Miguel de Outeiro Seco, pois foi assim que fizemos com os outros combatentes. Somos levados até ao ano de 1893. É aí que vamos encontrar o Assento nº3 e será através deste registo que a nossa investigação é levada a bom porto.

 

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Reza assim o Assento nº.3 do ano de 1893 do livro de batismos da freguesia de São Miguel de Outeiro Seco.

Assento nº3:

Aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro do ano de mil oitocentos e noventa e três, nesta igreja paroquial de São Miguel de Outeiro Seco, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de Domingos, que nasceu nesta freguesia as cinco horas da tarde do dia vinte e três do dito mês, filho natural de Albina André, solteira filha de Miguel André lavrador e de Maria Bicência, natural do Pereiro de Argeriz, concelho de Valpaços, neto paterno de avôs incógnitos, neto materno de Miguel André e de Maria Bicência, foram seus padrinhos Domingos Diogo e sua filha Maria maior de idade.

O Padre António Gonçalves Amaro.

 

Mas será o seu assento de batismo que nos vai dar uma grande ajuda à nossa investigação, pois houve o cuidado da parte de alguém em registar todos os averbamentos no seu assento de batismo. O amigo leitor vai poder verificar que os averbamentos do seu assento de batismo, não coincidem com o que consta registado no Boletim do CEP.

 

Domingos André, casou com 21 anos de idade, no dia 2 de Dezembro de 1914, com Secundina Rosa de 22 anos de profissão padeira, natural da freguesia de Santo Estevam de Faiões, e residente em Faiões, e filha de João Barroso e de Maria da Conceição Cruz, também padeira.

 

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Sua esposa Secundina rosa viria a falecer em 5 de Agosto de 1963, em Faiões. A nossa dúvida é onde vivia o Domingos André, em Faiões ou em Outeiro Seco? Vamos aguardar pelos restantes dados e no final verificamos.

 

Ora o Domingos André passou a sua juventude em Outeiro Seco, casou e depois teve pela frente o serviço militar, alistado no Regimento de Infantaria 19 de Chaves, sendo mobilizado para a Grande Guerra de 1914-1918.

 

Da consulta ao seu Boletim do CEP, verificamos o seguinte:

O seu nome Domingos André, pertencia ao 1º. Batalhão, da 2ª. Companhia, 2º Depósito de Infantaria, era o soldado nº. 569, sendo a sua placa de identificação nº. 63988, e diz-nos também que o seu estado civil era solteiro, era filho de Albina do André, era natural de Outeiro Seco do concelho de Chaves, e que o parente mais próximo era a sua mãe residente em Outeiro Seco - Chaves.

 

Pois amigo leitor aqui está a contradição aparece como solteiro, o parente mais próximo a sua mãe, isto no Boletim do CEP. Mas a verdade é que já era casado e o familiar mais próximo seria a sua esposa, mas isto acontece.

 

O Domingos André parte para a frente de combate em 1917, sai do cais de Alcântara em 23 de Maio de 1917, com destino a Brest. Aí chegado é colocado na Companhia de metralhadoras em 4 de Julho de 1917. Mas caros amigos será este Domingos André um herói, não se admirem com o que vamos descrever. No seu Boletim do CEP consta o seguinte: “Louvado porque estando no dia 18 do corrente de serviço nas posições contra aeroplanos, conseguiu fazer aterrar um aeroplano inimigo entre as 1ªs e 2ªs linhas alemãs sem o concurso próximo doutras armas, pelo que demonstra muita serenidade excelente pontaria solida instrução deste tão importante serviço.” (O do 5º J. M. nº67 de 20.02.1918). Licença da Companhia em 18 de Maio de 1918. Embarcou para Portugal a bordo do transporte Pedro Nunes em 18 de Maio a fim de gozar a licença da Companhia.

 

Este combatente como todos os outros, por lá passou bons e maus momentos, era a vida dura das trincheiras. Regressou são e salvo para junto da sua esposa. Viveu na aldeia de Faiões até ao dia 21 de Março de 1968, data do seu falecimento repousando os seus restos mortais na sua terra adotiva. Assim concluímos a história de mais um combatente.

  

João Jacinto

 

 Consulta:

Arquivo Distrital de Vila Real

Arquivo Militar

Informações recolhidas na aldeia

Blogs Genealogia Listagens

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Segunda-feira, 19 de Março de 2018

Outeiro Seco - Ex-escolas e cruzeiro com neve (4 fotos)

 

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Quarta-feira, 14 de Março de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – José Ferreira Barroca Pantaleão"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Na continuação do nosso trabalho sobre os soldados da aldeia de Outeiro Seco que participaram na Grande Guerra, hoje vamos falar do soldado José Ferreira Barroca Pantaleão.

 

Como vem sendo nosso costume, iniciámos muitas das vezes a nossa investigação pelo livro de batismos da freguesia de Outeiro Seco ou seja, é o nosso ponto de partida.

 

Caro amigo leitor, desde já alertamos que no assento de batismo deste outeiro secano, não consta nenhum averbamento adicional.

 

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Consultámos o livro de batismos de São Miguel de Outeiro Seco referente ao ano de 1892. Foi aí que encontrámos o Assento nº. 17, que nos diz o seguinte:

Aos onze dias do mês de Dezembro do ano de mil oitocentos e noventa e dois, nesta igreja paroquial de São Miguel de Outeiro Seco, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de José, que nasceu no dia quinze de Novembro do mesmo ano, filho legítimo de Francisco Ferreira e de Ana Teresa Barroca, neto paterno de José Ferreira Pantaleão e Ana Joaquina, materno de José Joaquim Ferreira e Maria Teresa Barroca, foram seus padrinhos Aníbal de Sá Tenreiro, empregado da Guarda Fiscal e sua esposa Rosária Rodrigues.

O Encomendado António Gonçalves Amaro.

 

Toda a juventude de este outeiro secano foi passada na aldeia. Atingida a idade adulta iniciava uma nova etapa na sua vida, tendo pela frente o serviço militar. Inicia a sua preparação militar no Regimento de Infantaria 19, na vila de Chaves, mas os ventos que sopravam do norte da Europa eram ventos de guerra.

 

Já com 25 anos de idade, o jovem José Ferreira Barroca Pantaleão era mobilizado para combater em França. Fomos à procura do seu boletim do CEP ao Arquivo Militar.

 

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Consultámos o seu boletim, onde verificámos o seguinte:

O José Ferreira Barroca Pantaleão era soldado do Regimento de Infantaria 19, do 1º. Batalhão, 4ª. Companhia do 2º. Depósito de Infantaria, tendo a sua placa de identificação o nº. 64361, o seu nome José Ferreira Barroca, soldado nº. 275. Também no seu boletim só la consta a sua mãe Ana Teresa Barroca, o que nos leva a deduzir que seria muito provável o seu pai ter já falecido. Embarcou no cais de Alcântara, com destino a Brest, no dia 15 de Maio de 1917. Só regressou a Lisboa no dia 10 de Abril de 1918. Já em França é colocado no Batalhão de Infantaria 15, em 15 de Junho, onde fica com o nº. 694. Baixou ao Hospital nº 1 em 30 de Outubro de 1917, é evacuado para o Hospital nº. 3 canadiano em 5 de Novembro. Teve alta em 22 tendo sido julgado incapaz de todo o serviço e de angariar os seus meios de subsistência em sessão de 2 do mesmo mês. Nada mais consta no seu boletim do CEP.

 

No entanto, segundo informações recolhidas na aldeia, de todos os soldados da aldeia vindos da guerra, o José Ferreira Barroca Pantaleão foi o que veio mais doente. A informação que nos deram foi a de que o José Ferreira Barroca Pantaleão passou a ser conhecido pela alcunha do “Marelinho”, pelo facto de andar sempre com uma cor amarelada. Diziam as pessoas que tinha sido gaseado.

 

E é tudo aquilo que conseguimos saber sobre este outeiro secano. No seu assento de batismo não consta a data do seu falecimento. É mais um combatente que trago ao conhecimento das gentes de Outeiro Seco.

 

João Jacinto

 

 

Consulta:

Arquivo Distrital de Vila Real

Livro de Batismos de Outeiro Seco

Arquivo Militar

Informações recolhidas na aldeia

Blog Genealogia

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Outeiro Seco - Igreja de Nossa Senhora da Azinheira com neve (13 fotos)

 

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Terça-feira, 6 de Março de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Albino de Carvalho"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Vamos continuar com a divulgação dos combatentes da Grande Guerra. Hoje vamos trazer ao conhecimento dos outeiro secanos mais um filho da terra que esteve na guerra em França e por lá ficou sepultado.

 

Foi muito difícil saber deste nosso conterrâneo. Na aldeia pouco ou nada se falava dele, era quase de um desconhecimento total. Apenas se falava de meia dúzia de combatentes, mas alguém nos confidenciou que seriam muitos mais.

 

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Há uns bons anos atrás, em conversa com um idoso da aldeia, este confirmou-nos que deveriam ser à volta de 11 ou 12 combatentes. Também nos disse que um deles morreu em terras de França.

 

Procurámos-lhe como se chamava o combatente falecido em França. Respondeu-nos que ao certo não sabia se era Abílio ou Albino. Por isso ficámos na dúvida. Acabámos mais tarde por confirmar a veracidade das informações recebidas, pois na realidade são doze os combatentes de Outeiro Seco. Confirmámos também o verdadeiro nome do soldado que ficou sepultado em França, trata-se de Albino de Carvalho e será sobre ele que vamos falar.

 

Já que os dados fornecidos na aldeia eram relativamente muito poucos, começámos a nossa investigação mais ou menos de acordo com o ano de nascimento dos combatentes já divulgados.

 

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Monumento aos Combatentes da Grande Guerra

Fonte: Foto publicada na página www.momentosdehistoria.com de Carlos Alves Lopes

 

Fomos ao livro de Batismos da freguesia de São Miguel de Outeiro Seco, referente ao ano de 1892. Aí verificámos o seguinte:

Assento nº.11 do livro de batismos da Freguesia de São Miguel de Outeiro Seco ano de 1892.

Aos vinte e um dia do mês de Agosto do ano de mil oitocentos e noventa e dois, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de Albino, que nasceu as 8 horas da manhã do dia 16 de Agosto, filho legítimo de João de Carvalho e de Maria Silvana, jornaleiros e moradores nesta freguesia, neto paterno de Luís Batista e de Maria de Carvalho, e materno de António Pereira e de Silvana Emília. Foi seu padrinho Domingos Diogo.

O Encomendado António Gonçalves Amaro.

 

Como todas as crianças daquele tempo, o Albino passou a sua juventude na aldeia de Outeiro Seco. Em 2 de Abril de 1911, já com 19 anos, fica órfão de pai. Passados uns tempos, o Albino vai cumprir os seus deveres militares.

 

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Publicação do Ministério da Guerra – Relação dos Militares Portugueses sepultados nos Cemitérios de Richebourg l’Avoué, Boulogne s/Mer e Antuérpia – Lisboa, 1937

 

Fomos até ao Arquivo Militar à procura de encontrar o Boletim do CEP referente ao Albino de Carvalho.

No seu Boletim verificámos que o Albino de Carvalho, fazia parte do Regimento de Infantaria nº 30 de Bragança, 1º. Batalhão ao qual correspondia a placa de identificação nº 62765, era o soldado nº. 929 da 1ª. Companhia. O seu estado civil era solteiro, filho de João de Carvalho (já falecido) e de Maria Silvana, natural de Outeiro Seco do concelho de Chaves.

Embarcou no cais de Alcântara em Lisboa, com destino a Brest, no dia 9 de Setembro de 1917 e faleceu em 6 de Março de 1918. Esteve na frente de batalha, mas já não combateu na célebre batalha de La Lys.

 

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Publicação do Ministério da Guerra – Relação dos Militares Portugueses sepultados nos Cemitérios de Richebourg l’Avoué, Boulogne s/Mer e Antuérpia – Lisboa, 1937

 

Na parte das observações do seu boletim podemos verificar o seguinte:

Que foi colocado no 1º. Batalhão de Infantaria nº. 3 em 22 de Novembro de 1917, baixa à ambulância CHº. 3 em 14 de Janeiro de 1918, evacuado para o 3 canadiano Hospital em 15 do mesmo mês. Julgado incapaz de todo o serviço e de auferir os meios de subsistência em sessão de 2 de Março. Alta em 4 de Março, seguindo no mesmo dia para Q. G. afim de ser repatriado.

Faleceu no Hospital marítimo de Brest, em 6 de Março de 1918, de tuberculose pulmonar sendo sepultado no cemitério, coval nº19 - 2ª. Fileira quadrado nº54.

 

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Publicação do Ministério da Guerra – Relação dos Militares Portugueses sepultados nos Cemitérios de Richebourg l’Avoué, Boulogne s/Mer e Antuérpia – Lisboa, 1937

 

Isto é o que consta no seu Boletim do CEP, mas no livro de soldados sepultados em França onde se encontra o registo do Albino de Carvalho com nº de Ordem 274, soldado com a placa nº 62765, pertencente a unidade territorial do CEP Inf.3, data da morte 6/03/918, talhão D, fila 17, coval 6, isto para se evitarem algumas dúvidas.

 

Passados 6 meses do seu falecimento era dado conhecimento à sua mãe. Como o amigo leitor pode verificar através da correspondência enviada para o Regedor da Freguesia de Outeiro Seco.

 

Ofº. Nº204

 

Serviço da República Portuguesa

Ao Cidadão Regedor da Freguesia

de Outeiro Seco

 

Queira dar conhecimento à família do soldado nº929,

Albino de Carvalho filho João de Carvalho e Maria

Silvana dessa freguesia, que o referido soldado faleceu

em França de tuberculose pulmonar.

 

Saúde e Fraternidade

Chaves 20 de Setembro de 1918

O Adm. do Concelho

 

 Já em Março de 1922 era enviado para o Regedor da Freguesia, um novo ofício.

 

Ofº. Nº95

 

Serviço da República Portuguesa

Ao Cidadão Regedor da Freguesia

de Outeiro Seco

                                           

Queira V. Exª. Intimar a comparecer nesta Administração

No mais curto espaço de tempo possível, Maria Silvana

Residente nessa freguesia afim de assinar o impresso para

receber a quantia de 6$08, espólio do soldado que foi da

1ª. Companhia de Infantaria 10 – Albino de Carvalho

falecido em França.

 

Saúde e Fraternidade

Chaves 21 de Março de 1922

O Adm. do Concelho

  

Caros amigos, assim, mais um combatente chega ao conhecimento dos outeiro secanos, mas por sorte ou mera coincidência, o Albino de Carvalho completa 100 anos do seu falecimento em 06/03/2018 ou seja, hoje, à data da nossa publicação. Talvez seja esta uma forma de lhe prestar uma singela homenagem.

 

João Jacinto

Consulta:

Livro batismos da freguesia de Outeiro Seco

Arquivo Militar

Livro de Sepultados em França

Expediente da Câmara Municipal de Chaves

Listagens de Genealogia

Informações orais

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Segunda-feira, 5 de Março de 2018

Outeiro Seco - Capela de Sant'Ana com neve (5 fotos)

 

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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Filipe da Ascensão (Ranheta)"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

  

Na continuação da nossa divulgação dos combatentes da Grande Guerra, referentes à aldeia de Outeiro Seco, hoje será a vez do soldado Filipe da Ascensão, mais conhecido na aldeia pela alcunha: “O Ranheta”.

 

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Talvez o amigo leitor não saiba que o Filipe da Ascensão não era filho natural de Outeiro Seco, mas sim outeiro secano por adoção. Afim de evitarmos maus juízos, amigo leitor, vamos verificar o seu assento de batismo que nos diz o seguinte:

Assento nº. 41 do Livro de batismos da Freguesia de Santo Estevão e referente ao ano de 1893.

Aos quinze dias do mês de Outubro do ano de mil oitocentos e noventa e três, na capela de Nossa Senhora das Neves do lugar de Vila Verde desta freguesia de Santo Estevão, concelho de Chaves, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de Filipe

Que nasceu às nove horas da noite, filho legítimo de Bernardino da Ascensão natural do lugar de Dadim, freguesia de São João da Castanheira, e de Maria Rodrigues natural de Vila Verde, jornaleiros, neto paterno de António Carneiro e de Alexandrina Rosa, e materno de Jerónimo Rodrigues e Joana Maria, foram seus padrinhos José Teixeira, Soldado da Guarda Fiscal, e sua mulher Maria Vieira da Silva.

O abade Francisco Pires de Morais.

 

Desde muito jovem, o Filipe veio para Outeiro Seco trabalhar para a família Montalvão como jornaleiro. Seria em Outeiro Seco que mais tarde iria iniciar a sua vida. Cedo começa o namorico com a Júlia Correia Branco, esta natural de São Tiago de Vilarelho da Raia, era serviçal (criada) da família Montalvão.

 

Filipe Ascensão - Ranheta - Filme Montalvões.jpg

 Fotograma de filme propriedade da família Montalvão Cunha gentilmente cedido por Luís Montalvão

 

O Filipe iniciou o cumprimento dos seus deveres militares no ano de 1916 e será nesse mesmo ano, no dia 28 de Dezembro, que casa com Júlia Branco, mas a jovem Júlia só tinha 17 anos de idade, pelo que foi necessário o consentimento dos pais da noiva.

 

Realizado o casamento, o casal passa a viver perto do Solar dos Montalvões, numa pequena casa na Rua de Santa Rita ao lado da casa da senhora Delfina, também esta natural de Vilarelho da Raia.

 

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 Fotograma de filme propriedade da família Montalvão Cunha gentilmente cedido por Luís Montalvão

 

O Filipe continua no cumprimento dos seus deveres militares. Podemos dizer que ainda estava casado de fresco e era mobilizado para combater em França. Assim o Filipe (Ranheta), no dia 23 de Maio de 1917, embarcava no cais de Alcântara, com destino a Brest, e daí para a frente de combate. Deixava para trás a sua jovem esposa com a idade de 18 anos, recém-casada e grávida de dois meses.

 

As notícias, quer de uma parte quer de outra, são muito poucas. O tempo passa não há notícias do marido, Filipe também não recebe notícias da sua Júlia. São decorridos 6 meses da partida do marido. Estávamos no mês de Novembro, Júlia completava o tempo da sua gravidez e no dia 17 de Novembro dava à luz um jovem do sexo masculino a quem seria dado o nome de Filipe.

 

O marido lá longe nada sabia, as notícias eram muito morosas. Seria este recém-nascido a felicidade daquela jovem mãe, mas talvez por azar do destino, essa felicidade viria a transformar-se em tristeza. No dia 27 de Novembro de 1917, pela 1 hora da tarde, o Filipe (filho) acabaria por falecer com apenas 10 dias de vida e toda a felicidade daquela jovem mãe desaparece como uma golfada de fumo.

 

O marido na frente de combate desconhece a sorte do seu filho e da sua esposa. A mágoa toma conta daquela jovem mãe. Foi o único filho do casal, ambos faleceram sem deixar descendentes.

 

Vamos agora, meus amigos, falar do combatente Filipe da Ascensão (Ranheta). Na nossa investigação verificámos o Boletim do CEP, assim como várias listagens, onde apurámos que se encontrava na freguesia de Santo Estevão.

 

No seu Boletim do CEP consta o seguinte:

Era soldado do Regimento de Infantaria 19, pertencia à 1ª. Companhia do 2º. Batalhão e ao 2ª. Depósito de Infantaria sendo o soldado nº 542, correspondendo-lhe a placa identificativa nº 64248, era casado com Júlia Correia Branco, e filho de Bernardino da Ascensão e de Maria Rodrigues, natural de Vila Verde de Santo Estevão, embarcou no cais de Alcântara, no dia 23 de Maio de 1917 com destino a Brest. Foi colocado na frente de combate no 4º Batalhão de Morteiros Ligeiros, em 24 de Julho de 1917.

Depois foi colocado no 1º Batalhão de Metralhadoras Ligeiras em 6 de Novembro de 1917.

Toma parte na célebre batalha de La Lys. Pela ordem de Serviço 13.1 afim de ser aumentado ao efetivo do B. em 6/11/1918.

Foi repatriado com a unidade no navio “Ovita” em 13 de Fevereiro de 1919. Desembarcou em Lisboa no cais de Alcântara em 16 de Fevereiro de 1919.

Regressou a Outeiro Seco são e salvo com pequenas mazelas que o iriam acompanhar durante toda a vida.

 

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Foi na sua aldeia adotiva que o Filipe iniciou a sua nova vida, juntamente com a sua esposa, dedicando-se à agricultura e a umas jornas que iam aparecendo.

 

Quem conheceu o Filipe Ranheta só pode ter boas recordações, era uma pessoa pândega, gostava da brincadeira. Eu fui um dos afortunados, pois ainda o conheci. Foi o único combatente que conheci. Dele recordo o cantar dos Reis à sua porta. Por altura das matanças mandavam-me a casa dele com um saco. Quando chegava pedia-lhe as pedras para lavar o porco. Uns meses antes do carnaval dizia à garotada da aldeia “Tenho lá o arranca-pinheiros”, “Tenho lá o salta-paredes”, “Tenho lá o arrasa-montanhas”, e toda a garotada tinha medo. Dizia que já tinham comido “X” quilos de batatas e carne e lá ficávamos à espera do dia de Carnaval para ver.

 

Toda esta vida de martírio e nada fácil para o Filipe Ranheta, acabaria no dia 4 de Agosto de 1970. Terminava assim a saga de mais um combatente da Grande Guerra.

 

João Jacinto

 

 

Consulta:

Arquivo Militar

Listagens de genealogia

Livro Batismos de Santo Estevão

Livros de Outeiro Seco

Informações orais

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – Abel Ramos Agrela"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

  

Caros amigos, na continuação do nosso trabalho e referente a mais um combatente da aldeia de Outeiro Seco na Grande Guerra, hoje será a vez de Abel Ramos Agrela.

 

Relativamente a este Outeiro Secano começámos a nossa investigação no Arquivo Militar à procura do seu Boletim do CEP, também procurámos em várias listagens, mas referências ao Abel Agrela, nada conseguimos. Como se costuma dizer, nem rastos.

 

Na aldeia de Outeiro Seco, por averiguações feitas há anos, e informações recolhidas, apenas nos falavam no Abel Agrela, era assim que ele era conhecido. Através dessas mesmas pessoas recebemos a informação de que o Abel Ramos Agrela foi soldado do Regimento de Infantaria 19 e que foi mobilizado para combater em França, só regressando em finais de 1918. Segundo estas indicações esteve na frente de combate, assim como na célebre Batalha de La Lys.

 

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Por lá passou as passas do Algarve, juntamente com outros combatentes regressou à sua terra natal são e salvo, apenas com umas pequenas mazelas. Tomámos a iniciativa de ir mais longe, para assim tentarmos saber mais sobre este Outeiro Secano.

 

Feitas as nossas contas do costume, fomos á procura do livro de batismos da freguesia de Outeiro Seco. Consultámos o Assento nº.23, do ano de 1891, que nos diz o seguinte:

Aos trinta e um dia do mês de Dezembro do ano de mil oitocentos e noventa e um, nesta igreja paroquial de São Miguel de Outeiro Sêco, concelho de Chaves, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de Abel, que nasceu neste lugar no dia vinte e quatro de Dezembro, filho legítimo de José Ramos Agrela, jornaleiro desta freguesia e de Umbelina Rosa, natural do lugar de Curral de Vacas, freguesia de  Águas Frias, neto paterno de Sebastião Agrela e de Maria Rita, materno de José Mateus e de Teresa de Jesus. Foram seus padrinhos António Pereira do Rio e Maria de Jesus.

Padre António Gonçalves Amaro.

 

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Tentámos ainda localizar o local onde o Abel viveu a sua juventude, mas não tivemos certezas, apenas nos foi dito ou indicado o Bairro da Senhora do Rosário.

 

Passados cinco anos do seu regresso da Guerra, o Abel lança-se numa nova aventura, talvez à procura de uma vida melhor. A 25 de Fevereiro de 1924 embarca com destino à Argentina.  Não conseguimos descobrir o tempo que por lá esteve, nem quando regressou à sua terra natal. Soubemos que viveu alguns anos, até ao seu falecimento, num pequeno casebre em pedra, ao lado da casa do Firmino Caneco, ou seja, perto da casa do Eliseu André. 

 

Verificámos no seu registo de batismo apenas um averbamento, o do seu falecimento, no dia 22 de Abril de 1958, com a idade de 67 anos, com estado civil de solteiro. E assim terminava no ano de 1958 o percurso de mais um combatente da Grande Guerra.

  

João Jacinto

 

Consulta:

Arquivo Militar

Listagens de Genealogia

Arquivo Distrital Vila Real

Livro de Batismos da Freguesia de Outeiro Seco

Informações verbais de habitantes de Outeiro Seco

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2018

Ruínas do Solar dos Montalvões

 

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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Contributos - João Jacinto - "Combatentes da Grande Guerra de 1914-1918 da aldeia de Outeiro Seco – José Manuel Figueiras"

 

COMBATENTES DA GRANDE GUERRA DE 1914/1918 DA ALDEIA DE OUTEIRO SECO

 

Vamos continuar a divulgar os combatentes da 1ª. Guerra Mundial, pertencentes à aldeia de Outeiro Seco. Hoje vamos falar de outro combatente. Seu nome é José Manuel Figueiras.

 

Alertamos desde já, que também relativamente a este combatente, não foi encontrada a sua ficha do CEP, nem o seu nome foi encontrado nas várias listagens consultadas. Apenas temos conhecimento através de indicações verbais, fornecidas por pessoas idosas da aldeia, que nos informaram que ele foi um dos mobilizados para combater em França.

 

Este combatente fazia parte do Regimento de Infantaria 19, onde se tinha alistado. Partiu para a frente de combate com 20 anos de idade, no dia 17 de Novembro de 1917. Esteve na frente até ao mês de Janeiro de 1919, data do seu regresso. Ali sofreu as amarguras da guerra, ali lutou como um valente. Regressou à sua terra como muitos outros, acompanhado por algumas mazelas.

 

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Afim de sabermos mais um pouco sobre este combatente, consultamos o livro de batismos da paróquia de Outeiro Seco. Verificamos o seguinte:

Assento nº1/1897

Aos sete dias do mês Janeiro de mil oitocentos e noventa e sete, nesta igreja paroquial de São Miguel de Outeiro Seco, batizei solenemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de José, que nasceu neste lugar e freguesia as sete horas da tarde do dito dia e mês, e ano filho legítimo de João Manuel Figueiras, natural de São Mamede de Argeriz, concelho de Valpaços, e de Ana da Cruz, natural deste lugar e freguesia, neto paterno de Carolina Pinto, avô incógnito, e materno de Domingos da Cruz e Inocência Rosa, foi seu padrinho António Joaquim de Amorim, estudante e residente neste súbdito lugar e freguesia, e a invocação de Nossa Senhora da Azinheira. Padre José Maria Moutinho

 

Segundo aquilo que nos foi dito por alguns populares da aldeia, aquando da sua partida para a frente de combate, deixou na aldeia a namorada. Tendo o mesmo prometido que logo que regressasse casaria com ela.

 

Com esta informação fomos à procura do livro de matrimónios da paróquia de Outeiro Seco. Para nossa admiração verificamos que a informação dada pelas, pessoas da aldeia encaixava que nem uma luva. Verdadeiramente o José foi homem de palavra, pois como podemos verificar no Assento nº 21:

Em 21 de Abril de 1919 na igreja paroquial de São Miguel de Outeiro Seco, contraiam matrimónio José Manuel Figueiras de 22 anos de idade, batizado e residente nesta freguesia filho legítimo de João Manuel Figueiras, e Ana da Cruz moradores nesta freguesia, ela Lucinda de Jesus, solteira de 28 anos de idade, batizada nesta freguesia e residente, filha de António Luiz e de Gertrudes Pereira. Foram testemunhas, José Gonçalves Chaves e Teresa de Jesus. Tendo este ato sido realizado pelo. Padre Elias António José Alves

 

Lá diz o ditado “ palavra dada, palavra honrada”, pois que o José chegava em Janeiro de 1919, e em Abril de 1919 casava.

 

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Engaços de madeira

 

A guerra passou, o José juntamente com a sua companheira dá início a uma vida nova, com algumas chagas da guerra, dedica-se à agricultura, cuidando de algumas courelas na aldeia.

 

O José vivia na última casa do Canto da Mochica, (nome dado ao Bairro nesse tempo), hoje chama-se Rua do Rosário.

 

Pelos vistos e dando fé às muitas informações, o José Figueiras foi sempre uma pessoa que gostou de ajudar os vizinhos nos trabalhos agrícolas e, que na altura das malhas do centeio, era um gosto vê-lo de engaço (ancinho) de madeira ao ombro, pois o seu trabalho nas malhas do centeio, era apenas o de fazer o palheiro da palha ou meda de palha. Segundo os habitantes de Outeiro Seco, o José Figueiras fazia aquele trabalho com mestria, deixava um palheiro que “nem uma piorra”, era de se lhe tirar o chapéu.

 

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Foto da procissão da Sra. da Azinheira tendo em segundo plano palheiros, um deles encimado por uma cruz

 

O calendário marcava o dia 28 de Dezembro de 1960, pelas 10 horas da manhã, na sua casa o José Manuel Figueiras, com a idade de 63 anos, partia para Deus. Deixou 5 filhos, neste presente momento já todos falecidos, o José (mais conhecido pelo Zé da Eira), a Maria, a Teresa, o António, e por último o Adelino.

 

Assim terminou o percurso de mais um combatente da grande guerra de 1914/1918.

 

João Jacinto

Consulta:

Arquivo Distrital de Vila Real

Arquivo Militar

Blog Genealogia

 

Pesquisa e textos remetidos pelo Sr. João Jacinto.

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